ROTAÇÃO

Exemplos de diversificação e intensificação da propriedade

Diversificar aumenta a renda do pecuarista brasileiroDiversificar as atividades na fazenda e aproveitar a mesma área para produzir mais são algumas alternativas encontradas hoje para aumentar a renda do pecuarista brasileiro. Na 16ª reportagem especial da série Rota da Pecuária, a equipe mostra exemplos de diversificação e intensificação da propriedade.

As pastagens no Brasil encolheram nos últimos anos. Segundo levantamento da Scot Consultoria, houve uma redução de 2,4% de 2008 a 2012. Em quatro anos, a área destinada à pecuária caiu de quase 172 milhões de hectares para 167,6 milhões. Boa parte do espaço foi destinada à agricultura. Mas a produção de carne não foi prejudicada: aumentou de 9 milhões de tonelada para 10 milhões em 2012. Isso mostra que o pecuarista brasileiro aprendeu a diversificar a propriedade e produzir mais em menos área.

Na Fazenda Ponte Alta, em Ipameri (GO), a transição começou há três anos. Dos 2,8 mil hectares, 500 já estão tomados por lavouras. O próximo passo agora é confinar o rebanho. E a estrutura para isso já está praticamente pronta para receber mil animais. A intenção é engordar 5 mil cabeças por giro, ou seja, 10 mil a cada ano.

– Como é complicado mexer somente com boi, tentamos consorciar lavoura e pecuária. Para tentar matar a mesma quantidade de gado, só confinado, porque a pasto não há condições – afirma o pecuarista Renato Galvão da Silva, proprietário da fazenda.

Silva é o retrato de muitos pecuaristas no dia de hoje: para não abandonar a pecuária, foi atrás de alternativas.

– A vantagem do confinamento nada mais é do que conseguir abater o mesmo número de animais em uma área menor de pastagem. É possível então ter agricultura, fornecer os insumos da agricultura para o confinamento, e assim continuar com o mesmo número de animais e produzindo a mesma quantidade de carne – afirma Antônio Guimarães, da Scot Consultoria.

Ainda em Ipameri, a Rota da Pecuária visitou a propriedade de José Paim, que usa como alternativas de diversificação a agricultura e a pecuária leiteira. O modelo foi implantado há cinco anos para aumentar a lucratividade da fazenda de 2,4 mil hectares e um rebanho de 3 mil cabeças em sistema de recria e engorda.

– Começamos a trabalhar a produção de grãos – soja e depois milho – para produzir silagem. E pensamos numa atividade que pudesse dar fluxo de caixa mensal ou diário para a propriedade. Nós encontramos no leite uma atividade que pudesse somar à atividade de recria de gado de corte – afirma Paim.

O rebanho leiteiro atual é de 400 animais, com entre 140 e 160 vacas em lactação.

– Com um pequena área hoje de 80 hectares, nós chegamos a produzir 4 mil litros de leite por dia. Queremos, nos mesmo 80 hectares, produzir 5 mil litros, tendo uma rentabilidade média em torno de R$ 3,8 mil por hectare ao ano – diz o proprietário. E a atividade leiteira acaba bancando os custos da pecuária de corte.

Já no município de Diamantino, o quarto maior produtor de grãos de Mato Grosso, com 419 mil hectares de lavouras, visitamos a fazenda São Pedro, de Altemar Kröling. No local, a lavoura e a pecuária são trabalhadas na mesma área há dois anos, principalmente no período de seca, quando é feito o aproveitamento dos resíduos das lavouras de milho e milheto, para a alimentação do rebanho de 600 matrizes.

– Hoje, aproveitamos os 12 meses da lavoura, uma parte com a safra e a safrinha e o restante com a pastagem. No ano passado, com 15 dias que a vacada estava na palhada, já vimos o resultado – diz Kröling.

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