ASFALTO

Centro-Oeste: 21% das rodovias estão em condições ruins ou péssimas

É o que revela pesquisa anual da Confederação Nacional do Transporte, que percorreu mais de 17 mil quilômetros na região

BR-163
Fonte: Pedro Silvestre/Canal Rural

O Brasil possui mais de 213 mil quilômetros de rodovias pavimentadas. Destes, cerca de 107 mil quilômetros foram analisados pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). No ano passado, por 30 dias, técnicos da entidade percorreram as principais vias estaduais pavimentadas, com o objetivo de avaliar as condições das estradas do país. Esse estudo é realizado anualmente há 22 anos, e a proposta da CNT é identificar as características que afetam de forma direta ou indireta o desempenho e a segurança dos usuários do sistema rodoviário nacional. Em linhas gerais são vistoriados o pavimento, a sinalização e a geometria das vias. Dessa análise resulta a classificação do estado geral das rodovias pesquisadas.

Na região Centro-Oeste, potência do agronegócio brasileiro, a infraestrutura rodoviária é um ponto crítico que dificulta e encarece o transporte de produtos agropecuários. Nessa região, de acordo com o levantamento da CNT, 21% dos trechos percorridos se encontram entre ruins e péssimas condições.
Ao todo, foram analisados 17.155 quilômetros no Centro-Oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal). Desse total, apenas 1.400 quilômetros estão em ótimas condições. Outros 5.466 quilômetros estão em boas condições, 6.680 quilômetros em condições regulares, 2.883 quilômetros em situação ruim e 726 em péssimas condições.

Nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, mais proeminentes no agronegócio, foram analisados 9.220 quilômetros. Desses, 7.111 quilômetros encontram-se em boas ou regulares condições, divididos em 3.460 quilômetros que estão em boas condições e 3.651 quilômetros em condições regulares. Outros 963 quilômetros estão em condições consideradas ruins e 423 quilômetros se encontram em péssimas condições.

Em Mato Grosso, maior celeiro do agronegócio brasileiro – estado em que a agropecuária representa 19,80% do Produto Interno Bruto (PIB) total, avaliado em R$ 107,4 bilhões -, foram percorridos 4.810 quilômetros, sendo que a maioria dessas vias, ou 2.171, quilômetros se encontram em situação regular, 1.578 quilômetros em boas condições, 372 quilômetros em ótimas condições, 283 quilômetros em condições ruins e 283 quilômetros em péssimas condições.

Dados do Movimento Pró Logística, criado para articular a implantação e manutenção da infraestrutura de logística federal e estadual em Mato Grosso e presidido pela Aprosoja, mostram que o estado de Mato Grosso possui aproximadamente 5.470 km de rodovias federais, 30.230 km de rodovias estaduais e 100 mil quilômetros de rodovias municipais.

Nessas rodovias foram criados corredores estratégicos formados pela BR-155/158, que é a principal rodovia de escoamento da produção da região leste de Mato Grosso, a BR-163, mais usada pelas regiões Norte e Oeste, e a BR-364, que liga o oeste e o noroeste de Mato Grosso a Porto Velho.

De acordo com o Pró-Logística, a BR-163 é o corredor mais importante do escoamento de grãos de Mato Grosso. No ano passado, cerca de 8,7 milhões de toneladas de soja e milho circularam pela via. A expectativa é que em 2019 passem 12 milhões de toneladas de grãos. Entre novembro e dezembro de 2018, uma equipe do Movimento Pró Logística esteve na BR-163 e encontrou uma situação considerada boa.

“Nossa expectativa é de não termos problemas de escoamento neste ano. Os gargalos maiores que existiam já foram equacionados. Eles eram na Serra do Moraes e na Serra da Anita. Por lá, os caminhões já estão passando sem problemas. De forma geral, a rodovia tem recebido manutenção e, até o porto de Miritituba (PA), faltam 51 quilômetros de pavimentação, que devem ser finalizados até o fim de 2019”, diz Edeon Vaz Ferreira, presidente do Movimento Pró-Lógica.

Em Mato Grosso do Sul, estado em que a agropecuária responde por 18,36% do PIB, no valor de R$ 83,1 bilhões, foram percorridos 4.410 quilômetros. As estradas em boas condições somaram 1.882 quilômetros. Outros 1.489 quilômetros estavam em condições regulares, 557 em situação ruim e 140 em péssimas condições.

Já em Goiás e no Distrito Federal foram percorridos 8.205 quilômetros. Destes, 2.692 quilômetros estavam entre ótimas e boas condições, 3.020 em condições regulares e 1.920 em situação ruim.

A falta de investimentos é a principal causa das atuais condições das rodovias brasileiras. Para corrigir os problemas mais urgentes, reconstruir, restaurar e readequar as vias desgastadas seriam necessários R$ 48 bilhões. Esse valor é sete vezes maior que o orçado pelo governo federal para todas as obras de transporte rodoviário em 2018”, calcula o presidente da CNT, Clésio Andrade.

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