LOGÍSTICA

Terminal portuário do Maranhão prevê aumento de embarques de grãos e farelo

Expectativa é ampliar uso de ferrovias para transporte, graças à entrada em funcionamento da primeira moega ferroviária da unidade

08 de março de 2016 às 18h33
Por Canal Rural

Fonte: Kalos Geromy/Secom – Governo do Maranhão

Após encerrar 2015 com movimentação de 3,4 milhões de toneladas, o Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram), no Porto do Itaqui, em São Luís, espera elevar este número para até 4,5 milhões de toneladas em 2016. Outra mudança aguardada para este ano é o maior uso de ferrovias, no lugar de rodovias, para trazer soja, milho e farelo de soja das regiões produtoras até o terminal portuário.

“Evidentemente, é preciso acompanhar a falta de chuvas no Matopiba (região formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), que pode reduzir o volume esperado, mas a estimativa se baseia nas previsões das próprias empresas que vão escoar a produção pelo Tegram”, declarou o diretor de Logística e Originação do Grupo CGG, Luiz Claudio Santos. A CGG Trading, do Grupo CGG, é uma das empresas integrantes do consórcio que administra o Tegram, formado ainda por NovaAgri, Glencore e Amaggi/Louis Dreyfus

Do volume de 4,5 milhões de toneladas, provenientes especialmente do Matopiba e do nordeste de Mato Grosso, 65% deverão corresponder à soja, 30% ao milho e 5% ao farelo de soja. Diferentemente do que ocorreu no ano passado, quando 2,5 milhões dos 3,4 milhões de toneladas escoadas (73,5% do total) foram levadas ao Tegram em caminhões, este ano a situação deve se inverter, na estimativa do diretor do grupo CGG. Aproximadamente 3 milhões de toneladas de grãos (77% do total estimado) devem chegar pela Ferrovia Norte-Sul e pela Estrada de Ferro Carajás (EFC). A primeira é operada pela VLI, holding cujos acionistas são Vale, Mitsui, FI-FGTS e Brookfield. Já a Estrada de Ferro Carajás é uma concessão da Vale na qual a VLI atua por meio do direito de passagem. 

A mudança se deve ao início da operação da primeira moega (grande estrutura para receber granéis) de recepção ferroviária do Tegram, entre agosto e setembro do ano passado. Antes disso, o terminal recebia os grãos trazidos por caminhões por meio de quatro moegas de recepção rodoviária, uma para cada um dos quatro armazéns em operação no Tegram. A entrada em funcionamento da moega ferroviária abriu possibilidade para trazer os grãos por trens.  

Antes de chegarem à Ferrovia Norte-Sul, os caminhões são carregados com grãos provenientes do sul do Maranhão, parte da Bahia e norte de Goiás, informa Santos. Partem, então, para Porto Nacional, próximo a Palmas (TO), pátio já integrante da Norte-Sul. Já na ferrovia, seguem para Palmeirante, ao norte do Tocantins, que também recebe grãos do nordeste de Mato Grosso.

Os comboios seguem no sentido do pátio de Açailândia, já no Maranhão, e dali utilizam a Estrada de Ferro Carajás para chegar ao Porto de Itaqui (MA). Atualmente, o Tegram vem recebendo por ferrovia aproximadamente 26 mil toneladas de grãos (soja e milho) por dia. 

Um dos efeitos da mudança esperados para 2016 é a redução do número de caminhões que vão para o Tegram. No ano passado, aproximadamente 80 mil veículos levaram 2,5 milhões de toneladas até o terminal portuário. Este ano, a estimativa é de que o volume transportado por rodovias até o local caia para 1,5 milhão de toneladas e o de caminhões, para menos de 50 mil.

“Só em fevereiro, 70% do volume que chegou ao terminal veio por trem”, disse Santos. Os caminhões, segundo o executivo, percorrem principalmente a BR-222, que sai de Marabá (PA), passa por Açailândia (MA) e cruza com a BR-135, que então leva ao Porto de Itaqui.

Segunda fase

O Tegram se prepara para dar início à segunda etapa do projeto de ampliação, que elevará a capacidade de escoamento anual para 10 milhões de toneladas de grãos. 

Para o segundo semestre deste ano, está previsto o começo das obras da segunda etapa, que contempla a entrada em operação da segunda moega de recepção ferroviária e a conclusão de um segundo berço de atracação para navios. A moega de número dois já está construída, mas falta instalar as esteiras que ligarão essa estrutura aos armazéns de grãos – o que só deve ser finalizado no começo de 2018. 

Com apenas uma moega hoje, são descarregados 4 vagões de grãos por hora. A partir de 2018, poderão ser descarregados, simultaneamente, 8 vagões/hora. De 26 mil toneladas diárias descarregadas de trens hoje, o terminal passará para 52 mil toneladas diárias. 

O grupo CGG já investiu R$ 600 milhões em toda a estrutura existente do terminal. Faltam ainda outros R$ 130 milhões que, segundo o diretor de Luiz Cláudio Santos, devem ser desembolsados até janeiro de 2018. A estrutura do Tegram, entretanto, não se destina apenas às empresas do consórcio. “Estamos prestando serviço também para outros grupos exportadores. O porto está aberto”, afirmou.

O segundo berço de atracação do Tegram, também parte da etapa 2 de construção do terminal, terá o mesmo calado (profundidade necessária para que o navio atraque) do atual berço, de 15 metros. Esta profundidade permite a atracação de navios tipo Panamax, com capacidade de até 85 mil toneladas, o que torna viável o envio da soja e do milho brasileiros diretamente para seu principal cliente, a China. 

De acordo com levantamento feito pela administração do terminal privado, 70% da soja que saiu do Tegram em 2015 teve como destino a Ásia – “basicamente a China”, disse Santos. Já o milho foi enviado para países do Oriente Médio, África e para o Vietnã. A Europa também recebeu alguns volumes do grão, assim como de farelo. 

Deixe um Comentário





LOGÍSTICA

Terminal portuário do Maranhão prevê aumento de embarques de grãos e farelo

Expectativa é ampliar uso de ferrovias para transporte, graças à entrada em funcionamento da primeira moega ferroviária da unidade

08 de março de 2016 às 18h33
Por Canal Rural

Fonte: Kalos Geromy/Secom – Governo do Maranhão

Após encerrar 2015 com movimentação de 3,4 milhões de toneladas, o Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram), no Porto do Itaqui, em São Luís, espera elevar este número para até 4,5 milhões de toneladas em 2016. Outra mudança aguardada para este ano é o maior uso de ferrovias, no lugar de rodovias, para trazer soja, milho e farelo de soja das regiões produtoras até o terminal portuário.

“Evidentemente, é preciso acompanhar a falta de chuvas no Matopiba (região formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), que pode reduzir o volume esperado, mas a estimativa se baseia nas previsões das próprias empresas que vão escoar a produção pelo Tegram”, declarou o diretor de Logística e Originação do Grupo CGG, Luiz Claudio Santos. A CGG Trading, do Grupo CGG, é uma das empresas integrantes do consórcio que administra o Tegram, formado ainda por NovaAgri, Glencore e Amaggi/Louis Dreyfus

Do volume de 4,5 milhões de toneladas, provenientes especialmente do Matopiba e do nordeste de Mato Grosso, 65% deverão corresponder à soja, 30% ao milho e 5% ao farelo de soja. Diferentemente do que ocorreu no ano passado, quando 2,5 milhões dos 3,4 milhões de toneladas escoadas (73,5% do total) foram levadas ao Tegram em caminhões, este ano a situação deve se inverter, na estimativa do diretor do grupo CGG. Aproximadamente 3 milhões de toneladas de grãos (77% do total estimado) devem chegar pela Ferrovia Norte-Sul e pela Estrada de Ferro Carajás (EFC). A primeira é operada pela VLI, holding cujos acionistas são Vale, Mitsui, FI-FGTS e Brookfield. Já a Estrada de Ferro Carajás é uma concessão da Vale na qual a VLI atua por meio do direito de passagem. 

A mudança se deve ao início da operação da primeira moega (grande estrutura para receber granéis) de recepção ferroviária do Tegram, entre agosto e setembro do ano passado. Antes disso, o terminal recebia os grãos trazidos por caminhões por meio de quatro moegas de recepção rodoviária, uma para cada um dos quatro armazéns em operação no Tegram. A entrada em funcionamento da moega ferroviária abriu possibilidade para trazer os grãos por trens.  

Antes de chegarem à Ferrovia Norte-Sul, os caminhões são carregados com grãos provenientes do sul do Maranhão, parte da Bahia e norte de Goiás, informa Santos. Partem, então, para Porto Nacional, próximo a Palmas (TO), pátio já integrante da Norte-Sul. Já na ferrovia, seguem para Palmeirante, ao norte do Tocantins, que também recebe grãos do nordeste de Mato Grosso.

Os comboios seguem no sentido do pátio de Açailândia, já no Maranhão, e dali utilizam a Estrada de Ferro Carajás para chegar ao Porto de Itaqui (MA). Atualmente, o Tegram vem recebendo por ferrovia aproximadamente 26 mil toneladas de grãos (soja e milho) por dia. 

Um dos efeitos da mudança esperados para 2016 é a redução do número de caminhões que vão para o Tegram. No ano passado, aproximadamente 80 mil veículos levaram 2,5 milhões de toneladas até o terminal portuário. Este ano, a estimativa é de que o volume transportado por rodovias até o local caia para 1,5 milhão de toneladas e o de caminhões, para menos de 50 mil.

“Só em fevereiro, 70% do volume que chegou ao terminal veio por trem”, disse Santos. Os caminhões, segundo o executivo, percorrem principalmente a BR-222, que sai de Marabá (PA), passa por Açailândia (MA) e cruza com a BR-135, que então leva ao Porto de Itaqui.

Segunda fase

O Tegram se prepara para dar início à segunda etapa do projeto de ampliação, que elevará a capacidade de escoamento anual para 10 milhões de toneladas de grãos. 

Para o segundo semestre deste ano, está previsto o começo das obras da segunda etapa, que contempla a entrada em operação da segunda moega de recepção ferroviária e a conclusão de um segundo berço de atracação para navios. A moega de número dois já está construída, mas falta instalar as esteiras que ligarão essa estrutura aos armazéns de grãos – o que só deve ser finalizado no começo de 2018. 

Com apenas uma moega hoje, são descarregados 4 vagões de grãos por hora. A partir de 2018, poderão ser descarregados, simultaneamente, 8 vagões/hora. De 26 mil toneladas diárias descarregadas de trens hoje, o terminal passará para 52 mil toneladas diárias. 

O grupo CGG já investiu R$ 600 milhões em toda a estrutura existente do terminal. Faltam ainda outros R$ 130 milhões que, segundo o diretor de Luiz Cláudio Santos, devem ser desembolsados até janeiro de 2018. A estrutura do Tegram, entretanto, não se destina apenas às empresas do consórcio. “Estamos prestando serviço também para outros grupos exportadores. O porto está aberto”, afirmou.

O segundo berço de atracação do Tegram, também parte da etapa 2 de construção do terminal, terá o mesmo calado (profundidade necessária para que o navio atraque) do atual berço, de 15 metros. Esta profundidade permite a atracação de navios tipo Panamax, com capacidade de até 85 mil toneladas, o que torna viável o envio da soja e do milho brasileiros diretamente para seu principal cliente, a China. 

De acordo com levantamento feito pela administração do terminal privado, 70% da soja que saiu do Tegram em 2015 teve como destino a Ásia – “basicamente a China”, disse Santos. Já o milho foi enviado para países do Oriente Médio, África e para o Vietnã. A Europa também recebeu alguns volumes do grão, assim como de farelo. 

Deixe um Comentário





Mais Notícias