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INSÔNIA E PREJUÍZO

Um ano após fechamento de unidade da BRF, avicultores sofrem em MT

Em Campo Verde, produtores integrados não conseguem pagar as contas com as indenizações que recebem do frigorífico

22 de fevereiro de 2019 às 20h10
Por Pedro Silvestre, em Campo Verde (MT)

Foto: Jonas de Oliveira/ANPr

Quase um ano atrás, a BRF anunciou o fechamento da unidade de Campo Verde, no interior mato-grossense. Os avicultores integrados que forneciam para a empresa foram pegos de surpresa. Alexandre Borges relembra a fatídica noite em que o celular vibrou com a chegada do anúncio. “Tinha desinfetado o aviário para alojar, esperando frango, e de repente veio a notícia de que iria fechar. Ficamos sem dormir, pensando no que aconteceria”, conta.

De lá para cá, insônia e preocupação são constantes na vida desses produtores. “Não tenho entrado dentro do meu aviário. O sentimento é tristeza ao vê-lo”, diz Borges.

Para remediar o estrago, em junho de 2018, a BRF propôs um acordo: os produtores receberiam indenizações por seis meses. Mas o ano acabou e o frigorífico procurou a Associação Campo-verdense de Avicultores (Acav) para prorrogar a negociação. A empresa pediu mais 90 dias, mas a entidade recusou e o prazo foi estendido por 75 dias. O dia 28 de fevereiro é a data limite. 

“Nesses dois meses e meio, a BRF nos paga um valor um pouco maior. Até dezembro, ela nos pagava R$ 21 a cada metro quadrado por dia; agora são R$ 25”, afirma o presidente da Acav, Clodoaldo Lima.

Mas o valor é considerado insuficiente para cobrir as despesas. No caso de Borges, o aviário era a única fonte de renda da família e os R$ 1.900 recebidos não cobrem as necessidades. “Prefiro nem pensar muito nisso para não ficar fraco da cabeça, porque tem hora que dá desespero”, confessa o avicultor.

O avicultor Ederson Rodrigues tinha uma renda mensal de R$ 15 mil com a venda das aves antes da paralisação. Para garantir o sustento da família, ele migrou para a atividade leiteira. Porém, o produtor não sabe o que fazer com a estrutura montada para a avicultura. As duas granjas abrigavam mais de 40 mil aves e custaram cerca de R$ 1 milhão. “Foram 12 anos trabalhando para chegar nisso. A hora em que achei que acabaria de pagar o financiamento, aconteceu isso”, lamenta.

De acordo com a Avac, a BRF também se comprometeu em pagar pelos investimentos financiados pelos avicultores. O valor é calculado com base na média dos últimos três lotes entregues.

Só que as contas não são a única preocupação dos avicultores de Campo Verde. “Nós queremos voltar a produzir e ganhar a nossa receita. Nós temos a capacidade de abater cerca de 120 mil frangos pesados por dia. Vários produtores estavam com a cama de frango nova. Os aviários permanecem prontos para alojar, inclusive já passamos por um vazio sanitário acima da média, estamos prontos”, diz o Lima. 

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INSÔNIA E PREJUÍZO

Um ano após fechamento de unidade da BRF, avicultores sofrem em MT

Em Campo Verde, produtores integrados não conseguem pagar as contas com as indenizações que recebem do frigorífico

22 de fevereiro de 2019 às 20h10
Por Pedro Silvestre, em Campo Verde (MT)

Foto: Jonas de Oliveira/ANPr

Quase um ano atrás, a BRF anunciou o fechamento da unidade de Campo Verde, no interior mato-grossense. Os avicultores integrados que forneciam para a empresa foram pegos de surpresa. Alexandre Borges relembra a fatídica noite em que o celular vibrou com a chegada do anúncio. “Tinha desinfetado o aviário para alojar, esperando frango, e de repente veio a notícia de que iria fechar. Ficamos sem dormir, pensando no que aconteceria”, conta.

De lá para cá, insônia e preocupação são constantes na vida desses produtores. “Não tenho entrado dentro do meu aviário. O sentimento é tristeza ao vê-lo”, diz Borges.

Para remediar o estrago, em junho de 2018, a BRF propôs um acordo: os produtores receberiam indenizações por seis meses. Mas o ano acabou e o frigorífico procurou a Associação Campo-verdense de Avicultores (Acav) para prorrogar a negociação. A empresa pediu mais 90 dias, mas a entidade recusou e o prazo foi estendido por 75 dias. O dia 28 de fevereiro é a data limite. 

“Nesses dois meses e meio, a BRF nos paga um valor um pouco maior. Até dezembro, ela nos pagava R$ 21 a cada metro quadrado por dia; agora são R$ 25”, afirma o presidente da Acav, Clodoaldo Lima.

Mas o valor é considerado insuficiente para cobrir as despesas. No caso de Borges, o aviário era a única fonte de renda da família e os R$ 1.900 recebidos não cobrem as necessidades. “Prefiro nem pensar muito nisso para não ficar fraco da cabeça, porque tem hora que dá desespero”, confessa o avicultor.

O avicultor Ederson Rodrigues tinha uma renda mensal de R$ 15 mil com a venda das aves antes da paralisação. Para garantir o sustento da família, ele migrou para a atividade leiteira. Porém, o produtor não sabe o que fazer com a estrutura montada para a avicultura. As duas granjas abrigavam mais de 40 mil aves e custaram cerca de R$ 1 milhão. “Foram 12 anos trabalhando para chegar nisso. A hora em que achei que acabaria de pagar o financiamento, aconteceu isso”, lamenta.

De acordo com a Avac, a BRF também se comprometeu em pagar pelos investimentos financiados pelos avicultores. O valor é calculado com base na média dos últimos três lotes entregues.

Só que as contas não são a única preocupação dos avicultores de Campo Verde. “Nós queremos voltar a produzir e ganhar a nossa receita. Nós temos a capacidade de abater cerca de 120 mil frangos pesados por dia. Vários produtores estavam com a cama de frango nova. Os aviários permanecem prontos para alojar, inclusive já passamos por um vazio sanitário acima da média, estamos prontos”, diz o Lima. 

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