MERCADO

Café: incentivos para aumentar a área plantada preocupa setor

Entidade representativa acredita que algumas iniciativas podem gerar um excedente produtivo

Fonte: Maria Anffe/ GcomMT

Na quinta, dia 25, o presidente executivo do Conselho Nacional do Café (CNC), deputado Silas Brasileiro, e os conselheiros diretores José Marcos Magalhães, presidente da Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Varginha (Minasul), e Francisco Sérgio de Assis, presidente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, reuniram-se com o ministro interino da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Eumar Novacki.

Os representantes da produção apresentaram ao governo sua preocupação com relação ao equilíbrio entre oferta e demanda no mercado. O CNC identificou, recentemente, anseio, por parte de vários agentes públicos dos três níveis da federação e também de bancos oficiais, em destinar recursos e apoio institucional para estimular o aumento da área plantada com café no Brasil.

A entidade diz que essas iniciativas incentivam a introdução de novas variedades, com potencial de alto rendimento em campo, o que é desejável para garantir a competitividade, porém tendem a gerar um excedente produtivo. “Esclarecemos que somos favoráveis a uma renovação gradual e planejada do parque cafeeiro nacional, mas apresentamos nosso receio ao ministro porque as iniciativas identificadas não estão integradas a um planejamento de longo prazo e que seja embasado em metas de produção e programas de incentivo ao consumo, tendo como foco o equilíbrio entre oferta e demanda para evitar o aviltamento dos preços aos produtores”, diz.

O conselho alerta, ainda, que preços aviltados de café não são bons para a cadeia produtiva, que se desestrutura, e nem para o governo, uma vez que será demandado a alocar os escassos recursos do Tesouro Nacional para a sustentação da renda dos cafeicultores, além de disponibilizar espaços nos armazéns públicos para a estocagem do produto.

Para evitar tal cenário de depreciação dos valores do café, a entidade sugere planejamento e maior sinergia entre os agentes públicos e a representação da cadeia produtiva antes de se autorizar a liberação de recursos públicos para apoiar a ampliação da área cultivada, haja vista que a representação oficial da classe produtora possui conhecimento e vivência no setor e está capacitada a orientar a respeito de ações necessárias para garantir o delicado equilíbrio entre oferta e demanda no mercado cafeeiro.

“O ministro recebeu nosso pleito e informou que adotará medidas a respeito, comunicando o setor em breve. Por fim, também entregamos a Novacki um exemplar do Relatório Anual de Gestão do CNC, que evidencia as principais realizações e conquistas do Conselho ao longo de 2017”, comunica o conselho. 

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