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ATENÇÃO

MT: queimadas crescem e produtores perdem palhada para a soja

Segundo o tenente-coronel Dércio Santos da Silva, as condições climáticas deste inverno colaboram para o aumento dos focos de incêndio

10 de agosto de 2019 às 11h07
Por Pedro Silvestre, de Campo Verde (MT)

Mato Grosso assumiu o topo do ranking nacional de queimadas em 2019 devido ao tempo seco e quente. De janeiro para cá, foram 10,3 mil casos no estado, aumento de 56% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os produtores rurais também estão tendo prejuízos, já que os incêndios estão queimando inclusive a palhada do milho, que seria usada na soja.

De acordo com Dércio Santos da Silva, tenente-coronel do Corpo de Bombeiros, os boletins meteorológicos já indicavam um inverno mais quente que a média, com ventos fortes e umidade do ar baixa. Além disso, também aumentou a biomassa. “Todos esses fatores juntos propiciam e dão vazão aos focos de calor e aos incêndios florestais em nosso estado”, diz.

queimadas, lavoura de milho

Distância entre lavoura de milho e palhada era menor que cinco metros. Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural

O inverno é, de longe, o período do ano em que os bombeiros mais trabalham. A equipe de Campo Verde (MT), por exemplo, foi acionada para atender uma propriedade rural e evitar que o fogo se espalhasse para outras áreas. “Era uma distância muito curta da palhada até o milho, então tivemos que fazer tudo muito rápido”, relembra o soldado Douglas Rodrigues.

Apesar dos esforços, metade da área com palhada foi destruída pelas chamas. O produtor Ederson Rodrigues dos Santos, vizinho da propriedade, ajudou na operação. Segundo ele, incêndios não são raros na região, e a maioria começa do lado de fora da porteira. “Temos um problema sério porque é beira de rodovia, sempre acontece de pegar fogo e vir para as lavouras”, conta.

Santos conta que isso vai impactar no plantio, já que a matéria orgânica foi quase toda embora. “Prejuízo para o agricultor, que vai ter que investir mais com adubação. Além disso, vai levar mais de três anos para recompor a cobertura que tinha aqui”, ressalta.

A equipe do Centro Integrado Multiagências de Coordenação Operacional (Ciman) iniciou uma força tarefa para controlar o fogo no parque estadual da Serra de Ricardo Franco, em Vila Bela da Santíssima Trindade (MT). A reserva é uma das maiores do estado, com mais de 158,6 mil hectares de fauna e flora.

caminhão de bombeiros

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural

“O que estamos combatendo, agora, é uma causa natural, está tudo pronto para o incêndio acontecer, por causa dos fatores climáticos. Só falta uma fonte de ignição, que geralmente é o homem. Se as pessoas tiverem essa capacidade de atuar preventivamente, a gente pode ter menos danos nesse período”, defende o tenente-coronel.

É importante ressaltar que queimadas rurais ou urbanas sem licenças são consideradas incêndios criminosos e o responsável por ser punido pela Lei de Crimes Ambientais (9.605 de 1998), com pena de um a quatro anos de reclusão.

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MT: queimadas crescem e produtores perdem palhada para a soja

Segundo o tenente-coronel Dércio Santos da Silva, as condições climáticas deste inverno colaboram para o aumento dos focos de incêndio

10 de agosto de 2019 às 11h07
Por Pedro Silvestre, de Campo Verde (MT)

Mato Grosso assumiu o topo do ranking nacional de queimadas em 2019 devido ao tempo seco e quente. De janeiro para cá, foram 10,3 mil casos no estado, aumento de 56% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os produtores rurais também estão tendo prejuízos, já que os incêndios estão queimando inclusive a palhada do milho, que seria usada na soja.

De acordo com Dércio Santos da Silva, tenente-coronel do Corpo de Bombeiros, os boletins meteorológicos já indicavam um inverno mais quente que a média, com ventos fortes e umidade do ar baixa. Além disso, também aumentou a biomassa. “Todos esses fatores juntos propiciam e dão vazão aos focos de calor e aos incêndios florestais em nosso estado”, diz.

queimadas, lavoura de milho

Distância entre lavoura de milho e palhada era menor que cinco metros. Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural

O inverno é, de longe, o período do ano em que os bombeiros mais trabalham. A equipe de Campo Verde (MT), por exemplo, foi acionada para atender uma propriedade rural e evitar que o fogo se espalhasse para outras áreas. “Era uma distância muito curta da palhada até o milho, então tivemos que fazer tudo muito rápido”, relembra o soldado Douglas Rodrigues.

Apesar dos esforços, metade da área com palhada foi destruída pelas chamas. O produtor Ederson Rodrigues dos Santos, vizinho da propriedade, ajudou na operação. Segundo ele, incêndios não são raros na região, e a maioria começa do lado de fora da porteira. “Temos um problema sério porque é beira de rodovia, sempre acontece de pegar fogo e vir para as lavouras”, conta.

Santos conta que isso vai impactar no plantio, já que a matéria orgânica foi quase toda embora. “Prejuízo para o agricultor, que vai ter que investir mais com adubação. Além disso, vai levar mais de três anos para recompor a cobertura que tinha aqui”, ressalta.

A equipe do Centro Integrado Multiagências de Coordenação Operacional (Ciman) iniciou uma força tarefa para controlar o fogo no parque estadual da Serra de Ricardo Franco, em Vila Bela da Santíssima Trindade (MT). A reserva é uma das maiores do estado, com mais de 158,6 mil hectares de fauna e flora.

caminhão de bombeiros

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural

“O que estamos combatendo, agora, é uma causa natural, está tudo pronto para o incêndio acontecer, por causa dos fatores climáticos. Só falta uma fonte de ignição, que geralmente é o homem. Se as pessoas tiverem essa capacidade de atuar preventivamente, a gente pode ter menos danos nesse período”, defende o tenente-coronel.

É importante ressaltar que queimadas rurais ou urbanas sem licenças são consideradas incêndios criminosos e o responsável por ser punido pela Lei de Crimes Ambientais (9.605 de 1998), com pena de um a quatro anos de reclusão.

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