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ATRASO NA SAFRA

O drama de produtores rurais que já pensam em replantar soja

Falta de chuvas, soja desuniforme, possibilidade de replantio da oleaginosa e diminuição da janela da segunda safra são algumas das situações enfrentadas por agricultores neste início de safra

07 de outubro de 2019 às 15h35
Por Francielle Bertolacini, de São Paulo
plantio soja

Foto: Luis Paulo/ Arquivo pessoal

Os produtores rurais do Paraná já se preparam para fazer o replantio da safra de soja. Isso porque as chuvas deste fim de semana, que muitos agricultores esperavam, não foram suficientes. “Tem muita gente comprando de novo a semente para poder fazer o replantio”, comenta o vice-presidente da Aprosoja-PR, José Sismeiro. Segundo ele, áreas grandes da oleaginosa devem ser semeadas novamente, mas agricultores, com receio de nova falta de chuvas, só deverão se arriscar novamente quando as precipitações forem suficientes.

É o caso do produtor Edson Cazaqui, de Assis Chateaubriand (PR), que realizou os trabalhos de campo em 10 de setembro e espera replantar uma área de 20 hectares. Ele comenta que na região, há pelo menos 20 dias as chuvas não chegam. “Vou ter que refazer o plantio, mas agora vou esperar chover bem”, afirma.

Para a Aprosoja-PR, o agricultor só deve voltar para o campo quando a previsão do tempo indicar precipitações de no mínimo 40 milímetros e espaçadas em um determinado período de tempo. “O produtor só vai voltar para a roça quando tiver previsão de boa chuva e, talvez, esperar realmente chover. Precisamos de uma chuva mais espaçada, pois se ela vier em apenas uma hora, o solo não absorve e ainda pode causar erosão”, explica.

Esperança

O produtor que ainda não está contando com um replantio aposta no clima para salvar parte da soja que ainda pode vingar. Em Quarto Centenário (PR),  Eduardo Moratelli, gerente da Fazenda Boa Sorte, estima que a safra consiga aguentar mais uma semana sem chuvas. Na região, as precipitações dos últimos quinze dias, quando foi realizado a semeadura, conseguiram ajudar parte da soja, mas ainda de maneira bastante desuniforme.

“Alguns grãos pegaram umidade e outros não, estimamos que a soja vai nascer toda falhada”, comenta Moratelli. Caso não chova na área, ele calcula que dos 1.100 hectares semeados, 600 hectares terão que ser replantados, gerando custo entre R$ 700 a R$ 1.000 por hectare.

Em Maripá (PR), a situação é parecida. Na propriedade do produtor Luis Paulo, as lavouras são marcadas por soja já emergida e outras não. Algumas das que vingaram, sofreram com o tempo seco e a umidade no solo não foi suficiente.

“Se não chover nos próximos dias, e a temperatura volta a subir, vai dar replantio sim”, afirma.

Soja, formação diferente

Safra em Maripá (PR) apresenta soja já emergida e outras ainda brotando

Falta de sementes

Outro ponto de alerta é a possibilidade de falta de sementes, caso muitos agricultores precisem refazer os trabalhos. Para José Sismeiro, isso só aconteceria caso um cenário de replantio fosse generalizado. “Dependendo do tamanho do replantio, pode ser difícil achar semente. Neste caso, quem comprou a soja, teria que plantar o que tem”, enfatiza.

Safra menor de milho

Com problemas de replantio, caso das chuvas não se confirmem, a estimativa é que o Paraná já não consiga ter uma boa produção de milho na segunda safra. Isso porque os produtores rurais já estão próximos de perder a janela ideal de plantio.

“Mesmo se (o clima) correr bem, se não tiver geada, o cereal vai ser plantado mais tarde. Um plantio partir de 10 de fevereiro reduz a produtividade do milho”, comenta Sismeiro. Segundo ele, a janela ideia de plantio no estado é até 28 de fevereiro, mas quanto mais se avança para março, menor fica a produtividade.

Em alguns casos, produtores rurais que perderam o início do plantio da soja pela falta de chuva já dá como certo os impactos na segunda safra. Isso porque foram compradas sementes de ciclo longo, e na hora do replantio, a colheita da oleaginosa deve acontecer em um período que a safrinha já deveria estar ocorrendo.

Tiago Bretão, produtor rural do Paraguai passa pela situação. Ele conta que está começando a plantar a soja neste momento, depois de um período de 100 dias sem chuvas. “Essa soja de variedade de ciclo longo já tinha que ter sido plantado. Mais da metade da área vai ser impossível fazer a safrinha, pois a soja vai ocupar o tempo da segunda safra”, diz.

Ele comenta que as sementes usadas em sua propriedade, de 128 a 130 dias, já foram compradas. “O certo seria plantar até 25 de setembro e já estamos bem atrasados. Eu costumo fazer milho, mas não vamos ter condição de plantar o cereal mais tarde porque temos muitas geadas”, explica.

Mudança de cultura

Uma alternativa aos produtores que já pensam em desistir da soja seria apostar no milho primeira safra. Porém para o presidente da Aprosoja-PR a opção fica quase inviável, já que todo o insumo para a soja já foi comprado, além de fungicidas e outros produtos para o milho serem diferentes. Até agora, os produtores ainda descartam essa possibilidade.

Previsão do tempo

A Somar Meteorologia indica o Paraná recebeu instabilidades, mas a chuva ainda está abaixo da média. “Não foi suficiente para recuperar o déficit hídrico”, comenta a meteorologista Heloísa Pereira.

Segundo ela, o estado volta a enfrentar uma janela de tempo mais seco. A expectativa é que no fim da primeira quinzena, seja registrado chuva e depois no fim de outubro. “Essa chuva da primeira quinzena não é boa, mas a do fim do mês é, sim”, ressalta.

Nova call to action

1 comentário

  1. Renato Locatelli em 8 de outubro de 2019 às 07:50

    Aqui no norte paranaense em minha cidade nenhum pingo quem plantou semana passada pensando em chuva previsivelmente irá ter que replantar. Hoje amanheceu frio e céu azul.

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ATRASO NA SAFRA

O drama de produtores rurais que já pensam em replantar soja

Falta de chuvas, soja desuniforme, possibilidade de replantio da oleaginosa e diminuição da janela da segunda safra são algumas das situações enfrentadas por agricultores neste início de safra

07 de outubro de 2019 às 15h35
Por Francielle Bertolacini, de São Paulo
plantio soja

Foto: Luis Paulo/ Arquivo pessoal

Os produtores rurais do Paraná já se preparam para fazer o replantio da safra de soja. Isso porque as chuvas deste fim de semana, que muitos agricultores esperavam, não foram suficientes. “Tem muita gente comprando de novo a semente para poder fazer o replantio”, comenta o vice-presidente da Aprosoja-PR, José Sismeiro. Segundo ele, áreas grandes da oleaginosa devem ser semeadas novamente, mas agricultores, com receio de nova falta de chuvas, só deverão se arriscar novamente quando as precipitações forem suficientes.

É o caso do produtor Edson Cazaqui, de Assis Chateaubriand (PR), que realizou os trabalhos de campo em 10 de setembro e espera replantar uma área de 20 hectares. Ele comenta que na região, há pelo menos 20 dias as chuvas não chegam. “Vou ter que refazer o plantio, mas agora vou esperar chover bem”, afirma.

Para a Aprosoja-PR, o agricultor só deve voltar para o campo quando a previsão do tempo indicar precipitações de no mínimo 40 milímetros e espaçadas em um determinado período de tempo. “O produtor só vai voltar para a roça quando tiver previsão de boa chuva e, talvez, esperar realmente chover. Precisamos de uma chuva mais espaçada, pois se ela vier em apenas uma hora, o solo não absorve e ainda pode causar erosão”, explica.

Esperança

O produtor que ainda não está contando com um replantio aposta no clima para salvar parte da soja que ainda pode vingar. Em Quarto Centenário (PR),  Eduardo Moratelli, gerente da Fazenda Boa Sorte, estima que a safra consiga aguentar mais uma semana sem chuvas. Na região, as precipitações dos últimos quinze dias, quando foi realizado a semeadura, conseguiram ajudar parte da soja, mas ainda de maneira bastante desuniforme.

“Alguns grãos pegaram umidade e outros não, estimamos que a soja vai nascer toda falhada”, comenta Moratelli. Caso não chova na área, ele calcula que dos 1.100 hectares semeados, 600 hectares terão que ser replantados, gerando custo entre R$ 700 a R$ 1.000 por hectare.

Em Maripá (PR), a situação é parecida. Na propriedade do produtor Luis Paulo, as lavouras são marcadas por soja já emergida e outras não. Algumas das que vingaram, sofreram com o tempo seco e a umidade no solo não foi suficiente.

“Se não chover nos próximos dias, e a temperatura volta a subir, vai dar replantio sim”, afirma.

Soja, formação diferente

Safra em Maripá (PR) apresenta soja já emergida e outras ainda brotando

Falta de sementes

Outro ponto de alerta é a possibilidade de falta de sementes, caso muitos agricultores precisem refazer os trabalhos. Para José Sismeiro, isso só aconteceria caso um cenário de replantio fosse generalizado. “Dependendo do tamanho do replantio, pode ser difícil achar semente. Neste caso, quem comprou a soja, teria que plantar o que tem”, enfatiza.

Safra menor de milho

Com problemas de replantio, caso das chuvas não se confirmem, a estimativa é que o Paraná já não consiga ter uma boa produção de milho na segunda safra. Isso porque os produtores rurais já estão próximos de perder a janela ideal de plantio.

“Mesmo se (o clima) correr bem, se não tiver geada, o cereal vai ser plantado mais tarde. Um plantio partir de 10 de fevereiro reduz a produtividade do milho”, comenta Sismeiro. Segundo ele, a janela ideia de plantio no estado é até 28 de fevereiro, mas quanto mais se avança para março, menor fica a produtividade.

Em alguns casos, produtores rurais que perderam o início do plantio da soja pela falta de chuva já dá como certo os impactos na segunda safra. Isso porque foram compradas sementes de ciclo longo, e na hora do replantio, a colheita da oleaginosa deve acontecer em um período que a safrinha já deveria estar ocorrendo.

Tiago Bretão, produtor rural do Paraguai passa pela situação. Ele conta que está começando a plantar a soja neste momento, depois de um período de 100 dias sem chuvas. “Essa soja de variedade de ciclo longo já tinha que ter sido plantado. Mais da metade da área vai ser impossível fazer a safrinha, pois a soja vai ocupar o tempo da segunda safra”, diz.

Ele comenta que as sementes usadas em sua propriedade, de 128 a 130 dias, já foram compradas. “O certo seria plantar até 25 de setembro e já estamos bem atrasados. Eu costumo fazer milho, mas não vamos ter condição de plantar o cereal mais tarde porque temos muitas geadas”, explica.

Mudança de cultura

Uma alternativa aos produtores que já pensam em desistir da soja seria apostar no milho primeira safra. Porém para o presidente da Aprosoja-PR a opção fica quase inviável, já que todo o insumo para a soja já foi comprado, além de fungicidas e outros produtos para o milho serem diferentes. Até agora, os produtores ainda descartam essa possibilidade.

Previsão do tempo

A Somar Meteorologia indica o Paraná recebeu instabilidades, mas a chuva ainda está abaixo da média. “Não foi suficiente para recuperar o déficit hídrico”, comenta a meteorologista Heloísa Pereira.

Segundo ela, o estado volta a enfrentar uma janela de tempo mais seco. A expectativa é que no fim da primeira quinzena, seja registrado chuva e depois no fim de outubro. “Essa chuva da primeira quinzena não é boa, mas a do fim do mês é, sim”, ressalta.

Nova call to action

1 comentário

  1. Renato Locatelli em 8 de outubro de 2019 às 07:50

    Aqui no norte paranaense em minha cidade nenhum pingo quem plantou semana passada pensando em chuva previsivelmente irá ter que replantar. Hoje amanheceu frio e céu azul.

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