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SITUAÇÃO CAÓTICA

Produtores de MT perdem toneladas de grãos com estradas precárias

Trechos de terra, buracos e pontes caindo aos pedaços na BR-158 e na MT-109 dificultam escoamento da safra mato-grossense pelo Arco Norte

22 de agosto de 2019 às 20h22
Por Pedro Silvestre, de Porto Alegre do Norte (MT)

Cerca de 130 quilômetros da BR-158, que passam por dentro de uma reserva indígena em Mato Grosso, ainda são de terra. De acordo com produtores, a promessa de pavimentação completou 50 anos, mas nunca saiu do papel.

“Carregamos uma carreta com 40 toneladas de grãos. No fim, uma tonelada fica na entrada, porque os caminhos balançam de um lado para o outro, isso quando não tombam”, conta o presidente do Sindicato Rural de Vila Rica (MT), Anísio Junqueira Neto.

O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, afirma que a situação é um contrassenso. “Essa estrada existe há décadas, antes mesmo da existência da reserva. Temos dezenas de terras indígenas cortadas por asfalto e isso não trouxe nenhum problema a essas comunidades”, defende.

Fernando Tulha Filho preside o Sindicato Rural de São José do Xingu e afirma que há uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que estradas que cortam terras indígenas pertencem à federação. “Ela tem autonomia de fazer o que bem entender, seja asfaltamento ou reforma”, frisa.

A BR-158 é considerado o principal eixo de escoamento da produção do nordeste mato-grossense para os portos do Arco Norte do país. “Se pegar no auge de safra, são até 1.500 caminhões, carretas e bi-trens por dia. É um volume absurdo de cargas transitando em uma estrada como essa”, diz Tulha Filho.

A equipe do Canal Rural percorreu o trajeto de chão entre o povoado de Alô Brasil e Porto Alegre do Norte, passando pela reserva xavante Marãiwatsédé. Pelo trajeto, não faltam buracos e pontes antigas de madeira em situação precária. “A gente veio fazer uma melhora em uma delas, mas está bem feio”, conta o motorista da empresa responsável pela manutenção do trecho, Roni Rocha.

Na esperança de que as obras na rodovia fossem concluídas no curto prazo, o empresário Hernando Cardoso abriu uma esmagadora de soja, com capacidade para moer mais de 165 mil sacas por mês, e comprou 12 caminhões para montar a própria frota. Infelizmente, os planos foram frustrados e os custos aumentaram. “Nosso gasto extra com transporte é de cerca de R$ 1,50 por saca, o que dá R$ 250 mil ao mês ou R$ 3 milhões ao ano”, relata.

Após mais de um mês interditada para reparos, uma das pontes da MT-109 foi liberada. A manutenção da estrada, que corta o município de Canabrava do Norte e fica bastante movimentada durante a safra, só foi possível graças a uma parceria entre a prefeitura e agricultores, que ajudaram a custear os R$ 15 mil necessários. “Tenho que fazer isso para gente poder executar os serviços”, conta o prefeito João Araújo de Medeiros.

Segundo o presidente do sindicato rural do município, Alessandro Pires, a agricultura vem ocupando as áreas de pastagens degradadas formadas muitas décadas atrás e requer uma logística compatível com a atividade. “A parte do produtor vem sendo feita, que é produzir; a do governo, não”, finaliza.

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Produtores de MT perdem toneladas de grãos com estradas precárias

Trechos de terra, buracos e pontes caindo aos pedaços na BR-158 e na MT-109 dificultam escoamento da safra mato-grossense pelo Arco Norte

22 de agosto de 2019 às 20h22
Por Pedro Silvestre, de Porto Alegre do Norte (MT)

Cerca de 130 quilômetros da BR-158, que passam por dentro de uma reserva indígena em Mato Grosso, ainda são de terra. De acordo com produtores, a promessa de pavimentação completou 50 anos, mas nunca saiu do papel.

“Carregamos uma carreta com 40 toneladas de grãos. No fim, uma tonelada fica na entrada, porque os caminhos balançam de um lado para o outro, isso quando não tombam”, conta o presidente do Sindicato Rural de Vila Rica (MT), Anísio Junqueira Neto.

O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, afirma que a situação é um contrassenso. “Essa estrada existe há décadas, antes mesmo da existência da reserva. Temos dezenas de terras indígenas cortadas por asfalto e isso não trouxe nenhum problema a essas comunidades”, defende.

Fernando Tulha Filho preside o Sindicato Rural de São José do Xingu e afirma que há uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que estradas que cortam terras indígenas pertencem à federação. “Ela tem autonomia de fazer o que bem entender, seja asfaltamento ou reforma”, frisa.

A BR-158 é considerado o principal eixo de escoamento da produção do nordeste mato-grossense para os portos do Arco Norte do país. “Se pegar no auge de safra, são até 1.500 caminhões, carretas e bi-trens por dia. É um volume absurdo de cargas transitando em uma estrada como essa”, diz Tulha Filho.

A equipe do Canal Rural percorreu o trajeto de chão entre o povoado de Alô Brasil e Porto Alegre do Norte, passando pela reserva xavante Marãiwatsédé. Pelo trajeto, não faltam buracos e pontes antigas de madeira em situação precária. “A gente veio fazer uma melhora em uma delas, mas está bem feio”, conta o motorista da empresa responsável pela manutenção do trecho, Roni Rocha.

Na esperança de que as obras na rodovia fossem concluídas no curto prazo, o empresário Hernando Cardoso abriu uma esmagadora de soja, com capacidade para moer mais de 165 mil sacas por mês, e comprou 12 caminhões para montar a própria frota. Infelizmente, os planos foram frustrados e os custos aumentaram. “Nosso gasto extra com transporte é de cerca de R$ 1,50 por saca, o que dá R$ 250 mil ao mês ou R$ 3 milhões ao ano”, relata.

Após mais de um mês interditada para reparos, uma das pontes da MT-109 foi liberada. A manutenção da estrada, que corta o município de Canabrava do Norte e fica bastante movimentada durante a safra, só foi possível graças a uma parceria entre a prefeitura e agricultores, que ajudaram a custear os R$ 15 mil necessários. “Tenho que fazer isso para gente poder executar os serviços”, conta o prefeito João Araújo de Medeiros.

Segundo o presidente do sindicato rural do município, Alessandro Pires, a agricultura vem ocupando as áreas de pastagens degradadas formadas muitas décadas atrás e requer uma logística compatível com a atividade. “A parte do produtor vem sendo feita, que é produzir; a do governo, não”, finaliza.

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