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DIRETO AO PONTO

Novo modelo de rotulagem nutricional deve ajudar na escolha dos alimentos

Anvisa tem proposta com rotulagem frontal da embalagem e  indústria sugere alternativa no estilo “semáforo” ao lado dos nutrientes

27 de outubro de 2019 às 20h30
Por Laila Sousa, de Brasília

O novo modelo de rotulagem nutricional para alimentos embalados é o tema do programa Direto ao Ponto deste domingo, 27, que convidou o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), João Dornellas, e o diretor da Viva Lácteos, Marcelo Martins para esclarecer os detalhes das propostas em debate. O foco é definir qual a melhor forma de dispor as informações para efetivamente auxiliar o consumidor a escolher melhor os alimentos que leva para casa.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) colocou em consulta pública um novo modelo de rotulagem nutricional nos produtos embalados. Até o dia 6 de novembro, o consumidor brasileiro poderá fazer sugestões ao novo regulamento que pretende uma rotulagem frontal na embalagem. A ideia da agência é indicar uma lupa quando o alimento apresentar alto teor de açúcar, sódio ou gordura saturada. Substâncias que estão relacionadas com as principais doenças crônicas, como doenças cardiovasculares, diabetes e hipertensão. A norma propõe ainda padronizar as porções especificadas no rótulo das embalagens informações sobre as quantidades dos ingredientes, que seriam estabelecidos em 100 g ou 100 ml.

Outras duas formas de rotulagem são defendidas pela indústria e por entidades de defesa do consumidor. A que tem apoio do IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), é o modelo de alerta com triângulos pretos na parte frontal de embalagem quando houver alto teor de açúcar, gordura ou sódio. Já o formato de “semáforo” é a aposta da Rede Rotulagem, que engloba 20 entidades ligadas à indústria de alimentos, com a disposição das cores, verde, amarelo e vermelho, conforme o teor dos nutrientes presentes na tabela nutricional que já existe.

Segundo o representante da Viva Lácteos, a importância de se defender o modelo de semáforo, primeiro é que as luzes verde, amarelo e vermelho permitem a qualquer consumidor identificação se há baixo, médio ou alto teor em relação aquele nutriente. “Ela vem com o percentual de valor diário, ou seja, ela permite ao consumidor a identificação de quantos por cento dentro da cesta de alimentação dele diária, considerando duas mil calorias, quanto que aquele alimento vai compor do total da alimentação que ele vai consumir por dia”. Para ele, a questão da educação é fundamental, além da rotulagem para se criar na população hábitos mais alimentares saudáveis.

O presidente da ABIA concorda com a posição de Martins. “Primeiro, a reformulação dos produtos industrializados, segundo a educação nutricional e o terceiro é o incentivo a prática esportiva. Com a indústria ficou a reformulação dos produtos industrializados e a educação e o incentivo, o Ministério da Saúde já vem fazendo”, afirmou.

A ABIA avaliou a percepção dos consumidores relação ao modelo de rotulagem. Uma pesquisa feita pelo Ibope revelou que o padrão “semáforo” é o mais aprovado pelos consumidores. Dos quase três mil entrevistados, de norte a sul do país, 70% deles acreditam que o modelo de cores é o mais adequado e cumpre os requisitos para facilitar nas escolhas dos alimentos mais saudáveis. O estudo revelou ainda que quase 80% das pessoas têm hábito de checar as informações da embalagem, mas que nem todos entendem o que diz o conteúdo das embalagens. “É por isso a gente defende o modelo informativo, ele dá condição ao consumidor de tomar a melhor decisão baseado no seu estilo de vida, baseado no estilo de vida da sua família”, esclareceu Dornellas.

Estilo de vida

João Dornellas explicou que o Brasil foi um dos primeiros países no mundo a instituir a tabela nutricional nos alimentos, trazendo informações sobre a quantidade de gordura, de açúcares e de outros nutrientes. E afirmou que hoje o consumidor é muito mais conectado e tem buscado se informar melhor para ter uma alimentação de qualidade. Dornellas defendeu o novo modelo de rotulagem nutricional nos produtos embalados de maneira que o consumidor tenha a melhor informação possível para que ele tome uma decisão de acordo com o seu estilo de vida e o de sua família.

Ele alertou que os três macronutrientes, a gordura, o sódio e o açúcar, podem ser consumidos, mas que precisam ser ingeridos dentro de uma dieta equilibrada. “Qualquer um dos três que você consuma exageradamente pode ter algum problema de saúde para o consumidor. 24% do sódio consumidos no Brasil são oriundos de produtos industrializados e 76% são consumidos em restaurantes e lares”, informou.

O diretor da Viva Lácteos, Marcelo Martins, defendeu que é fundamental para o consumidor mais esclarecimentos em relação à qualidade nutricional dos alimentos já que no Brasil houve um processo crescente de aumento da obesidade. “54% da população adulta hoje têm sobrepeso. 18% é de fato obesa. Quando nós pegamos crianças de 5 a 9 anos de idade, 33% estão em sobrepeso, e em torno de 15% hoje das crianças elas já são obesas, então há necessidade sim, de você ter um processo de maior esclarecimento da população”.

Sobre a questão da obesidade, João Dornellas falou que a indústria vê com preocupação a epidemia da obesidade, mas ressaltou que o setor tem trabalhado para diminuir as estatísticas. “É o caso do convênio Plano Nacional de Vida Saudável firmado com o Ministério da Saúde, que de maneira voluntária, reduziu 310 mil toneladas de gordura trans, 28 mil toneladas de sódio, e 144 mil toneladas de açúcar da mesa do consumidor brasileiro. “É importante ressaltar que nesse processo de reformulação dos produtos industrializados, 310 mil toneladas de gordura trans foram retiradas das receitas. A indústria sempre vem acompanhando às demandas do consumidor, que hoje, demanda produtos mais saudáveis, e a gente também trata de oferecer esses produtos”.

Segundo o presidente da ABIA, hoje você produtos sem açúcar, diet, light, sem glúten, sem lactose, lançados para atender a demanda do consumidor. Ele acrescentou que o consumo de refrigerantes reduziu em 48% nos últimos 12 anos e a obesidade subiu em 63%. “Não adianta você atacar uma causa, sedentarismo é causa de obesidade? Com certeza é”, apontou.

Já o diretor da Viva Lácteos chamou atenção para as notícias falsas que circulam sobre os produtos lácteos em relação à qualidade nutricional desses produtos. “São informações erradas, fake news a diversos produtos. No caso de lácteos, nós temos uma recorrência muito grande de informações equivocadas em relação à qualidade nutricional deles”, alertou.

Marcelo Martins acredita que se essas informações sendo bem organizadas, bem estruturadas, com um bom modelo de rotulagem nutricional, ficarão mais fáceis de compreensão por parte dos consumidores. “Houve um entendimento por parte da Anvisa nesse processo de análise de impacto regulatório de que os nutrientes intrínsecos do leite, por serem extremamente importantes, do ponto de vista nutricional, que eles sem adição de açúcar, sódio ou de gordura, esses alimentos eles não serão rotulados em termos do rótulo no painel frontal”, explicou. No entanto, todas as informações nutricionais estarão disponíveis e o produto só passará a ser rotulado em situações onde houver, por exemplo, se a adição de açúcar for superior àquela definida como a de tolerância por parte da proposta que foi encaminhada pela Anvisa.

1 comentário

  1. Cristiany em 29 de outubro de 2019 às 08:43

    Para não considerar a matéria tendenciosa, gostaria de ver a defesa do IDEC e da Anvisa dos seus modelos, muito mais bem embasados, por sinal.

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DIRETO AO PONTO

Novo modelo de rotulagem nutricional deve ajudar na escolha dos alimentos

Anvisa tem proposta com rotulagem frontal da embalagem e  indústria sugere alternativa no estilo “semáforo” ao lado dos nutrientes

27 de outubro de 2019 às 20h30
Por Laila Sousa, de Brasília

O novo modelo de rotulagem nutricional para alimentos embalados é o tema do programa Direto ao Ponto deste domingo, 27, que convidou o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), João Dornellas, e o diretor da Viva Lácteos, Marcelo Martins para esclarecer os detalhes das propostas em debate. O foco é definir qual a melhor forma de dispor as informações para efetivamente auxiliar o consumidor a escolher melhor os alimentos que leva para casa.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) colocou em consulta pública um novo modelo de rotulagem nutricional nos produtos embalados. Até o dia 6 de novembro, o consumidor brasileiro poderá fazer sugestões ao novo regulamento que pretende uma rotulagem frontal na embalagem. A ideia da agência é indicar uma lupa quando o alimento apresentar alto teor de açúcar, sódio ou gordura saturada. Substâncias que estão relacionadas com as principais doenças crônicas, como doenças cardiovasculares, diabetes e hipertensão. A norma propõe ainda padronizar as porções especificadas no rótulo das embalagens informações sobre as quantidades dos ingredientes, que seriam estabelecidos em 100 g ou 100 ml.

Outras duas formas de rotulagem são defendidas pela indústria e por entidades de defesa do consumidor. A que tem apoio do IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), é o modelo de alerta com triângulos pretos na parte frontal de embalagem quando houver alto teor de açúcar, gordura ou sódio. Já o formato de “semáforo” é a aposta da Rede Rotulagem, que engloba 20 entidades ligadas à indústria de alimentos, com a disposição das cores, verde, amarelo e vermelho, conforme o teor dos nutrientes presentes na tabela nutricional que já existe.

Segundo o representante da Viva Lácteos, a importância de se defender o modelo de semáforo, primeiro é que as luzes verde, amarelo e vermelho permitem a qualquer consumidor identificação se há baixo, médio ou alto teor em relação aquele nutriente. “Ela vem com o percentual de valor diário, ou seja, ela permite ao consumidor a identificação de quantos por cento dentro da cesta de alimentação dele diária, considerando duas mil calorias, quanto que aquele alimento vai compor do total da alimentação que ele vai consumir por dia”. Para ele, a questão da educação é fundamental, além da rotulagem para se criar na população hábitos mais alimentares saudáveis.

O presidente da ABIA concorda com a posição de Martins. “Primeiro, a reformulação dos produtos industrializados, segundo a educação nutricional e o terceiro é o incentivo a prática esportiva. Com a indústria ficou a reformulação dos produtos industrializados e a educação e o incentivo, o Ministério da Saúde já vem fazendo”, afirmou.

A ABIA avaliou a percepção dos consumidores relação ao modelo de rotulagem. Uma pesquisa feita pelo Ibope revelou que o padrão “semáforo” é o mais aprovado pelos consumidores. Dos quase três mil entrevistados, de norte a sul do país, 70% deles acreditam que o modelo de cores é o mais adequado e cumpre os requisitos para facilitar nas escolhas dos alimentos mais saudáveis. O estudo revelou ainda que quase 80% das pessoas têm hábito de checar as informações da embalagem, mas que nem todos entendem o que diz o conteúdo das embalagens. “É por isso a gente defende o modelo informativo, ele dá condição ao consumidor de tomar a melhor decisão baseado no seu estilo de vida, baseado no estilo de vida da sua família”, esclareceu Dornellas.

Estilo de vida

João Dornellas explicou que o Brasil foi um dos primeiros países no mundo a instituir a tabela nutricional nos alimentos, trazendo informações sobre a quantidade de gordura, de açúcares e de outros nutrientes. E afirmou que hoje o consumidor é muito mais conectado e tem buscado se informar melhor para ter uma alimentação de qualidade. Dornellas defendeu o novo modelo de rotulagem nutricional nos produtos embalados de maneira que o consumidor tenha a melhor informação possível para que ele tome uma decisão de acordo com o seu estilo de vida e o de sua família.

Ele alertou que os três macronutrientes, a gordura, o sódio e o açúcar, podem ser consumidos, mas que precisam ser ingeridos dentro de uma dieta equilibrada. “Qualquer um dos três que você consuma exageradamente pode ter algum problema de saúde para o consumidor. 24% do sódio consumidos no Brasil são oriundos de produtos industrializados e 76% são consumidos em restaurantes e lares”, informou.

O diretor da Viva Lácteos, Marcelo Martins, defendeu que é fundamental para o consumidor mais esclarecimentos em relação à qualidade nutricional dos alimentos já que no Brasil houve um processo crescente de aumento da obesidade. “54% da população adulta hoje têm sobrepeso. 18% é de fato obesa. Quando nós pegamos crianças de 5 a 9 anos de idade, 33% estão em sobrepeso, e em torno de 15% hoje das crianças elas já são obesas, então há necessidade sim, de você ter um processo de maior esclarecimento da população”.

Sobre a questão da obesidade, João Dornellas falou que a indústria vê com preocupação a epidemia da obesidade, mas ressaltou que o setor tem trabalhado para diminuir as estatísticas. “É o caso do convênio Plano Nacional de Vida Saudável firmado com o Ministério da Saúde, que de maneira voluntária, reduziu 310 mil toneladas de gordura trans, 28 mil toneladas de sódio, e 144 mil toneladas de açúcar da mesa do consumidor brasileiro. “É importante ressaltar que nesse processo de reformulação dos produtos industrializados, 310 mil toneladas de gordura trans foram retiradas das receitas. A indústria sempre vem acompanhando às demandas do consumidor, que hoje, demanda produtos mais saudáveis, e a gente também trata de oferecer esses produtos”.

Segundo o presidente da ABIA, hoje você produtos sem açúcar, diet, light, sem glúten, sem lactose, lançados para atender a demanda do consumidor. Ele acrescentou que o consumo de refrigerantes reduziu em 48% nos últimos 12 anos e a obesidade subiu em 63%. “Não adianta você atacar uma causa, sedentarismo é causa de obesidade? Com certeza é”, apontou.

Já o diretor da Viva Lácteos chamou atenção para as notícias falsas que circulam sobre os produtos lácteos em relação à qualidade nutricional desses produtos. “São informações erradas, fake news a diversos produtos. No caso de lácteos, nós temos uma recorrência muito grande de informações equivocadas em relação à qualidade nutricional deles”, alertou.

Marcelo Martins acredita que se essas informações sendo bem organizadas, bem estruturadas, com um bom modelo de rotulagem nutricional, ficarão mais fáceis de compreensão por parte dos consumidores. “Houve um entendimento por parte da Anvisa nesse processo de análise de impacto regulatório de que os nutrientes intrínsecos do leite, por serem extremamente importantes, do ponto de vista nutricional, que eles sem adição de açúcar, sódio ou de gordura, esses alimentos eles não serão rotulados em termos do rótulo no painel frontal”, explicou. No entanto, todas as informações nutricionais estarão disponíveis e o produto só passará a ser rotulado em situações onde houver, por exemplo, se a adição de açúcar for superior àquela definida como a de tolerância por parte da proposta que foi encaminhada pela Anvisa.

1 comentário

  1. Cristiany em 29 de outubro de 2019 às 08:43

    Para não considerar a matéria tendenciosa, gostaria de ver a defesa do IDEC e da Anvisa dos seus modelos, muito mais bem embasados, por sinal.

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