MANEJO

Soja: rotação de culturas reduz pela metade chance de perdas com a seca

Durante Fórum Soja Brasil, em Não-Me-Toque (RS), pesquisador da Embrapa apresentou estudos impressionantes sobre perdas com manejo inadequado do solo

Um dos principais gargalos para a rentabilidade da soja no Brasil é a adoção parcial ou incorreta das técnicas de plantio direto. Para o pesquisador da Embrapa, Osmar Conte, se as técnicas fossem reproduzidas como manda a pesquisa, já adaptada para cada região e estado, os produtores conseguiriam não só produtividades melhores, como reduziriam custos e evitariam surpresas e prejuízos com quebras de safras. Veja as dicas dadas por ele, durante o Fórum Soja Brasil desta quinta-feira, para garantir uma boa estrutura de solo e enraizamento de plantas.

Durante sua apresentação, Conte relembrou que ao melhorar o manejo do solo o produtor conseguirá ajudar a manutenção de água no solo e, consequentemente, ajudar a soja. A água da chuva tem destinos: vai para o solo, evapora, ou é escorrida em solos compactados. Sem irrigação, a opção do produtor é armazenar essa água no solo”, diz ele.

Infiltração de água

Mas para que este armazenamento de água no solo funcione ele depende de uma boa infiltração. Em um exemplo dado pelo pesquisador, um solo argiloso normal, seria necessário pelo menos 50 milímetros de água (em sete dias) para atendimento pleno das plantas. “Só que o clima não funciona assim e a disponibilidade de chuvas vai reduzindo e a planta aciona seus mecanismos fisiológicos, comprometendo sua produtividade. E temos que aumentar essa fração de água disponível”, afirma Conte.

Seguindo o exemplo comparativo, uma soja plantada em solo compactado a raiz chega a no máximo 70 cm de profundidade, acessando no máximo 35 milímetros da água disponível. “Isso daria 5 dias de atendimento pleno e não gera segurança. Imagina se a área enfrenta uma estiagem de 12 a 15 dias, como neste ano, a soja não aguentará”, ressalta.

Se este mesmo solo tivesse um bom manejo de solo, as raízes teriam condições de se aprofundar mais, chegando a pelo menos 1.40 cm. Isso traria a possibilidade de a planta acessar 70 mm de água disponível, ou seja, 7 dias de resguardo. “Esse exemplo foi visto no Paraná. E por lá muitos produtores tiveram danos irreparáveis com 12 a 15 dias de veranico. Se o perfil fosse o correto, a planta se recuperaria”, disse o pesquisador em sua palestra.

Plantio direto incorreto

Segundo o pesquisador da Embrapa o sistema de plantio direto, com sucessão de cultura (milho/soja ou soja/trigo) traz taxas de infiltração muito menores que aquelas conseguidas com a rotação de culturas. Se o plantio for realizado em áreas com desnível então, a coisa piora ainda mais, pois essa condição já gera perdas naturalmente.

“O uso da braquiária traz benefícios enormes para a cultura da soja. Em um solo não compactado, o uso de braquiária (antecedendo a soja) gera uma taxa de infiltração de água duas vezes maior que usando outras culturas. Já em um solo compactado a infiltração de água é duas vezes menor. Se fizer isso em um ciclo, já muda muito a produtividade”, conta ele.

Além disso, a cobertura do solo, ou palhada é fundamental para evitar a evaporação de água, diminuição da temperatura do solo e melhorar a infiltração de água. “A diferença é grande e é possível notar isso olhando os resultados da fazenda Pierolli, que na mesma área tem resultados bem diferentes, usando e não o manejo do solo adequado”

Por fim, ele ressaltou que a adoção de um manejo correto do solo será a diferença entre ter rentabilidade e não ter. “A diversificação trará mais produtividade, sem dúvida, não tem nem o que duvidar. Portanto quanto mais tempo fizer isso, mais produtividade terá, sempre crescente”, diz Conte.

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