EMOÇÃO

Veja como está o produtor entrevistado há 20 anos pelo Canal Rural

O agricultor conta que mudou de vida nessas duas décadas e lembra de como enfrentou um câncer e continuou a levar o sustento para a família

Fonte: Roberta Silveira/Canal Rural

No dia em que o Canal Rural completa 20 anos de vida, nossa equipe voltou à casa de um produtor rural que foi nosso entrevistado no primeiro ano de emissora. Neste reencontro, na cidade de Cândido Mota, no interior de São Paulo, o produtor rural Elói Natal Scudeler conta como a sua vida mudou de lá pra cá.

Quando foi entrevistado no ano de 1996, ele falou sobre a produção de soja na região. Agora, 20 anos depois, Elói, a mulher, a nora e dois netos se reuniram para ver o material histórico. “Vendo essa matéria eu posso dizer que o preço da soja hoje está melhor e o maquinário, sem dúvida, é completamente diferente. Hoje temos uma colheitadeira cabinada e com ar-condicionado, mudou tudo. Eu também mudei muito, pois eu não tinha nada e, agora, eu tenho um pouco. Além disso, com os anos eu acumulei experiência e algumas dores nas costas”, disse, bem humorado.

O material antigo do Canal Rural também fez com que Elói revisse o irmão, que morreu no ano passado. “Eu fiquei sem pai com 11 anos. Eu sou o mais velho da família e tinha os irmãos mais novos, então foi todo mundo criado na lavoura”, falou.

Quando foi entrevistado pela primeira vez, Elói tocava 500 hectares de soja junto com os irmãos. Hoje, ele produz em mil hectares e, para conquistar mais terra, enfrentou muitas dificuldades com as plantações. “Lavoura é ingrato. Pode ser que hoje você deita com a lavoura bonita e amanhã tudo esteja torrado de geada. Há dois anos, por exemplo, eu tive uma área de 100 hectares e não sobrou um pé pra contar de soja, tudo culpa da chuva de pedra”, relembrou.

Para vencer os obstáculos, Elói conta com o apoio da família, especialmente da companheira de 31 anos de casamento, Maria Luiza. Ela ajudou o companheiro em um dos momentos mais difíceis, quando ele teve câncer de pele. “Ele fez o tratamento e teve toda aquela dificuldade de ir para Jaú, fazer cirurgia, quimioterapia. Apesar de tudo isso, ele nunca parou de trabalhar”, disse a esposa.

Em duas décadas, o casal também passou por problemas financeiros e acabou entrando em dívidas. “Eu perdi o trator e uma colheitadeira”, lamentou o produtor. Apesar dos problemas , a família viu no Canal Rural um local de informações precisas e um aliado para melhorar a produção e facilitar a negociação da safra. “Hoje você sai pra vender uma soja, chega na cidade e o cara dá um preço. Você sabe em que preço você pode vender, porque viu o preço no dia anterior no Canal Rural. Duro era no começo, quando não tinha um veículo de comunicação, não tinha nada. O cara chegava lá e pagava o quanto queria.”

E todo este conhecimento de lavoura e de vida acumulado nestes anos, o avô passa para os netos Rafael, de quatro anos, e Carlos Eduardo, de oito. A brincadeira deles com miniaturas de máquinas agrícolas faz parte do cotidiano dos meninos. Quando perguntado sobre o que vai ser quando crescer, o pequeno Rafael responde sem pensar duas vezes: “trabalhador na roça”. A resposta, é claro, encheu o avô de orgulho.

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