REBANHO GORDO

Leguminosas consorciadas com capim geram cardápio rico em proteínas para o gado

Leia o resultado do teste da Agraer, que plantou as leguminosas leucena, albizia, cratylia, gliricídia e baru na região do CerradoCratylia, leucena e albizia são plantas ricas em proteínas que, além de alimentar o gado, promovem uma adubação natural no solo. Experimentos feitos pela Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural de Mato Grosso do Sul (Agraer-MS) tem mostrado que essas leguminosas são ótimas alternativas para pequenos e médios produtores rurais. O quadro Rebanho Gordo desta quinta, dia 27, do Jornal da Pecuária, explora essa possibilidade.

Em um experimento conduzido pela zootecnista Tatiana Gama, técnicos da Agraer plantaram leguminosas consorciadas com capim massai, gerando um cardápio rico em proteínas para o gado. Foram testados o desenvolvimento de cinco tipos de leguminosas na região do Cerrado: leucena, albizia, cratylia, gliricídia e baru, plantas com teor de proteína em torno de 20%. A pesquisa também avalia a aceitação do gado para cada uma delas.

O comportamento dos animais deixa claro quais são as leguminosas preferidas. Primeiro, as vacas consumiram a leucena e, depois, a albizia. Além do alto teor protéico, essas plantas são mais exigentes quanto à fertilidade do solo e exigem um manejo mais criterioso. Por isso, o pecuarista precisa encontrar uma leguminosa que melhor se adapte às necessidades da propriedade e às características da região.

– Há uma variedade enorme de capins e leguminosas existentes, cada uma é adaptada para cada situação. A leucena tem uma resposta boa, mas a gente sabe que tem que adubar para que ela se mostre produtiva – destaca a pesquisadora Tatiana Gama.

Para reduzir o tempo de retorno do investimento, a implantação foi feita em sistema Integração Lavoura-Pecuária (ILP). O solo precisou ser corrigido para o plantio das sementes de leguminosas. De acordo com pesquisadora, a vantagem é que depois da consolidação das árvores, a adubação de reposição tem sido menor.

 – Onde não tem consórcio com a leguminosa, a gente aduba anualmente em torno de 150 quilos de nitrogênio. Onde tem consórcio, não tem recomendação de nitrogênio. Com essas leguminosas, o capim passa a produzir igualmente – acrescenta.

O pesquisador Edimilson Volpe, também da Agraer, já elegeu uma entre todas as leguminosas testadas na instituição. Para ele, a cratylia é a melhor por inúmeros fatores, mas, principalmente, por ser a mais adaptada ao solo do cerrado.
 
– Ela também tem outras vantagens. É uma planta de estrutura arbustiva, tem fácil manejo, qualidade nutritiva e é uma planta bastante rústica. Nós estamos procurando esse tipo de planta.
 
Segundo o pesquisador, a cratylia não tem componentes tóxicos, mas mesmo assim, a recomendação do uso para alimentar o gado é de, no máximo, 50% da dieta. Para evitar o consumo em excesso, a indicação de plantio é de uma linha de leguminosa para cada três metros de pasto. Por serem espécies arbustivas, tanto a cratylia quanto as outras leguminosas levam cerca de um ano para atingirem a altura ideal antes de entrar com os animais no local.
 
– Normalmente, a gente indica o plantio em uma safra de verão, no período das chuvas, e o pasto só no verão do ano seguinte, porque aí ela já está com um metro e meio, dois metros de altura, e você forma o capim rapidamente – explica o pesquisador.

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