MERCADO

Alerta dos analistas: momento é bom para comercializar a soja

Impasse comercial entre China e EUA eleva prêmio do grão nos portos brasileiros e beneficia produtores; novas altas de preço não estão descartadas a partir de maio

Fonte: Paulo Lanzetta/Embrapa

A disputa comercial entre China e Estados Unidos elevou os prêmios da soja nos portos brasileiros na última semana a um patamar próximo de R$ 90 a saca. Analistas de mercado afirmam que o momento é bom para negociar o grão – e novas altas de preço não estão descartadas.
 
As tarifas impostas pela China sobre os produtos norte-americanos aumentaram a procura pelo grão brasileiro. No porto de Paranaguá, no Paraná, o preço médio do prêmio da soja na primeira quinzena de abril apresentou alta de US$ 1,30 por bushel, um dos valores mais altos já registrados neste período do ano.
 
O atual momento é vantajoso para a comercialização da soja brasileira, de acordo com o analista de mercados Felipe Novais, da consultoria Tendências. “As exportações devem assumir um ritmo bastante aquecido, e esperamos ainda outras oportunidades em maio. O real tende a apresentar uma tendência de desvalorização sobre o dólar muito mais clara, tendo as eleições como grande gerador de incertezas”, diz.
 
http://www.canalrural.com.br/noticias/jornal-da-pecuaria/interesse-cultural-freio-ouro-vira-lei-rio-grande-sul-73812Para a analista Amaryllis Romano, a disputa entre China e EUA deve também influenciar os contratos futuros da soja. Ela afirma que a situação de incerteza no mercado mundial muitas vezes atrai para negociações de papéis com lastro real aqueles investidores que não são do mercado de soja, os chamados especuladores.
 
Os analistas reconhecem que o momento é favorável para a comercialização do grão, mas não descartam outras disparadas de preços nos próximos meses. “A partir de maio, a gente prevê com certeza os preços sustentando acima de R$ 82 por saca, podendo chegar até a R$ 85, então a gente trabalha com a média de R$ 82 a R$ 83 a saca de 60 quilos a partir de maio”, diz Felipe Novais.
 
Outro fator que deve garantir sustentação dos altos preços da soja é a quebra na safra argentina. O último levantamento realizado pela Bolsa de Cereais de Rosário aponta redução de 35% na produção do país vizinho, estimada hoje em 37 milhões de toneladas do grão.
 
De acordo com Amaryllis Romano, apesar de os embarques dos EUA ainda estarem fortes atualmente, o período de maior disponibilidade do produtor americano já passou. A época, agora, é da entrada da soja da América do Sul, diz. “Mas só há grão aqui (no Brasil), então objetivamente  a soja que está no porto é uma ‘pataca’, uma moeda de ouro que está valendo bastante”, afirma a analista.

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