FIM DE TEMPORADA

Rebanho Gordo mostra modernização da pecuária brasileira

Quadro do Jornal da Pecuária mostrou diversas técnicas e cuidados na nutrição de bovinos e equinosQuadro percorreu 10 estados nas cinco regiões para mostrar o que os produtores estão fazendo para melhorar a nutrição de bovinos e equinos e aumentar a produtividade

Desde novembro do ano passado nossa equipe vem mostrando boas estratégias praticadas pelos pecuaristas e técnicos de todo o Brasil para manter bovinos e equinos bem nutridos. Foram 11 meses de dedicação a esse projeto. O cinegrafista José Carlos Castro e a repórter Merce Gregório viajaram durante por 10 estados, visitando 60 propriedades nas cinco regiões do país.

Na última reportagem do quadro você vai ver algumas das principais inovações adotadas por pecuaristas para garantir a qualidade da nutrição animal e a rentabilidade do produtor. Na implantação e reforma de pastos, por exemplo, tem se tornado frequente o uso da integração lavoura e pecuária (ILP), para diluir o valor do investimento. Vimos exemplos dessa prática no município de Nerópolis, Goiás; em Guimarânea, na região do Alto Paranaíba, em Minas Gerais e no município de Peixe, no sul de Tocantins.

O manejo correto dos pastos, com adubação, divisão em piquetes e adequação da carga já é praticado por pecuaristas de todas as regiões brasileiras. Em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, o médico veterinário Wemerson Magalhães, consegue manter, com a ajuda da suplementação, 32 vacas leiteiras em três hectares divididos em 30 piquetes. Investimentos que fazem diferença na produtividade das fazendas e na qualidade de vida das famílias.

Muitos pecuaristas também estão descobrindo a vantagem da integração com a floresta. Tanto no sistema silvipastoril, só com o gado e as árvores, ou incrementada com a lavoura, por meio da integração lavoura, pecuária e floresta (ILPF). Vimos exemplos desses trabalhos em Morrinhos e em Cachoeira Dourada, no sul de Goiás; e em Nova Canaã do Norte, na região norte de Mato Grosso. Em todos esses modelos, mesmo o gado dividindo espaço com outras atividades, o ganho de peso foi aumentado.

Alguns produtores rurais já descobriram também que, para diminuir o tempo de engorda só o capim, por melhor que seja, não basta. É preciso buscar ajuda dentro do cocho, através da suplementação. As empresas de nutrição animal oferecem uma variedade enorme de suplementos minerais, proteicos e energéticos. Já tem até em blocos, que promete facilitar o manejo e evitar desperdício. Muitos desses produtos foram desenvolvidos para serem consumidos em consórcio com o pasto. São indicados também para bezerros, por meio da suplementação dentro do creep feeding, que gera uma diferença de aproximadamente 30 quilos a mais na hora da desmama em relação a bezerros não suplementados. Tem até aplicativo para smartphones, desenvolvido pela Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, que ajuda na escolha do suplemento.

No confinamento ou no pasto, o abastecimento de água tem que ser bem planejado para o sucesso da nutrição. Um bovino bebe cerca de 50 litros por dia, e a recomendação dos técnicos é que o reservatório da fazenda seja suficiente para encher todos os bebedouros por até três dias em caso de problemas com o fornecimento. Conhecer sobre o comportamento dos animais ajuda ainda a fazer um arranjo correto dos cochos de alimentação. Eles precisam ter espaço e altura suficientes para que todos os animais consigam comer e não provoquem desperdício.

Usar tecnologias disponíveis pode ser, por exemplo, adotar na fazenda o uso de leguminosas que ajudam a fixar nitrogênio no solo e oferecem proteína extra para os animais. No bioma pampa, Sul do país, a tecnologia chegou ao campo pela rotação de piquetes, que preserva o ambiente natural e, ainda, evita que o gado perca peso no inverno, quando a pastagem nativa entra em dormência. O manejo correto do azevém, forrageira de alto valor nutricional, pode gerar ganhos bem maiores que os já alcançados.

Pensando no inverno, planejamento ajuda a se antecipar aos problemas. O maior deles é a escassez de alimento na época da seca, que pode ter duração maior ou menor dependendo da região do país. O armazenamento em forma de silagem – seja de capim, milho planta inteira ou apenas o grão, leguminosas ou resto de cultura, como a do abacaxi –, virou regra em todas as propriedades que querem manter os animais bem alimentados o ano todo e evitar o efeito sanfona. Outra estratégia de segurança é a produção de feno, de gramíneas como tifton, coast cross, aveia e até palhada de cana.

Todos esses exemplos que a equipe viu Brasil afora, trilham o mesmo caminho: o da intensificação. Alimentam bem o rebanho e, em troca, recebem lucratividade no campo.

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