SERRA GAÚCHA

Cooperativas de vinho do Rio Grande do Sul mostram como driblar a crise

Aurora, que completou 85 anos, é um dos bons exemplos. Organização enfrentou problemas em décadas passadas, mas conseguiu quitar dívida antes do prazo regular

Fonte: Canal Rural

No Rio Grande do Sul, o cooperativismo ligado à produção de uva e vinho tem dado exemplo de como driblar a crise econômica. Mesmo com quebra na safra de uva de 60%, algumas vinícolas conseguiram crescer em 2015, com expectativa de bons números também em 2016.

Desde a década de 1990, o número de cooperativas tem diminuído na região. Mas, na maioria das vezes, essa redução não ocorreu pelo fechamento de unidades, mas sim pela fusão entre as empresas. As cooperativas que não conseguiram se adequar aos novos cenários acabaram sucumbindo, afirma o diretor-executivo da Federação das Cooperativas Vinícolas do Rio Grande do Sul (Fecovinho), Helio Marchioro.

“Mas as que resistiram estão não apenas em estágio de resistência, mas também de desenvolvimento, inclusive levando novas tecnologias que o agricultor possa utilizar”, diz o representante da Fecovinho.

Um exemplo de cooperativa que prospera após diversas crises é o da Aurora, sediada em Bento Gonçalves (RS). A instituição enfrentou dificuldades há cerca de 20 anos, por conta do câmbio e contratos no exterior, lembra o atual presidente da Aurora, Itacir Pozza.

Ele conta que a cooperativa precisou renegociar uma dívida que somou na época R$ 75 milhões, o dobro do que ela valia, com prazo de pagamento até o final de 2020. “Com os bons resultados dos dois últimos anos, porém, a gente conseguiu antecipar a quitação dessa dívida em quatro anos”, afirma Pozza.

Livre das dívidas, a Aurora trata de ampliar a capacidade produtiva, e já planeja uma terceira unidade. “Sempre temos que seguir o objetivo de crescer. Temos a certeza de que estamos no caminho certo e vamos continuar crescendo”, diz o presidente.

Origem

A produção vitivinícola na Serra Gaúcha teve início com a chegada de imigrantes provenientes da Itália, entre 1880 e 1890, de acordo com o presidente do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), Oscar Ló. Os primeiros italianos já teriam trazido consigo mudas de parreiras de seu país de origem, plantadas na região. 

No começo da ocupação da região, o vinho era produzido apenas para consumo próprio. “Era bebido como um anestésico para a alma, para fazer frente ao grande desafio da colonização, para matar a saudade da pátria-mãe”, afirma o produtor Remy Valduga.

Segundo o agricultor, que é cooperado há 50 anos, uma única empresa comprava até 80% do vinho excedente na região, e pagava o quanto queria. “Então a Igreja católica e os colonos mais esclarecidos tomaram a iniciativa de montar os blocos cooperativos para ter a sua autonomia, para trabalhar naquilo que era seu”, lembra Valduga.

O sociativismo no setor de vinhos surgiu na região sul em meados da década de 1930. Marchioro, da Fecovinho, afirma que os produtores rurais encontraram no cooperativismo um elemento de resistência, de fortalecimento da agricultura familiar e de projeto para o futuro.

Apesar de o modelo ter prosperado no Rio Grande do Sul, os 85 anos de história das cooperativas do setor vitivinícola também foi marcada por momentos difíceis, como o vivido nos anos 1970.  “Na década de 1990 também, principalmente pela abertura de mercado aos vinhos importados”, diz Oscar Ló.

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