AGRICULTURA FAMILIAR

SC planeja quadruplicar número de produtores de orgânicos

Estado, que hoje tem 603 agricultores orgânicos, planeja chegar a 2.400 até 2020. Na opinião de um produtor, para atingir a meta, governo deve oferecer mais apoio

Santa Catarina tem 603 produtores orgânicos. Quer chegar a 2.400 até 2020. Como atingir essa meta foi um dos assuntos discutidos nesta quinta-feira, dia 26, durante um seminário que reuniu produtores, agrônomos e pesquisadores na Federação de Agricultura de Santa Catarina.
 
O estado conta 138 municípios com produção orgânica. As vantagens desse tipo de produto para o consumidor já são conhecidas, tanto que muita gente está mudando os hábitos alimentares em busca de mais saúde. Mas quais as vantagens para o produtor? O que ele ganha ao ter uma lavoura livre de insumos químicos?

Há 20 anos, a lavoura do produtor Cláudio Hoffmann é livre de qualquer tipo de agroquímico. Em uma área de 2 hectares, planta 20 variedades de hortaliças. Alface, rabanete, salsinha, brócolis, tudo cresce à base da compostagem, que utiliza esterco de galinha. O controle de pragas é feito por produtos biológicos. “O comércio aqui tava bem difícil. Aí comecei a buscar novos horizontes. Achei uma porta aberta pra mim no orgânico. Tem bastante procura”, diz Hoffmann.

Se o mercado é garantido, a renda da família só aumenta. Na verdade, dobrou nessas duas décadas de atividade. Tanto que o produtor teve a necessidade de ampliar a área em 40%.
 

“Faltam diversos amparos ao produtor. O primeiro ponto que eu colocaria é a falta de uma assistência técnica qualificada, principalmente para os pequenos agricultores. A questão da pesquisa, que é importante também, a questão tributária e também a questão de créditos”, diz Alexandre Augusto Júlio Gomes, engenheiro agrônomo de políticas agrícolas da Fetaesc (Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Santa Catarina).

Hoffman concorda que falta apoio por parte do governo. Ele não pensa em abandonar o campo, mas acredita que seus filhos não vão pensar da mesma forma. E teme pela continuidade do trabalho.

“É preciso mais incentivo pra quem tá na produção não desistir. Os que estão ficando na lavoura são as pessoas de mais idade. As novas não têm oportunidade e estão desistindo pegando novos empregos na cidade”, conclui o produtor.
 

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