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20 perguntas sobre orgânicos

Conteúdo é extraído do livro 500 Perguntas 500 Respostas, da Embrapa HortaliçasO mercado orgânico cresce até 40% ao ano e movimentou cerca de R$ 2 bilhões em 2014 no país, segundo dados da Apex Brasil. Nesse sentido, separamos 20 perguntas do livro 500 Perguntas 500 Respostas, da Embrapa Hortaliças. A publicação foi elaborada por pesquisadores, professores e extensionistas e está disponível para download.

07 de junho de 2015 às 16h10
Por Canal Rural com informações da Embrapa

Fonte: Divulgação/GovRS

1) Quais as boas práticas na diversificação da paisagem e na produção vegetal?
• Adoção de rotação de culturas diversas e versáteis que incluam adubos verdes, leguminosas e plantas de raízes profundas.
• Diversificação das espécies cultivadas.
• Utilização de cordões de contorno.
• Promoção da biodiversidade vegetal e animal em áreas em que esteja cultivada uma só espécie vegetal, com o plantio de várias espécies de plantas, preferencialmente árvores nativas, ou da implantação de faixas de vegetação intercaladas à cultura principal, criando corredores ecológicos.
• Cobertura apropriada do solo com espécies diversas pelo maior período possível.

2) Quais as boas práticas no manejo orgânico e na conservação do solo e água?
• Adoção de medidas para prevenir a erosão, a compactação, a salinização e outras formas de degradação do solo.
• Minimização das perdas de solo.
• Utilização de matéria orgânica.
• Planejamento de sistemas que utilizem os recursos hídricos de forma responsável e apropriada ao clima e à geografia local.
• Planejamento e manejo de sistemas de irrigação considerando as especificidades de cada cultura.
• Manutenção e preservação de nascentes e mananciais hídricos.
• Utilização de quebra-ventos.
• Integração da produção animal e vegetal.
• Implantação de sistemas agrofloresta.

3) Quais as boas práticas para a fertilidade do solo e a fertilização?
A nutrição de plantas deve fundamentar-se nos recursos do solo, e a base para o programa de adubação deve ser o material biodegradável produzido nas unidades de produção orgânicas. O manejo da adubação deve minimizar as perdas de nutrientes, assim como o acúmulo de metais pesados e outros poluentes. Os insumos, em seu processo de obtenção, utilização e armazenamento, não devem comprometer a estabilidade do hábitat natural, a manutenção de quaisquer espécies presentes na área de cultivo ou não representar ameaça ao meio ambiente ou à saúde humana.

4) Existem tratamentos para sementes orgânicas?
Sim. Os métodos mais tradicionais utilizam princípios biológicos e físicos, como água quente ou ar quente e seco (termoterapia). A termoterapia é muito eficiente para eliminar fungos e bactérias das sementes, e está baseada na combinação de uma determinada temperatura e tempo de exposição das sementes, que depende do tipo de semente e da espécie de hortaliça. Para sementes de alface e salsão, o tratamento térmico deve ser a 45ºC durante 30 minutos, e para sementes de cenoura, repolho e couve, deve sera 50ºC durante 20 minutos.Em outros países já existem produtos orgânicos utilizados no condicionamento osmótico e na peletização de sementes. O condicionamento osmótico consiste de uma hidratação controlada das sementes, suficiente para promover atividades pré-metabólicas sem, contudo, permitir a emissão da raiz primária. Dessa forma, esse tratamento aumenta a velocidade de germinação, melhora a uniformidade das plântulas e em alguns casos aumenta a porcentagem de germinação, principalmente sob condições edafoclimáticas adversas. A peletização refere-se ao revestimento das sementes com material seco e rígido, facilitando assim a sua distribuição durante a semeadura.

5) Que cuidados devem ser tomados durante o plantio?
Deve-se utilizar sementes e/ou mudas orgânicas de alta qualidade, de procedência comprovada e de firmas idôneas. Grande parte das espécies pode ser estabelecida por meio de mudas produzidas em bandejas, utilizando substratos orgânicos, inertes e geralmente autoclavados, que reduzem a incidência de microrganismos causadores de tombamento de plântulas.

6) A produtividade de um campo de sementes orgânicas é menor que a de sementes convencionais?
O rendimento de sementes de cada espécie varia com a cultivar, com as condições edafoclimáticas (solo e clima), com o manejo da cultura, entre outros. Geralmente, as produtividades obtidas no sistema orgânico são inferiores às obtidas no sistema convencional, em que são utilizados pacotes tecnológicos para alta pressão de cultivo, buscando sempre a máxima produtividade. No sistema orgânico, busca-se a produtividade sustentável, mantendo-se o equilíbrio com o meio ambiente e respeitando-se especificidadeslocais e características de cada produtor.

7) Por que os sistemas orgânicos não admitem cultivares transgênicas de hortaliças?
No desenvolvimento de uma cultivar transgênica, dois princípios básicos que regem o melhoramento de plantas para sistemas orgânicos de produção não são observados: a “integridade das plantas”. A transformação de plantas, processo pelo qual são desenvolvidas plantas transgênicas, permite que sequências de DNA vindas de outro organismo sejam inseridas diretamente no DNA da planta, violando sua integridade. Além disso, a planta transgênica é obtida sem fazer uso do sistema de reprodução ou propagação natural da espécie, sendo desenvolvida a partir de uma única célula transformada e não de uma planta completa. O segundo princípio que não é observado durante a obtenção de plantas transgênicas é o reconhecimento das barreiras naturais que separam as espécies. A transformação de plantas possibilita a inserção em uma planta de material genético (DNA) proveniente de qualquer outra planta, relacionada ou não à planta receptora, de microrganismos ou, até mesmo, de animais

8) Hortaliça hidropônica é a mesma coisa que orgânica?
Isso é um mito. A hortaliça hidropônica não é produzida no solo, e sim na água. Os fertilizantes altamente solúveis (proibidos pela agricultura orgânica), como a ureia, por exemplo, são diluídos na água. Nesse caso, a planta recebe “fertilizante na veia”, pode ter um teor maior de nitrato (produto que pode causar problemas de saúde) e pode apresentar um prazo de durabilidade menor. A confusão ocorre porque ambos usam no rótulo a expressão “produto sem agrotóxico”.

9) Que fatores encarecem as hortaliças do sistema orgânico?
• Menor produtividade e escala de produção em relação à convencional.
• Falta de pesquisa e de tecnologia apropriada.
• Falta de assistência técnica adequada e de investimentos por parte dos produtores.
• Demanda maior que a oferta.
• Custos adicionais de mão-de-obra, da certificação, da administração do empreendimento e de ensaios tecnológicos feitos pelos próprios produtores.
• Falta de tecnologias de produção em determinadas regiões.

10) Qual o melhor horário para fazer a colheita de hortaliças?
Recomenda-se fazer a colheita de hortaliças nas primeiras horas do dia ou ao final do dia, próximo ao pôr do sol. Quando houver possibilidade de escolha, recomenda-se a primeira opção, porque a temperatura é mais amena, as hortaliças estão túrgidas e bem hidratadas e os trabalhadores rurais trabalham com mais conforto. Quando a colheita é feita nas horas mais quentes do dia (entre 10h e 16h), as hortaliças podem ficar murchas rapidamente por conta da desidratação e ter reduzida sua vida pós-colheita.

11) O que é capina seletiva?
Capina seletiva consiste em arrancar as plantas espontâneas que estão amadurecendo, que já cumpriram com seu papel ecofisiológico, mantendo apenas as plantas jovens. A capina seletiva deve eliminar somente as espécies mais agressivas e/ou que estejam interferindo biologicamente na cultura. A matéria orgânica capinada é deixada sobre o solo. A análise do período em que as espécies de plantas invasoras competem com as hortaliças por fatores de crescimento é importante, e a época e a duração do período em que a cultura e as plantas espontâneas coexistem exercem influência na intensidade da interferência biológica.

12) A urina de vaca pode ser usada no controle de doenças de plantas?
A urina tem sido recomendada tanto para a nutrição de plantas como para o controle de doenças causadas por fungos nos cultivos de frutas, hortaliças e de plantas ornamentais. Após a coleta, a urina deve descansar por três& dias em frasco fechado, antes de ser diluída em água imediatamente antes do uso. As dosagens variam de 1 % a 2,5 %. Em culturas como o quiabo, jiló e berinjela, recomenda-se uma aplicação a 1 % a cada 15 dias. Como a urina de vaca tem índice salino elevado, sua aplicação em altas concentrações pode causar fitotoxicidade à planta. Os efeitos da urina de vaca são atribuídos a sua composição que contém nutrientes, compostos antimicrobianos e substâncias indutoras de resistência. A urina de vaca é rica em potássio, cloro, enxofre, nitrogênio, sódio, fenóis, ácido indolacético e priocatecol. Apesar dos efeitos benéficos obtidos, certos cuidados devem ser tomados com o aspecto sanitário dos animais antes de usar a urina a fim de não contaminar as pessoas com microrganismos patogênicos. Como ainda não há nenhum estudo nessa área, recomenda-se que seu uso seja restrito, evitando usar a urina de vaca em hortaliças de consumo in natura, como morangos, alface e outras folhosas.

13) O leite pode ser utilizado no controle de doenças de plantas?
Sim. Embora seja recomendado exclusivamente para o controle do oídio, que se caracteriza por um crescimento branco do fungo na superfície das plantas, o leite deve ser utilizado preventivamente para pulverizar todas as plantas. Recomenda-se fazer a aplicação preferencialmente nos horários de temperaturas mais amenas, isto é, no início ou no final do dia. Embora o leite não exija o uso de espalhante adesivo, os resultados são melhores quando se mistura um espalhante na calda de aplicação. A pulverização semanal de leite cru de vaca, nas concentrações de 5 % e 10 %, auxilia no controle do oídio de diversas culturas.

14) É necessário irrigar as hortaliças até no dia da colheita?
Apenas as hortaliças folhosas devem ser irrigadas até na véspera da colheita. Para os demais tipos de hortaliças, as irrigações podem ser paralisadas vários dias antes da última colheita, pois o solo pode fornecer água às plantas por vários dias. A época correta de se paralisar as irrigações depende da textura do solo, do clima e da hortaliça cultivada. Em solos argilosos e clima ameno (temperatura baixa e umidade relativa alta), as irrigações podem ser paralisadas bem antes que em solos arenosos e regiões de clima quente e seco. Em cultivos de cebola, batata e alho, por exemplo, as irrigações podem ser interrompidas de 5 a 10 dias antes da colheita. Em hortaliças do tipo fruto, como tomate e pimentão, as regas podem ser paralisadas entre 3 e 7 dias antes da última colheita.

15) Que problemas a água de irrigação pode apresentar?
Os principais problemas estão relacionados à disponibilidade e à qualidade da água. Antes de implantar o projeto de irrigação é preciso avaliar se a fonte de água é suficiente para suprir a demanda das culturas a serem estabelecidas, e se os aspectos de natureza física, química e biológica da água não limitam sua utilização para a irrigação de hortaliças.

16) Como enriquecer o composto orgânico?
O enriquecimento do composto orgânico pode ser obtido com a adição, no momento de montagem da pilha, de fosfatos de reação ácida como fosfatos naturais (6 kg m-3), calcário (25 kg t-1 a 50 kg t-1), torta de cacau (40 kg m-3) ou de mamona (20 kg m-3 a 30 kg m-3), borra de café (50 kg m-3), cinzas, entre outros. O enriquecimento do composto orgânico deve ser feito de acordo com as exigências da cultura e a necessidade do solo. Geralmente, o enriquecimento com fósforo (P) só é recomendado nos dois ou três anos iniciais de produção, e sua continuidade por mais tempo depende da disponibilidade de fósforo no solo.

17) É possível usar soja e feijão-de-corda como adubo verde?
As sementes de algumas leguminosas, como a soja e o feijão-de-corda, são mais facilmente encontradas do que outras espécies tradicionalmente recomendadas para adubação verde. Por causa de seu alto potencial de fixação biológica de nitrogênio e do crescimento vigoroso dessas espécies, associados à boa produção de massa vegetal em um período de tempo relativamente curto, a soja e o feijão-de-corda são boas alternativas para adubação verde, notadamente em sistemas orgânicos de cultivo. Cabe destacar que, por causa de sua alta sensibilidade ao fotoperíodo, a soja deve ser cultivada durante a estação de verão.

18) Que materiais podem ser utilizados como cobertura morta?
Há inúmeras espécies que podem ser utilizadas para produção de cobertura morta, tanto em cultivo “solteiro” como no consorciado. Espécies de adubos verdes, sejam leguminosas, gramíneas ou plantas de outras famílias, podem ser utilizadas como plantas de cobertura. Plantas de interesse econômico, como milho, especialmente milho verde, soja hortaliça, ervilha, etc., também podem ser utilizadas na produção de palhada. Para todas essas plantas de cobertura existe a possibilidade de produção de sementes na própria propriedade, sendo inclusive difícil encontrar fornecedores de sementes de algumas delas.

19) Quais as boas práticas no manejo orgânico e na conservação do solo e água?
• Adoção de medidas para prevenir a erosão, a compactação, a salinização e outras formas de degradação do solo.
• Minimização das perdas de solo.
• Utilização de matéria orgânica.
• Planejamento de sistemas que utilizem os recursos hídricos de forma responsável e apropriada ao clima e à geografia local.
• Planejamento e manejo de sistemas de irrigação considerando as especificidades de cada cultura.
• Manutenção e preservação de nascentes e mananciais hídricos.
• Utilização de quebra-ventos.
• Integração da produção animal e vegetal.
• Implantação de sistemas agroflorestais.

20) Como aprimorar as vendas nas tradicionais feirinhas orgânicas?
A principal diferença entre as vendas em feiras e outros locais, como supermercados, é o contato direto entre produtores e consumidores. Existem vários pontos importantes nesse tipo de venda, como:
• Manter o preço dos produtos sempre visível.
• Conhecer bem os produtos comercializados e dar informações adicionais, quando necessário.
• Fornecer folhetos com receitas e indicações de uso.
• Fazer pesquisas de opinião e de preferências regularmente.
• Fazer promoções de vendas para alguns produtos.

Para acessar o conteúdo completo,clique aqui.

1 comentário

  1. Mônica dos Santos em 8 de maio de 2019 às 18:23

    Muito bom!

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20 perguntas sobre orgânicos

Conteúdo é extraído do livro 500 Perguntas 500 Respostas, da Embrapa HortaliçasO mercado orgânico cresce até 40% ao ano e movimentou cerca de R$ 2 bilhões em 2014 no país, segundo dados da Apex Brasil. Nesse sentido, separamos 20 perguntas do livro 500 Perguntas 500 Respostas, da Embrapa Hortaliças. A publicação foi elaborada por pesquisadores, professores e extensionistas e está disponível para download.

07 de junho de 2015 às 16h10
Por Canal Rural com informações da Embrapa

Fonte: Divulgação/GovRS

1) Quais as boas práticas na diversificação da paisagem e na produção vegetal?
• Adoção de rotação de culturas diversas e versáteis que incluam adubos verdes, leguminosas e plantas de raízes profundas.
• Diversificação das espécies cultivadas.
• Utilização de cordões de contorno.
• Promoção da biodiversidade vegetal e animal em áreas em que esteja cultivada uma só espécie vegetal, com o plantio de várias espécies de plantas, preferencialmente árvores nativas, ou da implantação de faixas de vegetação intercaladas à cultura principal, criando corredores ecológicos.
• Cobertura apropriada do solo com espécies diversas pelo maior período possível.

2) Quais as boas práticas no manejo orgânico e na conservação do solo e água?
• Adoção de medidas para prevenir a erosão, a compactação, a salinização e outras formas de degradação do solo.
• Minimização das perdas de solo.
• Utilização de matéria orgânica.
• Planejamento de sistemas que utilizem os recursos hídricos de forma responsável e apropriada ao clima e à geografia local.
• Planejamento e manejo de sistemas de irrigação considerando as especificidades de cada cultura.
• Manutenção e preservação de nascentes e mananciais hídricos.
• Utilização de quebra-ventos.
• Integração da produção animal e vegetal.
• Implantação de sistemas agrofloresta.

3) Quais as boas práticas para a fertilidade do solo e a fertilização?
A nutrição de plantas deve fundamentar-se nos recursos do solo, e a base para o programa de adubação deve ser o material biodegradável produzido nas unidades de produção orgânicas. O manejo da adubação deve minimizar as perdas de nutrientes, assim como o acúmulo de metais pesados e outros poluentes. Os insumos, em seu processo de obtenção, utilização e armazenamento, não devem comprometer a estabilidade do hábitat natural, a manutenção de quaisquer espécies presentes na área de cultivo ou não representar ameaça ao meio ambiente ou à saúde humana.

4) Existem tratamentos para sementes orgânicas?
Sim. Os métodos mais tradicionais utilizam princípios biológicos e físicos, como água quente ou ar quente e seco (termoterapia). A termoterapia é muito eficiente para eliminar fungos e bactérias das sementes, e está baseada na combinação de uma determinada temperatura e tempo de exposição das sementes, que depende do tipo de semente e da espécie de hortaliça. Para sementes de alface e salsão, o tratamento térmico deve ser a 45ºC durante 30 minutos, e para sementes de cenoura, repolho e couve, deve sera 50ºC durante 20 minutos.Em outros países já existem produtos orgânicos utilizados no condicionamento osmótico e na peletização de sementes. O condicionamento osmótico consiste de uma hidratação controlada das sementes, suficiente para promover atividades pré-metabólicas sem, contudo, permitir a emissão da raiz primária. Dessa forma, esse tratamento aumenta a velocidade de germinação, melhora a uniformidade das plântulas e em alguns casos aumenta a porcentagem de germinação, principalmente sob condições edafoclimáticas adversas. A peletização refere-se ao revestimento das sementes com material seco e rígido, facilitando assim a sua distribuição durante a semeadura.

5) Que cuidados devem ser tomados durante o plantio?
Deve-se utilizar sementes e/ou mudas orgânicas de alta qualidade, de procedência comprovada e de firmas idôneas. Grande parte das espécies pode ser estabelecida por meio de mudas produzidas em bandejas, utilizando substratos orgânicos, inertes e geralmente autoclavados, que reduzem a incidência de microrganismos causadores de tombamento de plântulas.

6) A produtividade de um campo de sementes orgânicas é menor que a de sementes convencionais?
O rendimento de sementes de cada espécie varia com a cultivar, com as condições edafoclimáticas (solo e clima), com o manejo da cultura, entre outros. Geralmente, as produtividades obtidas no sistema orgânico são inferiores às obtidas no sistema convencional, em que são utilizados pacotes tecnológicos para alta pressão de cultivo, buscando sempre a máxima produtividade. No sistema orgânico, busca-se a produtividade sustentável, mantendo-se o equilíbrio com o meio ambiente e respeitando-se especificidadeslocais e características de cada produtor.

7) Por que os sistemas orgânicos não admitem cultivares transgênicas de hortaliças?
No desenvolvimento de uma cultivar transgênica, dois princípios básicos que regem o melhoramento de plantas para sistemas orgânicos de produção não são observados: a “integridade das plantas”. A transformação de plantas, processo pelo qual são desenvolvidas plantas transgênicas, permite que sequências de DNA vindas de outro organismo sejam inseridas diretamente no DNA da planta, violando sua integridade. Além disso, a planta transgênica é obtida sem fazer uso do sistema de reprodução ou propagação natural da espécie, sendo desenvolvida a partir de uma única célula transformada e não de uma planta completa. O segundo princípio que não é observado durante a obtenção de plantas transgênicas é o reconhecimento das barreiras naturais que separam as espécies. A transformação de plantas possibilita a inserção em uma planta de material genético (DNA) proveniente de qualquer outra planta, relacionada ou não à planta receptora, de microrganismos ou, até mesmo, de animais

8) Hortaliça hidropônica é a mesma coisa que orgânica?
Isso é um mito. A hortaliça hidropônica não é produzida no solo, e sim na água. Os fertilizantes altamente solúveis (proibidos pela agricultura orgânica), como a ureia, por exemplo, são diluídos na água. Nesse caso, a planta recebe “fertilizante na veia”, pode ter um teor maior de nitrato (produto que pode causar problemas de saúde) e pode apresentar um prazo de durabilidade menor. A confusão ocorre porque ambos usam no rótulo a expressão “produto sem agrotóxico”.

9) Que fatores encarecem as hortaliças do sistema orgânico?
• Menor produtividade e escala de produção em relação à convencional.
• Falta de pesquisa e de tecnologia apropriada.
• Falta de assistência técnica adequada e de investimentos por parte dos produtores.
• Demanda maior que a oferta.
• Custos adicionais de mão-de-obra, da certificação, da administração do empreendimento e de ensaios tecnológicos feitos pelos próprios produtores.
• Falta de tecnologias de produção em determinadas regiões.

10) Qual o melhor horário para fazer a colheita de hortaliças?
Recomenda-se fazer a colheita de hortaliças nas primeiras horas do dia ou ao final do dia, próximo ao pôr do sol. Quando houver possibilidade de escolha, recomenda-se a primeira opção, porque a temperatura é mais amena, as hortaliças estão túrgidas e bem hidratadas e os trabalhadores rurais trabalham com mais conforto. Quando a colheita é feita nas horas mais quentes do dia (entre 10h e 16h), as hortaliças podem ficar murchas rapidamente por conta da desidratação e ter reduzida sua vida pós-colheita.

11) O que é capina seletiva?
Capina seletiva consiste em arrancar as plantas espontâneas que estão amadurecendo, que já cumpriram com seu papel ecofisiológico, mantendo apenas as plantas jovens. A capina seletiva deve eliminar somente as espécies mais agressivas e/ou que estejam interferindo biologicamente na cultura. A matéria orgânica capinada é deixada sobre o solo. A análise do período em que as espécies de plantas invasoras competem com as hortaliças por fatores de crescimento é importante, e a época e a duração do período em que a cultura e as plantas espontâneas coexistem exercem influência na intensidade da interferência biológica.

12) A urina de vaca pode ser usada no controle de doenças de plantas?
A urina tem sido recomendada tanto para a nutrição de plantas como para o controle de doenças causadas por fungos nos cultivos de frutas, hortaliças e de plantas ornamentais. Após a coleta, a urina deve descansar por três& dias em frasco fechado, antes de ser diluída em água imediatamente antes do uso. As dosagens variam de 1 % a 2,5 %. Em culturas como o quiabo, jiló e berinjela, recomenda-se uma aplicação a 1 % a cada 15 dias. Como a urina de vaca tem índice salino elevado, sua aplicação em altas concentrações pode causar fitotoxicidade à planta. Os efeitos da urina de vaca são atribuídos a sua composição que contém nutrientes, compostos antimicrobianos e substâncias indutoras de resistência. A urina de vaca é rica em potássio, cloro, enxofre, nitrogênio, sódio, fenóis, ácido indolacético e priocatecol. Apesar dos efeitos benéficos obtidos, certos cuidados devem ser tomados com o aspecto sanitário dos animais antes de usar a urina a fim de não contaminar as pessoas com microrganismos patogênicos. Como ainda não há nenhum estudo nessa área, recomenda-se que seu uso seja restrito, evitando usar a urina de vaca em hortaliças de consumo in natura, como morangos, alface e outras folhosas.

13) O leite pode ser utilizado no controle de doenças de plantas?
Sim. Embora seja recomendado exclusivamente para o controle do oídio, que se caracteriza por um crescimento branco do fungo na superfície das plantas, o leite deve ser utilizado preventivamente para pulverizar todas as plantas. Recomenda-se fazer a aplicação preferencialmente nos horários de temperaturas mais amenas, isto é, no início ou no final do dia. Embora o leite não exija o uso de espalhante adesivo, os resultados são melhores quando se mistura um espalhante na calda de aplicação. A pulverização semanal de leite cru de vaca, nas concentrações de 5 % e 10 %, auxilia no controle do oídio de diversas culturas.

14) É necessário irrigar as hortaliças até no dia da colheita?
Apenas as hortaliças folhosas devem ser irrigadas até na véspera da colheita. Para os demais tipos de hortaliças, as irrigações podem ser paralisadas vários dias antes da última colheita, pois o solo pode fornecer água às plantas por vários dias. A época correta de se paralisar as irrigações depende da textura do solo, do clima e da hortaliça cultivada. Em solos argilosos e clima ameno (temperatura baixa e umidade relativa alta), as irrigações podem ser paralisadas bem antes que em solos arenosos e regiões de clima quente e seco. Em cultivos de cebola, batata e alho, por exemplo, as irrigações podem ser interrompidas de 5 a 10 dias antes da colheita. Em hortaliças do tipo fruto, como tomate e pimentão, as regas podem ser paralisadas entre 3 e 7 dias antes da última colheita.

15) Que problemas a água de irrigação pode apresentar?
Os principais problemas estão relacionados à disponibilidade e à qualidade da água. Antes de implantar o projeto de irrigação é preciso avaliar se a fonte de água é suficiente para suprir a demanda das culturas a serem estabelecidas, e se os aspectos de natureza física, química e biológica da água não limitam sua utilização para a irrigação de hortaliças.

16) Como enriquecer o composto orgânico?
O enriquecimento do composto orgânico pode ser obtido com a adição, no momento de montagem da pilha, de fosfatos de reação ácida como fosfatos naturais (6 kg m-3), calcário (25 kg t-1 a 50 kg t-1), torta de cacau (40 kg m-3) ou de mamona (20 kg m-3 a 30 kg m-3), borra de café (50 kg m-3), cinzas, entre outros. O enriquecimento do composto orgânico deve ser feito de acordo com as exigências da cultura e a necessidade do solo. Geralmente, o enriquecimento com fósforo (P) só é recomendado nos dois ou três anos iniciais de produção, e sua continuidade por mais tempo depende da disponibilidade de fósforo no solo.

17) É possível usar soja e feijão-de-corda como adubo verde?
As sementes de algumas leguminosas, como a soja e o feijão-de-corda, são mais facilmente encontradas do que outras espécies tradicionalmente recomendadas para adubação verde. Por causa de seu alto potencial de fixação biológica de nitrogênio e do crescimento vigoroso dessas espécies, associados à boa produção de massa vegetal em um período de tempo relativamente curto, a soja e o feijão-de-corda são boas alternativas para adubação verde, notadamente em sistemas orgânicos de cultivo. Cabe destacar que, por causa de sua alta sensibilidade ao fotoperíodo, a soja deve ser cultivada durante a estação de verão.

18) Que materiais podem ser utilizados como cobertura morta?
Há inúmeras espécies que podem ser utilizadas para produção de cobertura morta, tanto em cultivo “solteiro” como no consorciado. Espécies de adubos verdes, sejam leguminosas, gramíneas ou plantas de outras famílias, podem ser utilizadas como plantas de cobertura. Plantas de interesse econômico, como milho, especialmente milho verde, soja hortaliça, ervilha, etc., também podem ser utilizadas na produção de palhada. Para todas essas plantas de cobertura existe a possibilidade de produção de sementes na própria propriedade, sendo inclusive difícil encontrar fornecedores de sementes de algumas delas.

19) Quais as boas práticas no manejo orgânico e na conservação do solo e água?
• Adoção de medidas para prevenir a erosão, a compactação, a salinização e outras formas de degradação do solo.
• Minimização das perdas de solo.
• Utilização de matéria orgânica.
• Planejamento de sistemas que utilizem os recursos hídricos de forma responsável e apropriada ao clima e à geografia local.
• Planejamento e manejo de sistemas de irrigação considerando as especificidades de cada cultura.
• Manutenção e preservação de nascentes e mananciais hídricos.
• Utilização de quebra-ventos.
• Integração da produção animal e vegetal.
• Implantação de sistemas agroflorestais.

20) Como aprimorar as vendas nas tradicionais feirinhas orgânicas?
A principal diferença entre as vendas em feiras e outros locais, como supermercados, é o contato direto entre produtores e consumidores. Existem vários pontos importantes nesse tipo de venda, como:
• Manter o preço dos produtos sempre visível.
• Conhecer bem os produtos comercializados e dar informações adicionais, quando necessário.
• Fornecer folhetos com receitas e indicações de uso.
• Fazer pesquisas de opinião e de preferências regularmente.
• Fazer promoções de vendas para alguns produtos.

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1 comentário

  1. Mônica dos Santos em 8 de maio de 2019 às 18:23

    Muito bom!

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