HORA DA REDENÇÃO

‘Inventores’ da batata, peruanos protagonizaram vexames em Copas

Primeiro jogador expulso na história do torneio é peruano; derrota de 6 a 0 para a Argentina fez a seleção ser recebida com chuva de moedas na capital Lima

Fonte: Pixabay

Quando o assunto é agricultura e comida boa, o mundo inteiro tem uma dívida eterna com o Peru. Foi ali que, em um passado distante, os incas desenvolveram o cultivo da batata. Os colonizadores espanhóis adoraram a iguaria e a levaram para a Europa no século 16. Cinco séculos depois, é difícil encontrar, em uma lanchonete fast food ou restaurante estrelado, alguém que dispense a companhia desse tubérculo preparado das mais variadas formas.

Para não deixar esquecida essa ligação entre a batata e o país, em 2002 foi criado o Parque de la Papa (batata em espanhol). Localizado nos Andes em altitudes que alcançam 4.500 metros acima do nível do mar, o parque ocupa cerca de 22 mil hectares. Ali, uma população de cerca de 6.000 indígenas cultivam 1.400 variedades diferentes de batata.

Apesar da fama de “criador” original da planta, a batata está longe de ser o produto que lidera a pauta de exportações do país. Até porque a população é grande apreciadora das “papas” e dá conta de consumir a maior parte do que o país produz. O Peru é o segundo maior produtor mundial de prata e cobre. E é vendendo minerais e metais que o país recheia mais consistentemente seus cofres.

No agronegócio, o Peru se destaca na produção pesqueira. O país só perde para a China nesse quesito, mas supera inclusive os chineses como maior produtor e exportador mundial de farinha e óleo de peixe. Não é à toa que o maior trunfo da culinária peruana, o ceviche, tenha como principal ingrediente os pescados.

Além da batata, o país entra no mapa agrícola como produtor de alcachofra, cana-de-açúcar, manga, tomate, café, pimentão, banana, laranja, abacaxi e aspargos. O país importa arroz, milho, soja e trigo. O Brasil é um dos vendedores desses produtos.

Parceria com o Brasil

As relações entre os países começaram a se estreitar em 1826, quando o Peru era governado por Simón Bolívar (sim, ele mesmo!), que designou José Domingos Cáceres como seu primeiro encarregado de negócios no Rio de Janeiro. Quatro décadas depois, a coisa desandou. O Brasil rompeu relações diplomáticas com o Peru, por conta do apoio peruano ao Paraguai durante a Guerra da Tríplice Aliança.

Como bons irmãos, os países não aguentaram passar muito tempo separados e, dois anos depois, as relações diplomáticas foram restabelecidas. Apesar de uma história conjunta prestes a completar dois séculos, levou muito tempo até que um presidente brasileiro aterrissasse em Lima. Foi só em 1981 que o último presidente da ditadura militar, João Figueiredo, fez uma visita oficial ao país.

De lá para cá, as relações só estreitaram. O movimento mais recente nesse sentido se deu em 2016, quando o Senado Federal do Brasil aprovou um acordo de ampliação econômico-comercial firmado pelos governos do dois países. O documento estabelece liberalização de serviços, abertura dos mercados de compras públicas e inclui um capítulo de investimentos. Nunca estivemos tão próximos.

Menor público da história

A história do Peru na Copa do Mundo começa em 1930, quando o país participou do primeiro torneio, no Uruguai. A participação peruana foi marcada pelo jogo em que enfrentou a Romênia. O Peru perdeu por 3 a 1, a plateia foi de cerca de 300 pessoas (menor público em todas as Copas), rolou uma briga e o peruano Plácido Galindo tornou-se o primeiro jogador expulso na história do torneio.

O Peru teve de esperar por 40 anos para sentir de novo a emoção de participar de uma Copa. No México, em 1970, os peruanos deram o azar de enfrentar o Brasil nas quartas de final. Perderam por 4 a 2 e foram eliminados.


Seleção peruana durante partida válida pelas eliminatórias para a Copa do Mundo

Oito anos depois, o Peru conseguiu se classificar para a Copa da Argentina e cruzou com o Brasil em duas situações. Na primeira, o jogo entre as duas seleções terminou com a vitória brasileira por 3 a 0. O Brasil acabou desclassificado da competição por conta da derrota peruana para a Argentina por 6 a 0. O rumor da época é que os descendentes dos incas tinham entregado o jogo. Acreditando nisso, parte dos peruanos recebeu a seleção com uma chuva de moedas em Lima.

Na quarta e última participação em Copas, o Peru foi desclassificado na fase de grupos. Empatou com Camarões e Itália, mas foi massacrado pela Polônia: 5 a 1.

A classificação peruana para a Copa da Rússia foi das mais emocionantes. Quinto colocado nas eliminatórias sul-americanas, o país disputou a repescagem contra a Nova Zelândia. Após vencer por 2 a 0, muitos jogadores choraram em campo.


Torcedores peruanos apoiando o time que voltou a se classificar para um mundial

Algumas das estrelas peruanas são bem conhecidas do torcedor brasileiro. A mais famosa delas infelizmente não irá à Copa. Pego em um exame antidoping, o atacante do Flamengo Paolo Guerrero recebeu uma pena de 14 meses de suspensão e só volta a jogar no ano que vem. Outro jogador bastante famoso no Brasil é o meia Cueva, que atualmente defende o São Paulo. Inconstante nos jogos pelo clube paulista, ele costuma ter desempenho bem melhor quando defende a sua seleção.

Um jogador para ficar de olho durante o Mundial é o meia Jefferson Farfán. Ele traz a dose de experiência de que todo selecionado precisa. E vai ajudar muito na ambientação do time, pois atualmente ele defende o Lokomotiv Moscou. Antes, passou pelo alemão Schalke 04, pelo holandês PSV Eindhoven e pelo peruano Alianza Lima.


 O meia da seleção do Peru Jefferson Farfán 

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