SANIDADE

Saiba o que é a febre aftosa e como ela age no organismo dos animais

Aftosa é uma das enfermidades animais mais contagiosas e pode causar importantes perdas econômicasA febre aftosa é uma doença viral altamente contagiosa provocada por vírus da família Picornaviridae, gênero Aphthovirus.

Fonte: Prefeitura de Rio Bonito (RJ)

Existem sete tipos diferentes do vírus [sorotipos imunológicos]: A, O, C, SAT1, SAT2, SAT3, Asia1. O tipo O é o mais comum.

Resistência

O vírus é resistente ao congelamento e só é fica inativo em temperaturas superiores a 50ºC. Sobrevive nos gânglios linfáticos dos animais e na medula óssea, onde há pH neutro [nível de acidez], mas morre nos músculos onde o ph é inferior a 6. Pode sobreviver em forragens contaminadas e no meio ambiente por até um mês se houver condições favoráveis de temperatura e pH.

Prejuízos

A aftosa é uma das enfermidades animais mais contagiosas e causa importantes perdas econômicas. A mortalidade é baixa em animais adultos, mas nos jovens provoca problemas cardíacos [miocardites] que levam à morte. Atinge animais bovinos, ovinos, caprinos, porcos e todos ruminantes selvagens. Camelos, dromedários, lhamas e vicunhas têm baixa suscetibilidade; cavalos não são afetados.

Contágio

A transmissão se dá por contato direto com animais infectados, contato com secreções, vetores móveis (homens, animais domésticos) que tenham estado em contato com animais contaminados e veículos e equipamentos nas mesmas condições. Em casos raros o vírus pode ser transportado por ar. Os animais contaminados podem transmitir a doença durante o período de incubação e manifestação da aftosa. O ar expirado, saliva, fezes, urina, leite e sêmen de animais doentes provocam contaminação até quatro dias antes do aparecimento dos primeiros sintomas clínicos.

Permanência do vírus

Carne e produtos derivados com pH acima de 6 também conservam o vírus. Bovinos vacinados expostos à doença ou infectados e não abatidos conservam o vírus por 30 meses ou mais (búfalos); nos ovinos o período de conservação é de 9 meses. O período de incubação em animais vivos e não vacinados é de 2 a 14 dias, após os quais começam a aparecer sintomas como vesículas e aftas nas mucosas e língua, feridas no úbere e nos cascos.

Sintomas

Nos primeiros dias antes da manifestação das feridas os animais apresentam falta de apetite, calafrios, febre e redução da produtividade de leite. Após a manifestação das aftas o animal não consegue se alimentar ou caminhar, ficando prostrado e fraco.

Recuperação

A recuperação começa a ocorrer entre 8 a 15 dias após a manifestação dos sintomas. Em casos mais graves os animais sofrem com a superinfecção das lesões, deformação de cascos, mastites e redução permanente da produção de leite, perda de peso, doenças do músculo cardíaco, aborto e morte de animais jovens. Nos ovinos e caprinos as lesões são menos pronunciadas, podendo passar desapercebidas. A mortalidade é alta entre animais jovens. Os porcos podem desenvolver graves lesões nos pés.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito clinicamente, após a observação das feridas, e a confirmação se dá após análise laboratorial de tecido coletado na mucosa [de dentro da boca] de animais afetados.

Prevenção

– Proteção de zonas livres mediante controle e vigilância dos deslocamentos de animais nas fronteiras

– Sacrifício de animais infectados, recuperados e de animais suscetíveis que entraram em contato com indivíduos doentes

– Desinfecção dos locais e de todo material infectado (artefatos, veículos, roupas)

– Destruição dos cadáveres e produtos animais suscetíveis na zona infectadas

– Medidas de quarentena

– Vacina com vírus inativado [a imunidade é conferida seis meses após as primeiras vacinações]

Regiões afetadas

A febre aftosa é endêmica em partes da Ásia, África, Oriente Médio e América do Sul, onde ocorrem focos esporádicos em zonas consideradas livres da doença.

Risco para o homem

A aftosa não representa risco para a saúde humana. A doença não é transmitida pelo consumo de carne, leite e derivados de animais infectados. Alguns casos raros de feridas nas mãos e outros sintomas leves foram relatados em seres humanos que lidavam de forma muito próxima com animais infectados.

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