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SUA HISTÓRIA

‘O granizo me tirou do campo, mas vou voltar’

Uma chuva destruiu a lavoura do produtor Donizetti Pedroso em 1988. Sem alternativas, trocou a vida no campo pela área urbana, mas sonha em voltar e implantar um projeto silvopastoril 

21 de abril de 2018 às 11h08
Por José Florentino, de São Paulo (SP)

Fonte: Donizetti Pedroso/arquivo pessoal

Faltavam cerca de 40 dias para a colheita ter início quando uma chuva de granizo muito forte destruiu toda a lavoura de Donizetti Pedroso, em Capão Bonito, no sudoeste de São Paulo. O ano? 1988. Depois de três ciclos complicados — marcados por secas, ataques de pragas e remunerações baixas —, o temporal deixou para trás apenas uma dura opção: parar.

“Com as dificuldades que surgiram com o tempo, acabei me afastando”

Há três gerações, a família se dedicava ao plantio de tomates e também produzia um pouco de milho e feijão. Com apoio de meeiros, que são agricultores que produzem na terra de outros, o pai e o tio de Donizetti chegaram a 500 mil pés. Ele conta que, como a cultura demandava uma área pequena, eles eram fortes produtores. “Nós entrávamos com a terra e os insumos, e eles, com a mão de obra na produção e na colheita. No final da safra, dividíamos o lucro meio a meio”, explica.

Foto: arquivo pessoal

Família Pedroso: Donizetti é o segundo da esquerda para direita

No entanto, Donizetti, que era o mais velho de cinco irmãos (três homens e duas mulheres), precisou tomar a decisão de parar. No fim, apenas os dois outros irmãos homens ficaram na roça. As mulheres seguiram para a região urbana e se tornaram professoras da rede pública.

“A ideia era ser uma pausa temporária, mas com as dificuldades que surgiram com o tempo para os pequenos produtores, acabei me afastando. Já faz um tempinho, mas estou sempre em contato com eles”, afirma. Sobre os pais, Donizetti conta que eles também praticamente pararam e produzem apenas o suficiente para subsistência.

“A única coisa que meu pai fez foi vender os tratores e o equipamento de irrigação”

Foto: arquivo pessoal

Hoje, aos 52 anos, enquanto relembra o acontecimento, demonstra confiança ao dizer que foi uma escolha acertada. “Foi de comum acordo e entendimento. Naquela época, meus avós eram vivos e também apoiaram a iniciativa. Eu não me arrependo. Você trabalhou durante anos e anos, mais de duas décadas, para conseguir um patrimônio, e ele não foi perdido. A única coisa que meu pai fez foi vender os tratores e o equipamento de irrigação”, diz.

Ciente de que o seguro cobriria os gastos da safra perdida, Donizetti foi para a área urbana de Capão Bonito, onde começou a trabalhar em uma loja de produtos agrícolas. Ele que, mesmo ajudando os pais na lida desde os 10 anos, nunca deixou de estudar, decidiu se tornar contador. Formou-se como técnico e, posteriormente, como bacharel. Após a gradução, ele se mudou para a capital de São Paulo.

O desejo de voltar ao campo permanece com Donizetti, que se diz bastante interessado em sistemas silvipastoris. “Há 30 anos, a gente não imaginava que isso fosse ser possível”. O que falta agora, segundo ele, é só o capital para investimento.

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‘O granizo me tirou do campo, mas vou voltar’

Uma chuva destruiu a lavoura do produtor Donizetti Pedroso em 1988. Sem alternativas, trocou a vida no campo pela área urbana, mas sonha em voltar e implantar um projeto silvopastoril 

21 de abril de 2018 às 11h08
Por José Florentino, de São Paulo (SP)

Fonte: Donizetti Pedroso/arquivo pessoal

Faltavam cerca de 40 dias para a colheita ter início quando uma chuva de granizo muito forte destruiu toda a lavoura de Donizetti Pedroso, em Capão Bonito, no sudoeste de São Paulo. O ano? 1988. Depois de três ciclos complicados — marcados por secas, ataques de pragas e remunerações baixas —, o temporal deixou para trás apenas uma dura opção: parar.

“Com as dificuldades que surgiram com o tempo, acabei me afastando”

Há três gerações, a família se dedicava ao plantio de tomates e também produzia um pouco de milho e feijão. Com apoio de meeiros, que são agricultores que produzem na terra de outros, o pai e o tio de Donizetti chegaram a 500 mil pés. Ele conta que, como a cultura demandava uma área pequena, eles eram fortes produtores. “Nós entrávamos com a terra e os insumos, e eles, com a mão de obra na produção e na colheita. No final da safra, dividíamos o lucro meio a meio”, explica.

Foto: arquivo pessoal

Família Pedroso: Donizetti é o segundo da esquerda para direita

No entanto, Donizetti, que era o mais velho de cinco irmãos (três homens e duas mulheres), precisou tomar a decisão de parar. No fim, apenas os dois outros irmãos homens ficaram na roça. As mulheres seguiram para a região urbana e se tornaram professoras da rede pública.

“A ideia era ser uma pausa temporária, mas com as dificuldades que surgiram com o tempo para os pequenos produtores, acabei me afastando. Já faz um tempinho, mas estou sempre em contato com eles”, afirma. Sobre os pais, Donizetti conta que eles também praticamente pararam e produzem apenas o suficiente para subsistência.

“A única coisa que meu pai fez foi vender os tratores e o equipamento de irrigação”

Foto: arquivo pessoal

Hoje, aos 52 anos, enquanto relembra o acontecimento, demonstra confiança ao dizer que foi uma escolha acertada. “Foi de comum acordo e entendimento. Naquela época, meus avós eram vivos e também apoiaram a iniciativa. Eu não me arrependo. Você trabalhou durante anos e anos, mais de duas décadas, para conseguir um patrimônio, e ele não foi perdido. A única coisa que meu pai fez foi vender os tratores e o equipamento de irrigação”, diz.

Ciente de que o seguro cobriria os gastos da safra perdida, Donizetti foi para a área urbana de Capão Bonito, onde começou a trabalhar em uma loja de produtos agrícolas. Ele que, mesmo ajudando os pais na lida desde os 10 anos, nunca deixou de estudar, decidiu se tornar contador. Formou-se como técnico e, posteriormente, como bacharel. Após a gradução, ele se mudou para a capital de São Paulo.

O desejo de voltar ao campo permanece com Donizetti, que se diz bastante interessado em sistemas silvipastoris. “Há 30 anos, a gente não imaginava que isso fosse ser possível”. O que falta agora, segundo ele, é só o capital para investimento.

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