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IMPASSE

Moratória da soja: ‘Tradings não vão comprar de áreas desmatadas após 2008’

Segundo o presidente da Abiove, André Nassar, a decisão vale inclusive para produtores que apresentarem autorização de supressão

08 de novembro de 2019 às 14h51
Por Canal Rural

Algumas tradings estão se negando a comprar soja produzida no bioma amazônico mesmo com a apresentação da documentação exigida pelo Código Florestal, relataram produtores do Pará, nesta quinta-feira, 7. De acordo com o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar, a negativa das empresas deve-se à moratória da soja.

“É uma política das tradings associadas que diz que a soja produzida no bioma amazônico não pode vir de áreas desmatadas depois de 2008. Se o produtor abriu área depois disso e plantou, nós não vamos comprar dele, mesmo com a autorização de supressão”, diz.

Ele salienta, ainda, que os agricultores não foram surpreendidos, já que o programa existe desde 2006. “Fico muito preocupado porque as associações e lideranças estão tentando colocar os produtores contra as tradings. O produtor lá na ponta sabe que a trading é parceira dele, cresce com ele. Temos vários programas de apoio”, frisa o presidente da Abiove.

Nassar diz que é importante entender essa discussão a nível de mercado. “Existe um consumidor lá fora que diz ‘eu não quero soja de área desmatada da Amazônia’. Então, como fornecedores, precisamos cuidar desse mercado. Embora estejamos realmente prejudicando esses produtores que não vendem para nós, estamos garantindo mercado para a soja como um todo”, argumenta.

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Bartolomeu Braz, afirma que a entidade entrará com processo no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contra a moratória da soja.

O presidente da Abiove afirma que já conversou com a Aprosoja sobre a evolução da moratória da lei. Para isso, segundo ele, é necessário que os produtores que abrem áreas ilegalmente comecem a ser identificados.

“A partir do momento em que isso for possível, vamos abrir um novo diálogo com o mercado consumidor. ‘Vocês querem soja produzida em áreas legais? Ok, está aqui. Querem produtos zero desmatamento? Não tem problema, vocês pagam um prêmio e abrimos uma cadeia de suprimentos para vocês’. É assim que queremos evoluir, mas a Aprosoja opta por entrar em conflito e dividir a cadeia”, finaliza Nassar.

1 comentário

  1. Osvaldo Braz Filho em 8 de novembro de 2019 às 17:52

    É preciso muita habilidade para resolver a questão. O presidente da França quis e conseguiu beneficiar o produtor do seu pais, quando fez manifestações contra as queimadas na Amazônia brasileira, nas outras, não se importou muito. Agora precisamos de sugestões para sair desta enrascada. A premiação para a soja de áreas aceitáveis pelos gringos e o consumo interno da soja por eles rejeitadas, podem atender aos produtores que desmataram depois de 2008, mas que estão em acordo com o Código Florestal. O problema maior é que nós da Amazônia Legal, estamos enfrentando dificuldades para acessar crédito nessas áreas, mesmo não sendo plantador de soja. Querem, os gringos, parar o nosso potencial produtivo, e a fome no mundo, que se dane.

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Moratória da soja: ‘Tradings não vão comprar de áreas desmatadas após 2008’

Segundo o presidente da Abiove, André Nassar, a decisão vale inclusive para produtores que apresentarem autorização de supressão

08 de novembro de 2019 às 14h51
Por Canal Rural

Algumas tradings estão se negando a comprar soja produzida no bioma amazônico mesmo com a apresentação da documentação exigida pelo Código Florestal, relataram produtores do Pará, nesta quinta-feira, 7. De acordo com o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar, a negativa das empresas deve-se à moratória da soja.

“É uma política das tradings associadas que diz que a soja produzida no bioma amazônico não pode vir de áreas desmatadas depois de 2008. Se o produtor abriu área depois disso e plantou, nós não vamos comprar dele, mesmo com a autorização de supressão”, diz.

Ele salienta, ainda, que os agricultores não foram surpreendidos, já que o programa existe desde 2006. “Fico muito preocupado porque as associações e lideranças estão tentando colocar os produtores contra as tradings. O produtor lá na ponta sabe que a trading é parceira dele, cresce com ele. Temos vários programas de apoio”, frisa o presidente da Abiove.

Nassar diz que é importante entender essa discussão a nível de mercado. “Existe um consumidor lá fora que diz ‘eu não quero soja de área desmatada da Amazônia’. Então, como fornecedores, precisamos cuidar desse mercado. Embora estejamos realmente prejudicando esses produtores que não vendem para nós, estamos garantindo mercado para a soja como um todo”, argumenta.

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Bartolomeu Braz, afirma que a entidade entrará com processo no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contra a moratória da soja.

O presidente da Abiove afirma que já conversou com a Aprosoja sobre a evolução da moratória da lei. Para isso, segundo ele, é necessário que os produtores que abrem áreas ilegalmente comecem a ser identificados.

“A partir do momento em que isso for possível, vamos abrir um novo diálogo com o mercado consumidor. ‘Vocês querem soja produzida em áreas legais? Ok, está aqui. Querem produtos zero desmatamento? Não tem problema, vocês pagam um prêmio e abrimos uma cadeia de suprimentos para vocês’. É assim que queremos evoluir, mas a Aprosoja opta por entrar em conflito e dividir a cadeia”, finaliza Nassar.

1 comentário

  1. Osvaldo Braz Filho em 8 de novembro de 2019 às 17:52

    É preciso muita habilidade para resolver a questão. O presidente da França quis e conseguiu beneficiar o produtor do seu pais, quando fez manifestações contra as queimadas na Amazônia brasileira, nas outras, não se importou muito. Agora precisamos de sugestões para sair desta enrascada. A premiação para a soja de áreas aceitáveis pelos gringos e o consumo interno da soja por eles rejeitadas, podem atender aos produtores que desmataram depois de 2008, mas que estão em acordo com o Código Florestal. O problema maior é que nós da Amazônia Legal, estamos enfrentando dificuldades para acessar crédito nessas áreas, mesmo não sendo plantador de soja. Querem, os gringos, parar o nosso potencial produtivo, e a fome no mundo, que se dane.

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