SÉRIE DE REPORTAGENS

Produtores de sementes sofrem danos maiores com o percevejo da soja do que os sojicultores

Praga atrapalha na formação do grão de soja e, se não for controlada em conjunto, pode prejudicar toda a cadeia produtivaVocê tem acompanhado no Qualidade de Grãos o tamanho do problema que o percevejo causa aos produtores de soja. Mas os sementeiros sofrem perdas maiores ainda e a incidência da praga tende a aumentar.

Na Serra da Petrovina, em Mato Grosso, são produzidas mais da metade das sementes de soja plantadas no Estado. A produção de sementes recebe um cuidado especial, principalmente em relação ao controle do percevejo. Para organizar o trabalho, os sementeiros criaram a Associação dos Produtores da Serra da Petrovina e uniram forças para acabar com o inseto.

– Na verdade, o percevejo, por ser uma praga migratória precisa de um controle em conjunto, que é o controle regional. Todos têm que fazer esse controle, porque não adianta eu fazer o controle na minha propriedade e o vizinho não fazer na dele. Esse percevejo vai migrar e vai me trazer problema – comenta o gerente da Fazenda Girassol, Alessandro Dalazén.

A Associação dos Produtores de Sementes do Estado (Aprosmat) também está preocupada com o inseto. O laboratório da Aprosmat faz, em média, 18 mil análises de sementes a cada safra. Os analistas vêm percebendo um aumento preocupante nos danos causados pelos percevejos, especialmente nas cultivares mais tardias.

Quando uma amostra chega ao laboratório, o produtor já descartou 90% das sementes com problemas. O material vem para que seja feito o laudo oficial e para que o sementeiro possa determinar o valor de venda.

– Eu falo que o mercado é soberano. Nenhum produtor vai querer fornecer uma semente de qualidade inferior para depois perder o cliente. Na verdade, ele vem para confirmar se realmente o cultivado dele está em boas condições para ser utilizado no plantio comercial – explica Pierre Patriat, presidente da Aprosmat.

As análises começam pela visualização da aparência externa do grão. Depois, vai para o teste com sal de tetrazólio, que analisa o possível dano do percevejo no interior da semente.

– Ele é considerado um raio-x que a gente consegue fazer dentro da semente de soja. Quando conseguimos visualizar os danos mecânicos, danos por umidade e danos por percevejos, que são danos que causam a redução da qualidade da semente – afirma Valéria Martins, analista de sementes.

Outro teste realizado é o de poder de germinação. Com as sementes já germinadas é que se tem uma ideia de como está o lote, do ponto de vista de estrutura da planta.

O teste de germinação vai avaliar como que estão todas as estruturas necessárias para gerar uma planta no campo. Visualizam sementes anormais e nós separamos as sementes mortas, duras e dormentes – diz a analista de sementes Ana Aurélia Dias de Oliveira.

Enquanto a solução não chega, a Fundação MT está testando uma espécie de armadilha com feromônios para controlar a presença do percevejo marrom nas plantações. O estudo é uma parceria com a Embrapa e consegue um monitoramento mais fiel à realidade do talhão.

– Há três anos que a gente está com essas armadilhas no campo e observando como é a captura. Se chegou à media equivalente aos dois percevejos por metro, no caso do grão iniciar e realizar o controle sem danos – explica a pesquisadora da Fundação MT Lúcia Vivan.

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