MG: funcionários estão envolvidos em mais de 80% dos casos de roubo no campo

Quadrilhas especializadas estão aliciando funcionários de fazendas para que possam entrar com facilidade e roubar gado e maquinário

A legislação do abigeato que tipifica o crime de furto de gado completa um ano neste mês de agosto e, mesmo com penas mais graves para os criminosos, os números de violência no campo só têm aumentado. Na região de Uberaba, no Triângulo Mineiro, a cada dois dias é registrada uma ocorrência de furto ou roubo de gado nas áreas rurais e, em mais de 80% dos casos, trabalhadores da própria fazenda estão envolvidos nas ações.

Um produtor rural que não quis se identificar relembra os momentos de terror que passou nas mãos dos bandidos. Ele teve a fazenda invadida por bandidos que levaram alguns animais e objetos de sua casa no fim de 2016. “O meu funcionário foi rendido junto com a família dele e até hoje a sua esposa vive trancada em casa, com medo. Minha fazenda agora vive com a porteira trancada e não tem acesso de ninguém, além de pessoas que possuem a chave”, relatou.

Segundo levantamento da Secretaria de Segurança Pública de Minas Gerais, neste ano foram registradas 1.053 ocorrências em fazendas de todo o estado, sendo que mais da metade dos casos está relacionado ao furto ou roubo de gado.

Um dos fatores que tem elevado o número de ocorrências no campo é o surgimento de quadrilhas especializadas em agir nas áreas rurais e, segundo o levantamento da Polícia Civil, somente este ano foram registrados 109 casos de furto ou roubo de gado em quatro municípios do Triângulo Mineiro.

Abigeato

A pena para quem cometer este tipo de crime varia entre dois a cinco anos de prisão. Segundo o delegado da Polícia Civil, Diego Paganicci, é bem comum a participação de funcionários, que facilitam o acesso às propriedades. “Durante nossas investigações, constatamos que caso não houvesse alguém para trazer informações da propriedade rural, não haveria possibilidade de cometer esses crimes”, relatou.

Segundo o policial, para evitar este tipo de situação é importante que o produtor verifique os antecedentes criminais do trabalhador antes de realizar a contratação. “Pode ir até a delegacia dentro do sindicato rural e consultar se o indivíduo que será contratado possui algum problema com a Justiça. Nós já tivemos casos de o produtor rural contratar um indivíduo que tinha um mandado de prisão em aberto.”

Para tentar diminuir a ação dos bandidos, o sindicato rural de Uberaba vai instalar dez câmeras de segurança em áreas rurais para monitorar o fluxo de veículos na zona rural. Até o fim do ano, outras quarenta câmeras devem entrar em atividade.

“Infelizmente, o investimento dos governos estadual e federal está abaixo do necessário e teremos que envolver os produtores para tentar identificar os autores desses crimes”, disse o presidente do Sindicato Rural de Uberaba, Romeu Borges.

Prevenção

Nas próximas semanas, o sindicato rural vai lançar uma campanha com dicas de segurança no campo. Entre os principais itens estão os cuidados na contratação de pessoas para trabalhar nas fazendas e evitar algumas atividades relacionadas ao transporte em determinados horários.

“É preciso evitar a movimentação de carga e descarga entre as 18h e 6h, exceto em atividades canavieiras ou em granjas, que precisam fazer a captura do frango no galpão durante esse período”, falou o Borges.