DEFENSIVOS

Proibição de pulverização aérea no Ceará é retrocesso, diz Sindag

Projeto de lei aprovado no estado na última semana, vetando aplicação de agrotóxicos por avião, trará como consequências aumento de mau uso de produtos na lavoura, afirma o sindicato

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Foto: Pixabay

O Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) manifestou preocupação e “perplexidade” com a aprovação do Projeto de Lei nº 18/2015, na última semana, pela Assembleia Legislativa do Ceará, que proíbe a pulverização aérea no Estado. Em nota, a entidade disse que a medida é um “retrocesso”.

“Apesar de à primeira vista parecer uma medida eficiente no combate ao uso de agrotóxicos, na verdade terá como consequência exatamente o aumento do mau uso dos produtos nas lavouras. A norma retira de cena justamente a única ferramenta de aplicação com regulamentação própria e fiscalizável”, diz o Sindag. O PL vem sendo discutido há três anos no Legislativo cearense, segundo o sindicato, e entre os dias 14 e 17 entrou em uma lista de projetos para aprovação rápida antes do recesso parlamentar.

O Sindag argumenta que, com a proibição de pulverizações aéreas e maior uso de tratores e pulverizadores costais, haverá perda de agilidade, já que os aviões ofereceriam mais garantia de terminar a aplicação antes que se alterem condições climáticas necessárias à segurança da operação, como vento, temperatura e umidade do ar. Também serão necessários maiores cuidados com segurança pessoal, afirma o Sindag, pois quando o avião está sobrevoando as plantações, ninguém está na lavoura. O sindicato lembra ainda que, nas operações terrestres, será gasto volume de água 20 vezes maior no preparo da mesma quantidade de princípios ativos.

Nova call to action

Existem mais de 20 normas, regulamentos e leis referentes especificamente sobre aviação agrícola, de acordo com Sindag. Eles determinam, entre outros pontos, que cada empresa aeroagrícola tenha um engenheiro agrônomo responsável pelas operações; que os pilotos agrícolas contem com formação adicional à de pilotos comerciais, com técnicas do voo a baixa altitude e informações sobre legislação ambiental, riscos de cada produto e ações de prevenção e de emergência.

“As empresas de aviação agrícola são obrigadas a enviar mensalmente ao Ministério da Agricultura relatórios completos de cada operação – área tratada, produto aplicado, quantidade, condições meteorológicas na ocasião, quem estava envolvido e assinatura do responsável técnico”, justifica o Sindag. “A aviação agrícola é uma das ferramentas que fazem com que o Brasil utilize, por hectare, oito vezes menos agrotóxicos do que o Japão, seis vezes menos do que boa parte dos países da Europa, e três vezes menos do que os Estados Unidos, de acordo com pesquisas da Universidade de Campinas (Unicamp) e Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho (Unesp).

Comentários

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5 comentário em “Proibição de pulverização aérea no Ceará é retrocesso, diz Sindag

  1. Parabéns parlamento Cearense.
    Os demais estados da federação deveriam seguir este exemplo.
    Não é retrocesso, mas sim, avanço para o futuro, com mais segurança para o Meio Ambiente e saúde humana , fauna e flora.
    Mais uma vez: Parabéns.

  2. Retrocesso é ainda depender do uso de agrotóxicos para produção em escala, isso sim, sendo que existem no nordeste plantios agroflorestais mecanizados em grande escala de forma mais agroecológica e valor agregado. Nem precisa ir tão longe, basta vontade.
    No brasil quem faz direito é penalizado. Orgânicos tem que ter bordadura nos cultivos pra evitar contaminação de veneno de fora, selo, certificação, fiscalização, etc. Quem usa veneno não precisa se preocupar se contamina o vizinho, não precisa avisar o consumidor que produtos usou na sua cultura, não existe tanta fiscalização, etc.
    Depois proibir espalhar veneno de avião que é retrocesso.
    Acorda!

  3. Que explicação mais estapafúrdia, não tem lógica dizer que o Projeto de Lei é um retrocesso, até quando vão insistir em preservar os interesses dos fabricantes do veneno? É vergonhoso e sem sentido defender o que é tóxico e nocivo ao povo brasileiro.

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