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Censo Agropecuário: número de granjas de suínos cai, mas abates aumentam

Resultado é atribuído pela Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) ao aumento de demanda pelo produto e a investimento dos produtores em tecnologia

suínos
Foto: Thiago Gomes/Susipe

Setores de criação avaliam que o número de abates clandestinos de suínos diminuiu no Brasil. O dado não foi levantado oficialmente, mas é estimado com base no Censo Agropecuário 2017. A pesquisa mostrou diminuição de propriedades destinadas à suinocultura, ao mesmo tempo em que o abate de suínos cresceu.

Em 2006, o número de suínos no país foi pouco maior do que 31 milhões de cabeças. Onze anos depois, o rebanho cresceu 25% e superou 39 milhões de animais. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) atribui a evolução ao aumento de demanda pelo produto e investimento dos produtores em tecnologia.

“Com incremento tecnológico, o suíno fica mais barato e os custos de produção ficam mais baixos. O produtor tem que ganhar em escala. É uma tendência que ocorre em todas as cadeias e o que a gente vê nesses números”, afirma Victor Ayres, assessor técnico da entidade.

A propriedade em que Marco Aurélio de Sousa atua como gerente de produção, no Distrito Federal, é exemplo de aumento em produtividade. Os porcos são mantidos na granja em comunidade, para que o instinto dos animais sejam preservados. Na alimentação e água, chips instalados nas orelhas garantem que cada animal vai comer o necessário para o crescimento.

De acordo com Sousa, isso confere maior conforto ao plantel. “(Isso) Agrega bastante valor, pois os animais estão num ambiente em que se sentem mais à vontade e isso, com certeza, vai trazer benefício em produtividade”, diz o gerente.

Apesar do aumento de animais produzidos, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que conduz a pesquisa do Censo, constatou nos últimos 11 anos uma diminuição de 25 mil propriedades destinadas à criação de suínos. Na avaliação da CNA, o fenômeno é positivo, pois indica uma queda no número de abates clandestinos para subsistência.

“Ter aquele suíno no fundo de quintal para vender 15 cabeças não é mais tão viável. Querendo ou não, houve esse incentivo, não só em relação à questão da fiscalização e vigilância sanitária nos estados, mas também as empresas quiseram garantir status sanitário”, afirma Victor Ayres, da CNA.

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