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ANÁLISE

‘Projeto que quer proibir EUA de importar do Brasil deve ser retirado’

Para professor de agronegócio da USP e da FGV, os norte-americanos não vão arriscar a relação comercial por serem os grandes beneficiados

11 de setembro de 2019 às 14h19
Por Canal Rural, com informações do Estadão Conteúdo

O deputado democrata Peter DeFazio quer que os Estados Unidos parem de comprar produtos brasileiros, como carne e soja, em resposta ao aumento de queimadas na Amazônia. Para o professor de agronegócio da Universidade de São Paulo (USP) e Fundação Getulio Vargas (FGV) Marcos Fava Neves, a proposta apresentada tem vida curta, pois está apoiada na falta de informação dos parlamentares americanos. “A medida que as informações cheguem a eles, o projeto será retirado”, afirma.

Neves entende que a única forma do PL avançar é se a bandeira por trás dele for a do protecionismo. “Muita gente aproveita esse espectro ambiental para fins políticos. Se for essa a finalidade, teremos um pouco mais de trabalho, mas se a questão for meio ambiente, não”, diz.

O texto de DeFazio também prevê a proibição de uma negociação de livre-comércio entre os dois países. Quanto a isso, o professor diz que o tratado ganha força a cada dia, por ser bom também para os americanos. “Eles vendem para nós mais do que compram, então não vão querer criar problema”, diz.

A ideia é que um futuro acordo facilite trâmites, aumente a relação comercial e investimentos. O chanceler brasileiro Ernesto Araújo tem reunião no Departamento de Estado, em Washington, nesta semana, quando deve tratar do tema.

O que pensa o resto do Congresso americano?

No Comitê de Relações Exteriores da Câmara, os parlamentares americanos sinalizaram que negociações de um acordo comercial entre os dois países não devem ser barradas pela crise ambiental. O governo de Donald Trump tem sido o mais importante aliado de Bolsonaro no debate internacional sobre a situação da Amazônia.

A ideia de um acordo de comércio tem sido desenhada pelos dois lados, mas ainda não ganhou caráter oficial. Os EUA costumam comunicar o Congresso quando dão início formal às tratativas para um acordo.

O deputado democrata Albio Sires disse não ver a imposição de condições ao acordo como a saída para os americanos exercerem pressão sobre o Brasil. “Vamos trabalhar juntos, vamos encontrar uma solução, o que podemos fazer juntos para isso. Nesse momento, essa não é uma boa abordagem”, afirmou.

Outro democrata, Dean Phillips disse a jornalistas que ainda não tem posição formada sobre a necessidade de incluir condições a respeito de política ambiental para aprovação de um possível acordo. “Há desafios no uso desses instrumentos, mas temos que olhar todas as opções”, afirmou.

Apesar disso, a economista Monica de Bolle, uma das especialistas ouvidas pelos deputados, pondera que acordos recentes firmados na gestão do republicano Donald Trump incluíram previsões sobre proteção ao meio ambiente. É o caso do USMCA — o novo Nafta, renegociado entre Estados Unidos, Canadá e México.

“Tanto do lado republicano quanto do lado democrata existe uma preocupação grande com essas questões de meio ambiente e, sendo assim, qualquer acordo que venha a ser firmado com o Brasil, seja um acordo de facilitação de comércio ou algo mais ambicioso, vai conter essas normativas, essas exigências. Isso é comércio no século 21”, disse Monica.

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‘Projeto que quer proibir EUA de importar do Brasil deve ser retirado’

Para professor de agronegócio da USP e da FGV, os norte-americanos não vão arriscar a relação comercial por serem os grandes beneficiados

11 de setembro de 2019 às 14h19
Por Canal Rural, com informações do Estadão Conteúdo

O deputado democrata Peter DeFazio quer que os Estados Unidos parem de comprar produtos brasileiros, como carne e soja, em resposta ao aumento de queimadas na Amazônia. Para o professor de agronegócio da Universidade de São Paulo (USP) e Fundação Getulio Vargas (FGV) Marcos Fava Neves, a proposta apresentada tem vida curta, pois está apoiada na falta de informação dos parlamentares americanos. “A medida que as informações cheguem a eles, o projeto será retirado”, afirma.

Neves entende que a única forma do PL avançar é se a bandeira por trás dele for a do protecionismo. “Muita gente aproveita esse espectro ambiental para fins políticos. Se for essa a finalidade, teremos um pouco mais de trabalho, mas se a questão for meio ambiente, não”, diz.

O texto de DeFazio também prevê a proibição de uma negociação de livre-comércio entre os dois países. Quanto a isso, o professor diz que o tratado ganha força a cada dia, por ser bom também para os americanos. “Eles vendem para nós mais do que compram, então não vão querer criar problema”, diz.

A ideia é que um futuro acordo facilite trâmites, aumente a relação comercial e investimentos. O chanceler brasileiro Ernesto Araújo tem reunião no Departamento de Estado, em Washington, nesta semana, quando deve tratar do tema.

O que pensa o resto do Congresso americano?

No Comitê de Relações Exteriores da Câmara, os parlamentares americanos sinalizaram que negociações de um acordo comercial entre os dois países não devem ser barradas pela crise ambiental. O governo de Donald Trump tem sido o mais importante aliado de Bolsonaro no debate internacional sobre a situação da Amazônia.

A ideia de um acordo de comércio tem sido desenhada pelos dois lados, mas ainda não ganhou caráter oficial. Os EUA costumam comunicar o Congresso quando dão início formal às tratativas para um acordo.

O deputado democrata Albio Sires disse não ver a imposição de condições ao acordo como a saída para os americanos exercerem pressão sobre o Brasil. “Vamos trabalhar juntos, vamos encontrar uma solução, o que podemos fazer juntos para isso. Nesse momento, essa não é uma boa abordagem”, afirmou.

Outro democrata, Dean Phillips disse a jornalistas que ainda não tem posição formada sobre a necessidade de incluir condições a respeito de política ambiental para aprovação de um possível acordo. “Há desafios no uso desses instrumentos, mas temos que olhar todas as opções”, afirmou.

Apesar disso, a economista Monica de Bolle, uma das especialistas ouvidas pelos deputados, pondera que acordos recentes firmados na gestão do republicano Donald Trump incluíram previsões sobre proteção ao meio ambiente. É o caso do USMCA — o novo Nafta, renegociado entre Estados Unidos, Canadá e México.

“Tanto do lado republicano quanto do lado democrata existe uma preocupação grande com essas questões de meio ambiente e, sendo assim, qualquer acordo que venha a ser firmado com o Brasil, seja um acordo de facilitação de comércio ou algo mais ambicioso, vai conter essas normativas, essas exigências. Isso é comércio no século 21”, disse Monica.

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