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RESULTADO DO ENCONTRO COM TRUMP

Argentina será a mais afetada pela entrada de trigo americano no Brasil

País vizinho vai ter que se desdobrar para concorrer com o produto dos EUA; consultoria INTL FCStone projeta preços menores no Brasil entre maio e julho

20 de março de 2019 às 11h04
Por Francielle Bertolacini, de São Paulo
água no trigo

Foto: Pixabay

Após anúncio feito pelo presidente Jair Bolsonaro de que o Brasil vai reduzir tarifas de importação para a entrada de 750 mil toneladas de trigo dos Estados Unidos, consultorias estimam que o preço do cereal no mercado interno tende a cair. De acordo com a INTL FCStone, o valor do cereal pago ao produtor rural deve ser impactado principalmente entre maio e julho.

“Você leva um tempo para começar a contratar o navio. Além disso, o trigo que deve chegar aqui no Brasil é o da nova safra americana, que começa a ser colhido apenas em junho”, explica o consultor em gerenciamento de risco da consultoria, Roberto Sandoli.

Apesar dessa perspectiva de redução nos preços do trigo no Brasil, um dos países que poderá ser afetado é a Argentina, que se sentirá pressionada a baixar seus preços para conseguir colocar o produto no mercado brasileiro.

“Os argentinos teriam que reduzir os preços na mesma proporção para poder concorrer com os americanos. Inclusive, eles conseguiriam fazer isso porque possuem um custo de produção menor”, comenta Sandoli.

A consultoria Safras&Mercado também ressalta os impactos no país vizinho. “Se o volume vem da Argentina ou dos EUA, é algo indiferente (para o Brasil). Essa decisão afeta mais a Argentina”, comentou o analista de mercado Paulo Molinari.

“O ponto principal é entender em quais condições esse produto poderá entrar no Brasil, como por exemplo, se importação será durante o ano inteiro ou só por um período”, enfatiza o gestor de risco.

Em 2018, o Brasil importou 6,8 milhões de toneladas. No ranking, deste volume, 5,9 milhões de toneladas de trigo foram provenientes da Argentina, 339 mil toneladas do Paraguai, 273 mil toneladas dos EUA e 197 mil toneladas do Canadá.

Área plantada na próxima safra

Apesar da perspectiva de queda nos preços, a área plantada com o cereal no Brasil não deve cair. A expectativa da INTL FCStone é que o total semeado na próxima temporada fique estável ou tenha leve aumento. Isso pode ser explicado pela falta de opção quando se trata de outras culturas.“O produtor não tem outra opção. Ele poderia plantar aveia, mas aveia não tem valor comercial”, comenta.

O analista explica que o plantio do trigo poderia ser útil como uma rotação de cultura para a soja que seria semeada depois. “Como a soja brasileira, por conta da guerra comercial entre China e EUA, pode ter maior demanda, ela poderia substituir uma rentabilidade perdida no cereal”, explica.

A projeção da FCStone é que produtores do Paraná mantenham a área plantada e os agricultores de São Paulo reduzam levemente o total plantado. “O Paraná começa a plantar no mês que vem, então isso já está definido. A grande questão vai ser saber o que os agricultores do Rio Grande do Sul vão fazer, mas eu acredito em manutenção de área”, comenta Roberto.

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Por Francielle Bertolacini, de São Paulo
água no trigo

Foto: Pixabay

Após anúncio feito pelo presidente Jair Bolsonaro de que o Brasil vai reduzir tarifas de importação para a entrada de 750 mil toneladas de trigo dos Estados Unidos, consultorias estimam que o preço do cereal no mercado interno tende a cair. De acordo com a INTL FCStone, o valor do cereal pago ao produtor rural deve ser impactado principalmente entre maio e julho.

“Você leva um tempo para começar a contratar o navio. Além disso, o trigo que deve chegar aqui no Brasil é o da nova safra americana, que começa a ser colhido apenas em junho”, explica o consultor em gerenciamento de risco da consultoria, Roberto Sandoli.

Apesar dessa perspectiva de redução nos preços do trigo no Brasil, um dos países que poderá ser afetado é a Argentina, que se sentirá pressionada a baixar seus preços para conseguir colocar o produto no mercado brasileiro.

“Os argentinos teriam que reduzir os preços na mesma proporção para poder concorrer com os americanos. Inclusive, eles conseguiriam fazer isso porque possuem um custo de produção menor”, comenta Sandoli.

A consultoria Safras&Mercado também ressalta os impactos no país vizinho. “Se o volume vem da Argentina ou dos EUA, é algo indiferente (para o Brasil). Essa decisão afeta mais a Argentina”, comentou o analista de mercado Paulo Molinari.

“O ponto principal é entender em quais condições esse produto poderá entrar no Brasil, como por exemplo, se importação será durante o ano inteiro ou só por um período”, enfatiza o gestor de risco.

Em 2018, o Brasil importou 6,8 milhões de toneladas. No ranking, deste volume, 5,9 milhões de toneladas de trigo foram provenientes da Argentina, 339 mil toneladas do Paraguai, 273 mil toneladas dos EUA e 197 mil toneladas do Canadá.

Área plantada na próxima safra

Apesar da perspectiva de queda nos preços, a área plantada com o cereal no Brasil não deve cair. A expectativa da INTL FCStone é que o total semeado na próxima temporada fique estável ou tenha leve aumento. Isso pode ser explicado pela falta de opção quando se trata de outras culturas.“O produtor não tem outra opção. Ele poderia plantar aveia, mas aveia não tem valor comercial”, comenta.

O analista explica que o plantio do trigo poderia ser útil como uma rotação de cultura para a soja que seria semeada depois. “Como a soja brasileira, por conta da guerra comercial entre China e EUA, pode ter maior demanda, ela poderia substituir uma rentabilidade perdida no cereal”, explica.

A projeção da FCStone é que produtores do Paraná mantenham a área plantada e os agricultores de São Paulo reduzam levemente o total plantado. “O Paraná começa a plantar no mês que vem, então isso já está definido. A grande questão vai ser saber o que os agricultores do Rio Grande do Sul vão fazer, mas eu acredito em manutenção de área”, comenta Roberto.

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