ESTRATÉGIA

Café: tecnologia ajuda a melhorar rentabilidade

Estudo da Conab mostra que custos subiram e, com margem de lucro apertada, produtores que investem em inovação têm mais chance de sobreviver na atividade

Fonte: Pexels

Segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), os custos de produção do café aumentaram mais que a inflação, na última década. A margem de lucro cada vez mais apertada motiva produtores a investir mais em tecnologia para aumento da rentabilidade. Mas, em alguns municípios, produtores ainda não conseguiram investir e já começam a apresentar prejuízos. Estas são as conclusões de um estudo que a Conab divulgou neste mês.

Foram precisos nove anos para concluir a pesquisa de custos de produção e rentabilidade no café. O resultado destaca a redução do custo da mão de obra, a partir do uso de mecanização no processo produtivo. Mesmo assim, o trabalho nos cafezais ainda têm forte participação nos custos.

Outro agravante é o gasto com fertilizantes, que, segundo o estudo, representa mais de 18% dos custos operacionais do produtor de café. O levantamento concluiu ainda que os gastos com a atividade no Brasil aumentaram mais do que a inflação no período pesquisado.

“Eu creio que o estudo vai contribuir para que o produtor possa melhorar a gestão das propriedades. Vai servir para que os agentes econômicos dentro da cadeia do café comecem a observar onde estão agindo melhor, pra que possam contribuir para a racionalidade dos custos”, diz Aroldo de Oliveira Neto, superintendente de Informações do Agronegócio.

O estudo aponta que, dos 300 mil produtores de café do Brasil, 20% estão em grandes áreas e são responsáveis por 80% da produção nacional. Já a maioria dos produtores, 80%, está em pequenas áreas e produz apenas 20% dos grãos brasileiros.

Para Antonio Fernando Guerra, chefe adjunto da Embrapa Café, os números traduzem a falta de renovação dos cafezais nas pequenas propriedades.

“Por exemplo, um pequeno produtor, hoje, tem cinco, seis pequenas áreas. Duas ou três dão lucro, e as outras tiram o lucro do que tá produzindo. Ele teria que fazer a renovação dessas áreas que não estão dando lucro, com material genético de melhor qualidade, tolerância à seca, resistente a pragas e doenças para que ele tenha maior custo de produção e melhor produtividade”, exemplifica o especialista.

O levantamento traz ainda as áreas produtoras que foram destaques positivos e negativos em produtividade. Os municípios de Luís Eduardo Magalhães na Bahia, e Cristalina, em Goiás, mostraram índices altos de investimento em tecnologia e renovação de cafezais.

Já a região de Venda Nova do Imigrante, no Espírito Santo, foi a que menos investiu em renovação de pés de café e apresentou os piores resultados de rentabilidade na produção de café.

“A produtividade é o carro chefe, a variável mais importante que o produtor deve olhar na sua gestão. Porque, quanto maior a produtividade, geralmente a receita aumenta muito”, diz Oliveira Neto.

Para a Embrapa, o produtor precisa estar sempre atento à importância de planejar custos e não abrir mão da tecnologia para impulsionar o rendimento dos cafezais.

“Nós já temos definidas várias tecnologias que contribuem para esse aumento de produtividade. Exemplos: nutrição equilibrada, com adubação fosfatada, monitoramento de pragas e doenças, irrigação onde o déficit hídrico é maior e cultivares melhoradas”, recomenda Gabriel Bartholo, chefe geral da Embrapa Café.

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