ESPECIAL COPA 2018

Produtor de peixes e tâmaras, Marrocos volta à Copa após 20 anos

Última participação dos Leões do Atlas, como é conhecida a seleção marroquina, foi no mundial de 1998, na França; país do norte da África tem metade da população vivendo no campo

Fonte: Pixabay

O Reino do Marrocos é um dos países com economia mais forte do norte da África. Em 2017, apresentou um PIB de US$ 110,7 bilhões, correspondente a uma renda per capita de US$ 8.600. A economia local se baseia intensamente no turismo e na mineração de fosfato, mas os marroquinos são muito dependentes do setor agropecuário: metade da população vive e trabalha no campo. Além disso, o Marrocos concentra suas vendas ao exterior em produtos primários, como pescados e tâmaras, além de fosfatos e têxteis.

Nos últimos anos, o país vem enfrentando grandes reformas políticas. Uma das mudanças foi a instalação de um novo sistema econômico que levou muitas empresas estatais a serem privatizadas, liberalizando muitos setores, inclusive o agronegócio. Em 2009, o país enfrentou bem a crise econômica mundial, conseguindo crescer graças ao protecionismo no sistema bancário e aos bons resultados no setor agrícola. 

Há diversos cursos d’água no Marrocos, mas, conforme a estação do ano, a quantidade de água varia brutalmente. Os verões são secos e quentes, fazendo com que os rios sequem e prejudicando o pequeno produtor. O inverno é rigoroso e chuvoso, e os rios chegam a congelar em algumas regiões. 

O sul do país é a região onde as temperaturas são mais altas. Parte da área é tomada pelo deserto do Saara, mas há também oásis, onde são encontradas cerca de 25 espécies de palmeiras. A mais comum é a tamareira, que ocupa cerca de 80 mil hectares. 

A região de Suz, que sempre foi conhecida como uma das áreas mais férteis do país, em anos recentes vem sofrendo com a escassez de água. Muitos poços antigos secaram, em razão do excesso de bombeamento para uso em estufas e agricultura em maior escala. Para contornar o problema, os marroquinos têm lançado mão do sistema de irrigação por gotejamento, que têm maior eficiência.
 
A pesca é uma atividade econômica importante no Marrocos, e gera milhares de empregos. Por ano, são pescadas mais de 300 mil toneladas de peixes. Espanha, Japão e Rússia podem pescar em águas marroquinas, porém com uma condição: executar programas de expansão de suas indústria pesqueiras no Marrocos. Além de ser uma das praias mais belas do país, Agadir é também um das regiões onde há a maior concentração de sardinhas do mundo.  

Outra atração turística do Marrocos que tem um “pé” na produção agrícola – ainda que não legalizada – são as montanhas do Rife, no norte do território. Além de sua beleza natural, a região é conhecida por ser uma extensa área de produção de maconha e de haxixe, droga feita com a resina obtida da mesma planta. Calcula-se que 80% do haxixe que circula na Europa é de origem marroquina. O país está discutindo uma proposta de lei para a legalização e a taxação do cultivo da erva.
 
O Mercosul é o principal parceiro comercial do Marrocos na América Latina, e os produtos vinculados ao setor agrícola respondem pelas principais transações entre ambos. O principal produto que o Marrocos exporta para o Brasil são os fertilizantes. No ano passado, 20% do adubo comprado no exterior veio de lá, em operações que somaram cerca de US$ 500 milhões. Em contrapartida, os marroquinos são responsáveis por quase 5% das vendas internacionais de açúcar bruto do Brasil, que renderam US$ 444 milhões em 2017.

No futebol

O futebol é o esporte mais popular do Marrocos e os jogadores da seleção nacional, chamados de Leões do Atlas, são venerados por lá. Por conta disso, o país já tentou sediar a Copa do Mundo por cinco vezes e é novamente candidato para receber os jogos em 2026. 


Apesar de o futebol ser o principal esporte do país, a seleção marroquina não tem muita tradição em Copas do Mundo

Mesmo com essa paixão pelo esporte, a seleção marroquina não participa de uma copa há 20 anos. Durante as últimas eliminatórias, por pouco o Marrocos não perdeu a chance de ir para a Rússia.

As maiores conquistas da seleção marroquina são a Copa das Nações Africanas, em 1976, e a Copa das Nações Árabes, em 2012. Hoje, o time é comandado pelo ex-jogador francês Hervé Renard.

O Marrocos está no grupo B e estreia na Copa do Mundo 2018 no dia 15 de junho, em jogo contra o Irã.

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