MENOS PERDAS

Bem-estar: manejo pode render mais carne por animal abatido

Autoridade no assunto, veterinária americana dá dicas de como obter melhores resultados produtivos com a redução do stress e do sofrimento do rebanho bovino

17 de outubro de 2017 às 20h44
Por Carolina Guedes | São Paulo

Fonte: Flavia Fiorini/ Embrapa

A americana Temple Grandin tornou-se uma referência em bem-estar animal ao propor o uso de técnicas e equipamentos que reduzem o stress e o sofrimento do rebanho. Formada em psicologia, veterinária e zootecnia, ela é portadora de um leve grau de autismo, o que dificultava sua interação com outras pessoas na infância. Mas, segundo ela mesma, esse problema permitiu que tivesse maior compreensão sobre a angústia dos animais nos sistemas de produção comercial.

Uma das criações da especialista é o curral em curva, projeto que a faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP) montou no interior paulista. Temple Grandin afirma que os bovinos preferem esse tipo de estrutura porque lhes dá maior segurança, já que eles gostam de voltar ao local onde já estiveram. “O curral com esse design em curva permite a impressão de que eles estão voltando ao ponto de partida, o que facilita o manejo e o comportamento dos animais que estão seguindo. Para eles, o ponto de partida é um ponto seguro, onde não existe nenhum predador”, explica.
 
Em sua mais recente visita ao Brasil, a veterinária contou que o autismo a faz pensar de forma visual, e, segundo ela, é assim que os animais também pensam. Temple disse que, por ter uma memória fotográfica, consegue enxergar os detalhes que assustam os animais. Tomando-se cuidados para evitar esses pontos, o manejo é beneficiado e os resultados aparecem. “Um bom manejo melhora índices de fertilidade e a qualidade da carne; e carne que está com hematomas é perda”, diz ela. 
 

De acordo com o professor Adroaldo Zanella, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnica da USP, uma contusão ou lesão num animal antes do abate representa a perda de meio quilo de carne. “O Brasil tem um rebanho de mais de 200 milhões de cabeças, imagine que absurdo são as perdas relacionadas com manejo para abate, sem contar o que nos preocupa mais, que é o sofrimento desnecessário do animal”, diz.

Mesmo com esse volume de perdas, Temple Grandin diz que o trabalho desenvolvido no Brasil é bom. E reforça que evitar o sofrimento do animal é mais simples do que se imagina. “O segredo é não gritar com os animais, tirar o cachorro na hora do manejo, não bater e tratar com calma, usando uma bandeira branca para orientar o caminho a ser percorrido”, enumera.
 
Ela também recomenda que o transporte dos animais seja feito nas horas menos quentes do dia, principalmente em países de clima tropical como o Brasil. E, acima de tudo, ela recomenda gentileza. “Tem que ser gentil com os animais, eles sentem tanto dor quanto nós”. 

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Bem-estar: manejo pode render mais carne por animal abatido

Autoridade no assunto, veterinária americana dá dicas de como obter melhores resultados produtivos com a redução do stress e do sofrimento do rebanho bovino

17 de outubro de 2017 às 20h44
Por Carolina Guedes | São Paulo

Fonte: Flavia Fiorini/ Embrapa

A americana Temple Grandin tornou-se uma referência em bem-estar animal ao propor o uso de técnicas e equipamentos que reduzem o stress e o sofrimento do rebanho. Formada em psicologia, veterinária e zootecnia, ela é portadora de um leve grau de autismo, o que dificultava sua interação com outras pessoas na infância. Mas, segundo ela mesma, esse problema permitiu que tivesse maior compreensão sobre a angústia dos animais nos sistemas de produção comercial.

Uma das criações da especialista é o curral em curva, projeto que a faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP) montou no interior paulista. Temple Grandin afirma que os bovinos preferem esse tipo de estrutura porque lhes dá maior segurança, já que eles gostam de voltar ao local onde já estiveram. “O curral com esse design em curva permite a impressão de que eles estão voltando ao ponto de partida, o que facilita o manejo e o comportamento dos animais que estão seguindo. Para eles, o ponto de partida é um ponto seguro, onde não existe nenhum predador”, explica.
 
Em sua mais recente visita ao Brasil, a veterinária contou que o autismo a faz pensar de forma visual, e, segundo ela, é assim que os animais também pensam. Temple disse que, por ter uma memória fotográfica, consegue enxergar os detalhes que assustam os animais. Tomando-se cuidados para evitar esses pontos, o manejo é beneficiado e os resultados aparecem. “Um bom manejo melhora índices de fertilidade e a qualidade da carne; e carne que está com hematomas é perda”, diz ela. 
 

De acordo com o professor Adroaldo Zanella, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnica da USP, uma contusão ou lesão num animal antes do abate representa a perda de meio quilo de carne. “O Brasil tem um rebanho de mais de 200 milhões de cabeças, imagine que absurdo são as perdas relacionadas com manejo para abate, sem contar o que nos preocupa mais, que é o sofrimento desnecessário do animal”, diz.

Mesmo com esse volume de perdas, Temple Grandin diz que o trabalho desenvolvido no Brasil é bom. E reforça que evitar o sofrimento do animal é mais simples do que se imagina. “O segredo é não gritar com os animais, tirar o cachorro na hora do manejo, não bater e tratar com calma, usando uma bandeira branca para orientar o caminho a ser percorrido”, enumera.
 
Ela também recomenda que o transporte dos animais seja feito nas horas menos quentes do dia, principalmente em países de clima tropical como o Brasil. E, acima de tudo, ela recomenda gentileza. “Tem que ser gentil com os animais, eles sentem tanto dor quanto nós”. 

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