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PELO RALO

Infraestrutura ruim faz o Brasil perder R$ 2 bi em grãos em uma safra

Deficiência na armazenagem e estradas em condições precárias são as principais causas das perdas no transporte de soja e milho

06 de fevereiro de 2019 às 15h40
Por Canal Rural
caminhão descarregando soja

Foto: Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina

De acordo com estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de milho deve somar 91,1 milhões de toneladas na safra 2018/19, com um aumento de 12,9% sobre o período anterior. Já a de soja está projetada em 118,8 milhões de toneladas, em alta de 0,4%. Tem sido assim já há alguns anos, aumento sobre aumento, mas, apesar de ter melhorado a eficiência da porteira para dentro, o setor produtivo ainda padece com uma infraestrutura incompatível com suas necessidades.

“O Mato Grosso, por exemplo, já produz uma safra do mesmo tamanho que a Argentina, mas continua com as mesmas estradas que tinha na década de 1980”, avalia Fernando Cadore, vice-presidente da Aprosoja-MT.

E é a deficiência na infraestrutura que mais causa perdas no transporte desses dois grãos. De acordo com um estudo realizado pelo engenheiro agrônomo Thiago Guilherme Péra, do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), que mapeou as perdas de cada atividade logística da soja e do milho no País, em 2015 foram desperdiçadas 2,381 milhões de toneladas de milho e soja (o que correspondeu a 1,3% daquela safra). Esse volume que gerou um déficit econômico de R$ 2 bilhões.

O estudo, que traçou um diagnóstico detalhado dos déficits de soja e milho durante o transporte e armazenagem no Brasil, desde as fazendas até os centros consumidores e portos, passando por ferrovias e hidrovias, identificou que as perdas ocorrem em função de diferentes atividades logísticas, tais como armazenagem, qualidade das rodovias, modalidade de transporte e canal de comercialização.

Das 2,381 milhões de toneladas desperdiçadas, o milho corresponde por 1,304 milhão de toneladas e a soja, por 1,076 milhão de toneladas. Dessas perdas, 38,81% ocorreram em armazenamento externo e 21,67% em transporte rodoviário entre a fazenda e a armazenagem.

A partir desses dados, o estudo mostrou que o aumento na capacidade de armazenagem do Brasil pode reduzir essas perdas em até 21,6%. Além disso, colocar as estradas rodoviárias em boas condições pode contribuir para uma redução de 16% nas perdas durante o transporte dos grãos.

O vice-presidente da Aprosoja concorda que melhorar a condição das estradas pode ser um começo. Mas, para ele, “isso não resolve o problema, pois, mesmo com um motorista zeloso, em uma rodovia em más condições, haverá perda”, diz.

O executivo aposta em medidas mais eficazes para resolver o problema: “Precisa haver uma mudança nos modais de transporte. Afinal, são necessários dois mil caminhões para transportar 60 mil toneladas de soja. Esse mesmo volume pode ser embarcado em apenas um navio. E é claro que há menos perdas no navio do que nos dois  mil caminhões”, diz o executivo. Para ele, a melhor opção para combater as perdas no transporte de grãos é o investimento em hidrovias e ferrovias.

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Infraestrutura ruim faz o Brasil perder R$ 2 bi em grãos em uma safra

Deficiência na armazenagem e estradas em condições precárias são as principais causas das perdas no transporte de soja e milho

06 de fevereiro de 2019 às 15h40
Por Canal Rural
caminhão descarregando soja

Foto: Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina

De acordo com estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de milho deve somar 91,1 milhões de toneladas na safra 2018/19, com um aumento de 12,9% sobre o período anterior. Já a de soja está projetada em 118,8 milhões de toneladas, em alta de 0,4%. Tem sido assim já há alguns anos, aumento sobre aumento, mas, apesar de ter melhorado a eficiência da porteira para dentro, o setor produtivo ainda padece com uma infraestrutura incompatível com suas necessidades.

“O Mato Grosso, por exemplo, já produz uma safra do mesmo tamanho que a Argentina, mas continua com as mesmas estradas que tinha na década de 1980”, avalia Fernando Cadore, vice-presidente da Aprosoja-MT.

E é a deficiência na infraestrutura que mais causa perdas no transporte desses dois grãos. De acordo com um estudo realizado pelo engenheiro agrônomo Thiago Guilherme Péra, do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), que mapeou as perdas de cada atividade logística da soja e do milho no País, em 2015 foram desperdiçadas 2,381 milhões de toneladas de milho e soja (o que correspondeu a 1,3% daquela safra). Esse volume que gerou um déficit econômico de R$ 2 bilhões.

O estudo, que traçou um diagnóstico detalhado dos déficits de soja e milho durante o transporte e armazenagem no Brasil, desde as fazendas até os centros consumidores e portos, passando por ferrovias e hidrovias, identificou que as perdas ocorrem em função de diferentes atividades logísticas, tais como armazenagem, qualidade das rodovias, modalidade de transporte e canal de comercialização.

Das 2,381 milhões de toneladas desperdiçadas, o milho corresponde por 1,304 milhão de toneladas e a soja, por 1,076 milhão de toneladas. Dessas perdas, 38,81% ocorreram em armazenamento externo e 21,67% em transporte rodoviário entre a fazenda e a armazenagem.

A partir desses dados, o estudo mostrou que o aumento na capacidade de armazenagem do Brasil pode reduzir essas perdas em até 21,6%. Além disso, colocar as estradas rodoviárias em boas condições pode contribuir para uma redução de 16% nas perdas durante o transporte dos grãos.

O vice-presidente da Aprosoja concorda que melhorar a condição das estradas pode ser um começo. Mas, para ele, “isso não resolve o problema, pois, mesmo com um motorista zeloso, em uma rodovia em más condições, haverá perda”, diz.

O executivo aposta em medidas mais eficazes para resolver o problema: “Precisa haver uma mudança nos modais de transporte. Afinal, são necessários dois mil caminhões para transportar 60 mil toneladas de soja. Esse mesmo volume pode ser embarcado em apenas um navio. E é claro que há menos perdas no navio do que nos dois  mil caminhões”, diz o executivo. Para ele, a melhor opção para combater as perdas no transporte de grãos é o investimento em hidrovias e ferrovias.

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