SÉRIE DE REPORTAGENS

Falta de chuvas já causa prejuízo aos produtores de soja de Mato Grosso

Praga atrapalha na formação do grão de soja e, se não for controlada em conjunto, pode prejudicar toda a cadeia produtivaA falta de chuva já vem causando prejuízo aos produtores que cultivaram a soja precoce em algumas regiões de Mato Grosso. Os produtores que optaram por sementes tardias ainda não conseguiram fazer o plantio, o que poderá comprometer o calendário de plantio de outras culturas, entre elas o algodão segundo safra. O clima é de muita preocupação entre os produtores.

O produtor Canísio Froilich é um exemplo do problema. Ele vai plantar 55 mil hectares de soja na propriedade localizada em Primavera do Leste (MT). O plantio começou no dia 25 de setembro. O produtor aproveitou a chuva e a boa umidade do solo para semear quatro mil hectares. O problema é que a chuva se foi.

– A chuva nos convidou a plantar, deu algumas chuvas no dia 3 e quatro (de outubro). De lá para cá, são 12 dias sem chuva. O impressionante é que o sol está muito quente e não tem nuvens. O sol chega a dar 40° à tarde, isso faz a terra secar muito rápido – lamenta Froilich.

Em algumas áreas da propriedade, as sementes não chegaram nem a emergir, as que emergiram estão com as folhas murchas. O prejuízo já é dado como certo pelo agricultor.

– Hoje a gente já pode computar os prejuízos, ainda não podemos mensurar o quanto, mas seguramente algo entre15 e 20%. A soja superprecoce, de 90 dias, já tem 15 dias que não consegue desenvolver. Então acaba o ciclo dela e ela não desenvolveu. Isso já é prejuízo certo. E não sabemos quando vai chover – reclama.

Além do problema do desenvolvimento da soja, as altas temperaturas favorecem o ataque de pragas.
No tempo seco, a infestação de lagartas é bem maior do que em tempo chuvoso. Aí temo plantas que tem até duas lagartas por pé, a aplicação é difícil de fazer, só faz na madrugada, porque agosta está muito quente. Nós tentamos passar de madrugada para ver se a gente consegue salvar as plantas – explica o produtor rural de Primavera do Leste.

O sojicultor não comercializou antecipadamente muita coisa. Até o momento, apenas 20% dos contratos foram realizados. O motivo são os preços baixos.

– Com essa soja bem precoce, a intenção era de colher no fim de janeiro, onde o mercado interno ainda fosse possível um preço melhor, porque a indústria brasileira hoje está sem soja. Agora deu essa zebra aí, pode ser que vai entrar colhendo essa soja que vai ser plantada agora apenas no final de janeiro, aí não será mais atrativo – afirma Froilich.

O objetivo de Canísio Froilich era fazer o plantio precoce para não atrasar o cultivo do algodão segunda safra, mas isso acabou acontecendo.

– Como este plantio está 14 dias atrasado, já compromete a cultura do algodão depois. Eu estava até comentando aqui que podemos deixar de plantar alguma área de soja e já plantar diretamente o algodão, mas aí tem outro problema: a semente da soja está comprada, e já está com tratamento de fungicida e inseticida. Daí como que faz? Vai ter que plantar essa semente, aí com certeza terá uma redução na área de algodão depois disso – comenta.

– A janela de plantio ideal é outubro, e as previsões não são nada boas para este mês, isso é uma coisa que não é normal. Nesse 30 anos em que eu estou aqui, aconteceu duas vezes estiagem em outubro, mas nenhuma foi tão intensa como este ano. Estamos há 20 dias sem chover – explica o presidente do Sindicato Rural de Primavera do Leste, José Nardes.

O produtor rural Alisson Castelli vem sofrendo com o clima. Dos 700 hectares que ele pretende plantar em 2014/2015, 130 já estão praticamente perdidos. As sementes cultivadas no dia 2 de outubro não emergiram corretamente.

– Temos que esperar para ver o que vai sobrar, se vai sobrar um estante bom ou não, se vão emergir todas. Já estamos trabalhando com a ideia de fazer o replante, mas vai ser um custo a mais – afirma Castelli.

Cautela é a palavra de ordem para o sojicultor Otávio Nardes, ele vai cultivar 900 hectares de soja e preferiu não arriscar. Ele semeou apenas 290 hectares embaixo do pivô. As plantas estão respondendo muito bem.

– Você olha o tempo que está com essa estiagem que estamos vivendo, aí o pivô muda completamente a planta. Ela mantém o ciclo normal completo dela. Ela consegue desenvolver normalmente, a produtividade não é cheia, mas é dentro da média da região, cerca de 55 sacas por hectare – comenta o produtor rural.

O restante da área de Nardes não é irrigado. Para não correr riscos, o produtor vai esperar pela chuva.

– Hoje, na atual circunstância e no nosso clima, na seca em que estamos enfrentando, eu acho que não convém arriscar. Só há previsão de chuva para o dia 25, então temos mais de 10 dias de estiagem, e você plantar é risco de ter prejuízo. Vamos plantar esses 290 hectares e dar continuidade no plantio quando o clima melhorar – ressalta.

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