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EFEITO COLATERAL

Produtores do Brasil temem sobra de grãos com acordo entre China e EUA

Receio é que Pequim passe a priorizar produtos agrícolas americanos, em detrimento dos brasileiros

24 de março de 2019 às 09h03
Por Estadão Conteúdo
Soja no porto exportação

Foto: Governo Federal

Um eventual acordo entre China e EUA colocando fim à guerra comercial já causa tensão no setor agrícola brasileiro. “E a preocupação é grande, não é pequena, não”, diz o diretor-geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sergio Mendes.

O receio é que Pequim passe a priorizar os produtos agrícolas americanos em detrimento dos brasileiros. Desde a trégua anunciada pelos dois países em dezembro, as vendas de soja dos EUA para a China subiram.

Em 2018, o Brasil foi um dos maiores beneficiados pela guerra travada entre os dois países. O país exportou 82,8 milhões de toneladas de soja, alta de 21% ante 2017. “Os números de 2018 são completamente fora da curva. Vendemos sem concorrência e a guerra comercial foi preponderante”, afirma Mendes.

Nova call to action

A Anec estima exportar 70 milhões de toneladas neste ano, volume que pode diminuir se o acordo entre China e EUA for muito favorável aos americanos. Os EUA estão com estoque alto de soja e poderiam vender para a China já neste primeiro semestre, concorrendo com Brasil e Argentina – a safra dos países da América do Sul é no começo do ano, enquanto a americana é no segundo semestre.

Da soja exportada pelo Brasil, 82% foram para a China, quase dez pontos percentuais a mais que em 2017. Segundo Mendes, como a China compra quase a totalidade da produção brasileira, o país não terá para onde destinar seus grãos caso os orientais reduzam suas importações.

O produtor Valdir Edemar Fries, de Itambé (PR), calcula que vai exportar 21% a menos neste ano. Ele ainda não estimou a perda em receita, mas acredita que superará esse percentual. “Além de ter produzido menos por causa da estiagem, o acordo branco (informal) entre China e EUA já afeta a cotação. Há dez dias a soja estava a R$ 71 a saca. Hoje, não passa de R$ 67,50”. Na safra 2017/2018, Fries conseguiu média de R$ 72,50 por saca.

A estiagem que afetou a produção de soja no Paraná, segundo maior produtor brasileiro, atingiu também as lavouras de Fries. A produtividade por hectare, que havia sido de 75 sacas, em média, na safra passada, caiu para 58,8. Ele conta que havia a possibilidade de compensar parte da perda com preços melhores, o que não ocorreu. “Quando fiz as vendas no mercado futuro, em novembro, vendi apenas o necessário para cobrir os custos, pois achava que, em razão da guerra comercial, os preços iriam subir. Não foi uma boa aposta”.

O produtor Emílio Kenji Okamura, presidente da Cooperativa Agrícola de Capão Bonito (SP), teme pelo escoamento mais lento da soja para o porto. “Nossa cooperativa tem capacidade para 600 mil sacas e os silos estão lotados. Muitos não quiseram vender acreditando que a briga dos EUA com os chineses ia longe, mas Donald Trump amenizou e já tem soja de lá sendo levada para a China.”

“Quem vendeu antecipado conseguiu até R$ 80 a saca, mas muito produtor preferiu esperar e agora o preço oscila entre R$ 71 e R$ 72. Ninguém sabe como o mercado vai ficar nos próximos meses, o que torna difícil um planejamento”, diz Okamura.

Veja mais notícias sobre soja

Guerra comercial: acordo com China pode acontecer em breve, diz Trump

15 comentários

  1. Carlos em 24 de março de 2019 às 11:17

    Faz arminha com a mão q passa

    • Marcus em 27 de março de 2019 às 11:14

      KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

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  5. Neilo em 24 de março de 2019 às 19:56

    Isso é conversa pra boi dormir. A fome da China é quase sem fim…tudo o que o mundo produzir e na quantidade que produzir a China vai comprar. Assistam ao ruralbusines e verão que a realidade diante dos fatos e dos números mostrados é outra.

  6. Cesar Augusto Sandri em 24 de março de 2019 às 21:34

    Com a palavra os apoiadores desse Biroliro :

  7. Cesar Augusto Sandri em 24 de março de 2019 às 21:36

    E agora canal rural .O que vão dizer pros produtores sobre esse apoio massivo que deram pra esse governo miliciano?

  8. Geraldo em 25 de março de 2019 às 01:25

    Ué…nao foi promessa de campanha do sr. Messias Bolsonaro priorizar a liberdade de mercado?

  9. Itamara em 25 de março de 2019 às 06:50

    Quando nos referimos a Estados Unidos, devemos dizer norte americanos, já que nos brasileiros tbm somos americanos!

  10. Um Nacionalista Consciente em 25 de março de 2019 às 10:36

    Melhor JAIR se arrependendo

  11. Alessandro Seron em 25 de março de 2019 às 20:24

    É bom o setor agrícola que produz em grande escala, começar a pensar em uma cultura que possa servir como alternativa de exportação. Qual outro tipo de cultivar poderia ser praticado no Brasil e que seria tão bom para exportar tanto quanto o soja?

  12. Tiago Barreto em 26 de março de 2019 às 18:55

    fazer o que né, votaram em um deputado com quase 30 anos de mandato sem nenhum serviço apresentado só porque ele era a favor de matar integrantes do MST e porque ele é a favor do trabalho escravo
    estão colhendo os que plantaram, o feitiço está virando contra o feiticeiro mas faz arminha com a mão, só cuidado pro tiro não sair pela culatra outra vez

  13. Isaías Yamaguchi em 27 de março de 2019 às 01:55

    Ciro Gomes avisou, mas preferiram o Bozonaro, agora tomaram no agro!

  14. Aleksey Madzhelane em 28 de março de 2019 às 08:19

    Vai boiar caminhões. E eu, estou como? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Só me divertindo!!

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Produtores do Brasil temem sobra de grãos com acordo entre China e EUA

Receio é que Pequim passe a priorizar produtos agrícolas americanos, em detrimento dos brasileiros

24 de março de 2019 às 09h03
Por Estadão Conteúdo
Soja no porto exportação

Foto: Governo Federal

Um eventual acordo entre China e EUA colocando fim à guerra comercial já causa tensão no setor agrícola brasileiro. “E a preocupação é grande, não é pequena, não”, diz o diretor-geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sergio Mendes.

O receio é que Pequim passe a priorizar os produtos agrícolas americanos em detrimento dos brasileiros. Desde a trégua anunciada pelos dois países em dezembro, as vendas de soja dos EUA para a China subiram.

Em 2018, o Brasil foi um dos maiores beneficiados pela guerra travada entre os dois países. O país exportou 82,8 milhões de toneladas de soja, alta de 21% ante 2017. “Os números de 2018 são completamente fora da curva. Vendemos sem concorrência e a guerra comercial foi preponderante”, afirma Mendes.

Nova call to action

A Anec estima exportar 70 milhões de toneladas neste ano, volume que pode diminuir se o acordo entre China e EUA for muito favorável aos americanos. Os EUA estão com estoque alto de soja e poderiam vender para a China já neste primeiro semestre, concorrendo com Brasil e Argentina – a safra dos países da América do Sul é no começo do ano, enquanto a americana é no segundo semestre.

Da soja exportada pelo Brasil, 82% foram para a China, quase dez pontos percentuais a mais que em 2017. Segundo Mendes, como a China compra quase a totalidade da produção brasileira, o país não terá para onde destinar seus grãos caso os orientais reduzam suas importações.

O produtor Valdir Edemar Fries, de Itambé (PR), calcula que vai exportar 21% a menos neste ano. Ele ainda não estimou a perda em receita, mas acredita que superará esse percentual. “Além de ter produzido menos por causa da estiagem, o acordo branco (informal) entre China e EUA já afeta a cotação. Há dez dias a soja estava a R$ 71 a saca. Hoje, não passa de R$ 67,50”. Na safra 2017/2018, Fries conseguiu média de R$ 72,50 por saca.

A estiagem que afetou a produção de soja no Paraná, segundo maior produtor brasileiro, atingiu também as lavouras de Fries. A produtividade por hectare, que havia sido de 75 sacas, em média, na safra passada, caiu para 58,8. Ele conta que havia a possibilidade de compensar parte da perda com preços melhores, o que não ocorreu. “Quando fiz as vendas no mercado futuro, em novembro, vendi apenas o necessário para cobrir os custos, pois achava que, em razão da guerra comercial, os preços iriam subir. Não foi uma boa aposta”.

O produtor Emílio Kenji Okamura, presidente da Cooperativa Agrícola de Capão Bonito (SP), teme pelo escoamento mais lento da soja para o porto. “Nossa cooperativa tem capacidade para 600 mil sacas e os silos estão lotados. Muitos não quiseram vender acreditando que a briga dos EUA com os chineses ia longe, mas Donald Trump amenizou e já tem soja de lá sendo levada para a China.”

“Quem vendeu antecipado conseguiu até R$ 80 a saca, mas muito produtor preferiu esperar e agora o preço oscila entre R$ 71 e R$ 72. Ninguém sabe como o mercado vai ficar nos próximos meses, o que torna difícil um planejamento”, diz Okamura.

Veja mais notícias sobre soja

Guerra comercial: acordo com China pode acontecer em breve, diz Trump

15 comentários

  1. Carlos em 24 de março de 2019 às 11:17

    Faz arminha com a mão q passa

    • Marcus em 27 de março de 2019 às 11:14

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  5. Neilo em 24 de março de 2019 às 19:56

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  6. Cesar Augusto Sandri em 24 de março de 2019 às 21:34

    Com a palavra os apoiadores desse Biroliro :

  7. Cesar Augusto Sandri em 24 de março de 2019 às 21:36

    E agora canal rural .O que vão dizer pros produtores sobre esse apoio massivo que deram pra esse governo miliciano?

  8. Geraldo em 25 de março de 2019 às 01:25

    Ué…nao foi promessa de campanha do sr. Messias Bolsonaro priorizar a liberdade de mercado?

  9. Itamara em 25 de março de 2019 às 06:50

    Quando nos referimos a Estados Unidos, devemos dizer norte americanos, já que nos brasileiros tbm somos americanos!

  10. Um Nacionalista Consciente em 25 de março de 2019 às 10:36

    Melhor JAIR se arrependendo

  11. Alessandro Seron em 25 de março de 2019 às 20:24

    É bom o setor agrícola que produz em grande escala, começar a pensar em uma cultura que possa servir como alternativa de exportação. Qual outro tipo de cultivar poderia ser praticado no Brasil e que seria tão bom para exportar tanto quanto o soja?

  12. Tiago Barreto em 26 de março de 2019 às 18:55

    fazer o que né, votaram em um deputado com quase 30 anos de mandato sem nenhum serviço apresentado só porque ele era a favor de matar integrantes do MST e porque ele é a favor do trabalho escravo
    estão colhendo os que plantaram, o feitiço está virando contra o feiticeiro mas faz arminha com a mão, só cuidado pro tiro não sair pela culatra outra vez

  13. Isaías Yamaguchi em 27 de março de 2019 às 01:55

    Ciro Gomes avisou, mas preferiram o Bozonaro, agora tomaram no agro!

  14. Aleksey Madzhelane em 28 de março de 2019 às 08:19

    Vai boiar caminhões. E eu, estou como? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Só me divertindo!!

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