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BAIXA TOXICIDADE

Apesar da polêmica, Brasil nunca registrou contaminações por glifosato

Pesquisa que integra relatório de reavaliação da Anvisa reuniu 22 mil amostras de água de áreas urbanas e rurais; apenas 0,03% tinham resíduos do herbicida

04 de julho de 2019 às 19h48
Por Pablo Valler, de São Paulo
pulverizador, glifosato

Foto: Massey Ferguson

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve recomendar o uso de mais equipamentos de segurança individual (EPI) para o manuseio de agroquímico devido à polêmica envolvendo o glifosato.

O problema começou nos Estados Unidos. Depois de mais de 8.000 processos acusando o herbicida de ser cancerígeno, um casal venceu na Justiça, em primeira instância. A indenização estipulada pela Corte é de R$ 2 bilhões.

No Brasil, o glifosato é o herbicida mais consumido. São mais de 170 mil toneladas por ano, quase o dobro do segundo colocado. Mas, apesar da quantidade, ele é o único produto sem registros de contaminação no país.

De acordo com a doutora em agronomia Dana Meschede, que estuda o tema há 12 anos e já escreveu três livros, seria difícil isso acontecer. “Quando falamos de células, o maior problema seria o glifosato ficar preso às nossas gorduras, o que poderia gerar alterações, mas já foi comprovado que ele é rapidamente liberado no nosso corpo, pela urina, por exemplo”, conta.

A especialista destaca que para se intoxicar com o herbicida, seria necessário beber cinco litros. “Se você tomar cinco litros de água com sal, também vai se intoxicar. Existem outros químicos por aí que se você tomar uma colher, morre intoxicado. São graus diferentes, e o glifosato tem uma toxicidade menor”, defende.

Não se sabe o motivo de, mesmo com centenas de estudos apontando que o produto não faz mal à saúde, a Justiça americana ter ido contra a indústria.

Por sua vez, o fato do Brasil entrar na polêmica já era esperado, e pode acontecer outras vezes, afirma o chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo Morandi. “Sempre que houver uma novidade, um avanço científico, esse produto precisa ser reavaliado. O glifosato passou por isso na Europa e nos Estados Unidos; em ambos, foi liberado. Agora está acontecendo aqui, com a Anvisa”, ameniza.

A reavaliação é organizada por 19 técnicos. Além dos estudos próprios, eles incluíram outras centenas de pesquisas do Canadá, Estados Unidos e Europa. O relatório tem mais de 400 páginas, que estão disponíveis para consulta no site da agência. Em uma delas, constam 22,7 mil amostras de água dos meios rural e urbano, de onde vem a maioria das reclamações. Somente 0,03% delas têm resíduos de glifosato.

4 comentários

  1. Luiz da Mata em 5 de julho de 2019 às 12:23

    O modelo de negócio precisa do glifosato. Acontece que não há garantia de que as pesquisas possam estar enganadas. Há um claro quadro de risco para toda cadeia do agronegócio se não forem tomadas medidas urgentes de controle no uso. Toda a propaganda do governo hoje trabalha contra isso.
    Parece a indústria do tabaco dizendo que o fumo não causa câncer.

  2. Eduardo M Silva em 8 de julho de 2019 às 08:03

    A questão não está na procura do rato, glifosato, e sim nos seus efeitos e seus resíduos. Outra coisa é onde o rato, glifosato, está, quem o procura no local errado e no tempo errado, nunca o encontra. Mas que o rato afeta populações e comunidades biológicas, as evidências estão aí, e não será uma instituição como a Anvisa que mudará o curso da ciência.

  3. Ricardo Coelho em 8 de julho de 2019 às 20:05

    Concordo com a Dr e agrónoma Dana Meschede .pois a anos atrás meu avô mexia o herbicida com a mão, fato . nunca teve problemas com intoxicação.
    Jamais fiz isto estamos em outro século temos epi e uma cultura mais cuidadosa.

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BAIXA TOXICIDADE

Apesar da polêmica, Brasil nunca registrou contaminações por glifosato

Pesquisa que integra relatório de reavaliação da Anvisa reuniu 22 mil amostras de água de áreas urbanas e rurais; apenas 0,03% tinham resíduos do herbicida

04 de julho de 2019 às 19h48
Por Pablo Valler, de São Paulo
pulverizador, glifosato

Foto: Massey Ferguson

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve recomendar o uso de mais equipamentos de segurança individual (EPI) para o manuseio de agroquímico devido à polêmica envolvendo o glifosato.

O problema começou nos Estados Unidos. Depois de mais de 8.000 processos acusando o herbicida de ser cancerígeno, um casal venceu na Justiça, em primeira instância. A indenização estipulada pela Corte é de R$ 2 bilhões.

No Brasil, o glifosato é o herbicida mais consumido. São mais de 170 mil toneladas por ano, quase o dobro do segundo colocado. Mas, apesar da quantidade, ele é o único produto sem registros de contaminação no país.

De acordo com a doutora em agronomia Dana Meschede, que estuda o tema há 12 anos e já escreveu três livros, seria difícil isso acontecer. “Quando falamos de células, o maior problema seria o glifosato ficar preso às nossas gorduras, o que poderia gerar alterações, mas já foi comprovado que ele é rapidamente liberado no nosso corpo, pela urina, por exemplo”, conta.

A especialista destaca que para se intoxicar com o herbicida, seria necessário beber cinco litros. “Se você tomar cinco litros de água com sal, também vai se intoxicar. Existem outros químicos por aí que se você tomar uma colher, morre intoxicado. São graus diferentes, e o glifosato tem uma toxicidade menor”, defende.

Não se sabe o motivo de, mesmo com centenas de estudos apontando que o produto não faz mal à saúde, a Justiça americana ter ido contra a indústria.

Por sua vez, o fato do Brasil entrar na polêmica já era esperado, e pode acontecer outras vezes, afirma o chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo Morandi. “Sempre que houver uma novidade, um avanço científico, esse produto precisa ser reavaliado. O glifosato passou por isso na Europa e nos Estados Unidos; em ambos, foi liberado. Agora está acontecendo aqui, com a Anvisa”, ameniza.

A reavaliação é organizada por 19 técnicos. Além dos estudos próprios, eles incluíram outras centenas de pesquisas do Canadá, Estados Unidos e Europa. O relatório tem mais de 400 páginas, que estão disponíveis para consulta no site da agência. Em uma delas, constam 22,7 mil amostras de água dos meios rural e urbano, de onde vem a maioria das reclamações. Somente 0,03% delas têm resíduos de glifosato.

4 comentários

  1. Luiz da Mata em 5 de julho de 2019 às 12:23

    O modelo de negócio precisa do glifosato. Acontece que não há garantia de que as pesquisas possam estar enganadas. Há um claro quadro de risco para toda cadeia do agronegócio se não forem tomadas medidas urgentes de controle no uso. Toda a propaganda do governo hoje trabalha contra isso.
    Parece a indústria do tabaco dizendo que o fumo não causa câncer.

  2. Eduardo M Silva em 8 de julho de 2019 às 08:03

    A questão não está na procura do rato, glifosato, e sim nos seus efeitos e seus resíduos. Outra coisa é onde o rato, glifosato, está, quem o procura no local errado e no tempo errado, nunca o encontra. Mas que o rato afeta populações e comunidades biológicas, as evidências estão aí, e não será uma instituição como a Anvisa que mudará o curso da ciência.

  3. Ricardo Coelho em 8 de julho de 2019 às 20:05

    Concordo com a Dr e agrónoma Dana Meschede .pois a anos atrás meu avô mexia o herbicida com a mão, fato . nunca teve problemas com intoxicação.
    Jamais fiz isto estamos em outro século temos epi e uma cultura mais cuidadosa.

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