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Soja: veja tudo o que você precisa saber sobre a produção no Brasil

A soja é a principal cultura agrícola do país, sem falar na importância econômica para a balança comercial brasileira. Saiba tudo sobre a soja!

26 de abril de 2019 às 15h44
Por Daniel Popov, de São Paulo
soja em grão abiove

Grãos de soja – Foto: divulgação/SXC

A soja é a principal fonte de renda do país e dos produtores rurais, tanto que lidera o ranking de produtos mais exportados há mais de 22 anos, ou seja, desde de que o Brasil passou a registrar e divulgar os dados de vendas ao exterior. Nos últimos anos a cultura vem ganhando ainda mais espaço, devido a rentabilidade quase garantida das lavouras. O clima, as pragas, as plantas daninhas e os agroquímicos que deixaram de funcionar são os fatores limitantes. Enquanto os preços atrativos, as áreas degradadas, o surgimento de sementes resistentes a problemas e a alta demanda pelo produto, são os pontos atrativos.

Área e produção

Em 22 anos, a área de soja no Brasil passou de 11,3 milhões de hectares para pouco mais de 35,7 milhões de hectares, avanço de 216%. Aliado a isso, vem a produtividade média, que cresceu 43% desde 1997 até hoje, passando de 39,7 sacas, para 56,6 sacas. Estes dois fatores fizeram com que o Brasil conseguisse uma produção total atual de quase 120 milhões de toneladas, brigando (tonelada a tonelada) com os Estados Unidos pela posição de maior produtor mundial da oleaginosa.

Parece pouco? Mas em 22 anos a produção nacional cresceu incríveis 360%, já que em 1997 a colheita nacional foi de apenas 26,1 milhões de toneladas. Só Mato Grosso, maior produtor nacional de soja, produz hoje 32 milhões de toneladas, bem acima do montante total daquela época.

O estado, aliás, detém o posto de maior produtor nacional desde 1999. Vale ressaltar que, naquele ano, a produção total foi de 8,8 milhões de toneladas, 264% a menor que a colheita atual. A segunda posição entre os estados que mais produzem é uma briga clássica entre o Paraná e o Rio Grande do Sul.

Tradicionalmente os paranaenses levam vantagem desde sempre, mas a diferença entre eles tem ficado bastante apertado desde a safra 2015/2016, até que, finalmente, nesta última safra 2018/2019, após uma forte quebra de safra por conta do clima no Paraná (16,3 milhões de toneladas), os gaúchos assumiram a segunda posição, com uma colheita de 18,7 milhões de toneladas.

Outros países

Há muitos anos fala-se que o Brasil iria ultrapassar os Estados Unidos e se tornar o maior produtor de soja do mundo. De fato, por detalhes, isso ainda não aconteceu. Atualmente a safra americana é de 125,2 milhões de toneladas. E, caso o Brasil não tivesse tido uma forte quebra por conta do clima, a colheita atual chegaria próxima a 122 milhões de toneladas. Mas isso não aconteceu e o país deve fechar mesmo com 113 milhões de toneladas.

Na terceira posição entre os que mais produzem soja está a Argentina, com uma produção próxima a 57 milhões de toneladas. O país também tem sofrido com os problemas climáticos, tanto que na safra 2017/2018, apesar do grande potencial, fechou com apenas 35 milhões de toneladas.

Líder em exportações

Se na produção o Brasil bate na trave para ser o maior do mundo, nas vendas o país é campeão com folga. Na última safra o país embarcou para o exterior nada menos que 101 milhões de toneladas, contra quase 60 milhões dos Estados Unidos. Vale ressaltar que desde o ano passado, após embates comerciais entre a China e os Estados Unidos, o Brasil tem se tornado o principal fornecedor do grão para os chineses, maiores compradores mundiais do produto.

Para entender a importância deste mercado para o Brasil, dos 90 milhões de toneladas comprados em 2018 pela China, quase 70 milhões saíram do Brasil. Isso significa que 69% de toda a soja exportada pelo Brasil em um ano vai para o país asiático.

A Argentina, por sua vez, prioriza a exportação de óleo e farelo, e impõem uma alta taxação para as vendas do grão. Com isso os volumes embarcados não ultrapassam nem a casa dos 10 milhões de toneladas, já que a China prefere o grão para transformar em óleo e farelo a preços mais baixos.

O Paraguai vive uma situação parecida com a da Argentina, mas tem a vantagem de não ter um imposto tão elevado para o grão e com isso, muitas vezes, acaba vendendo seu produto para o próprio Brasil. Em 2018 embarcaram 190 mil toneladas para os brasileiros.

Produtividade X Área

Nos últimos anos a pesquisa brasileira tem alertado para a importância de se ampliar a produtividade, não só para gerar uma rentabilidade maior por hectare, mas também porque a oferta de novas áreas começam a chegar no limite. As áreas com pastagens degradadas ainda apontam uma opção para a agricultura avançar em termos de área, mas isso depende da adaptação do solo em áreas sem histórico com agricultura, ou seja, o montante a ser produzido começará pequeno e avançará mais lentamente, do que em áreas já consolidadas.

Não há receita de bolo para conseguir elevar a produtividade, entretanto os pesquisadores destacam diversos cuidados desde o preparo e adequação do solo, escolha das sementes e dos produtos a serem usados, dessecação, colheita e principalmente sistema de produção com rotação de culturas.

Plantio direto

O plantio direto não se resume ao uso de uma plantadeira capaz de semear sobre resíduos de palha, mas sim algo bem mais complexo. Para se conseguir efetuar um sistema de produção eficiente e produtivo, é preciso entender que há uma diferença bem grande entre a sucessão e a rotação de culturas.

O primeiro se refere a um revezamento quase que contínuo entre duas culturas apenas, em alguns estados sendo a soja e milho, em outros a soja com o algodão e por fim a soja e o trigo. Já a rotação prioriza o uso de mais culturas, para levar ao solo nutrientes diversos, cobertura de palha e abertura do solo pelo enraizamento.

“O plantio direto começou a ser praticado no Brasil no início da década de 1970, como uma alternativa para combater a erosão, aliado a construção de terraços de base larga. Com o passar do tempo, surgiram plantadeiras com mais de 40 linhas, e se fez algo muito prejudicial aos solos: adaptaram os solos as máquinas novas e, por consequência, destruiu-se os terraços, o que levou a volta dos problemas causados pela erosão”, diz o pesquisador Áureo Lantmann.

A pesquisa já destrinchou a sucessão de culturas e sabe-se que, na agricultura, a repetição de uma mesma tecnologia durante longo tempo, traz muitos problemas tais como: seleção de plantas daninhas e seleção de insetos resistentes, além de não alterar a necessária diversidade biológica do solo. O solo não é só uma mistura de argila, areia e silte, mas algo vivo que precisa de diversidade.

Correção do solo

Após o entendimento de que, antes de mais nada, é preciso rotacionar as culturas a serem plantadas, o segundo passo é a análise e correção do solo. Este é considerado um ponto importante pela pesquisa, pois define exatamente o que falta ao solo e o que precisa ser adicionado.

A análise do solo é o primeiro passo para fazer a adubação nas lavouras de soja e é considerada por engenheiros agrônomos, pesquisadores e especialistas um dos melhores investimentos para a agricultura moderna. O manejo adequado dos nutrientes faltantes traz economia no adubo e incremento na produtividade da soja. A própria Embrapa já lançou uma nova edição de seu Manual de Métodos de Análise de Solo.

Métodos para melhoria do solo

Após a realização da análise do solo e a devida correção dos nutrientes faltantes, as pesquisas mostram que adicionar algumas técnicas diferentes podem render uma boa economia e produtividades ainda maiores.

A mais conhecida e comentada é o uso de calcário. Um estudo realizado pela Universidade Federal Mato Grosso (UFMT) mostra que o aumento no uso de calcário no solo pode impulsionar a produtividade das lavouras de soja e milho. No caso da oleaginosa, isso pode render até 10 sacas a mais por hectare. Isso pode mudar a maneira que o produtor usa o insumo, já que se acreditava que o excesso poderia trazer prejuízos as plantas.

Em tempos de margens complicadas, como as atuais, algumas técnicas milenares voltam a ser estudadas por engenheiros agrônomos e pesquisadores. Uma delas é a agricultura fermentativa, que é o processo de repovoar o solo com microrganismos, trazendo consigo os nutrientes necessários para as plantas.

Os processos fermentativos na agricultura são usados há 1500 anos em países como a China, Japão e Índia e ocorrem com a reprodução e reintrodução destes microrganismos para recuperar solos degradados ou com baixo índice de nutrientes. Segundo o engenheiro agrônomo, Cassiano Ricardo Niero Mendes, com o uso desta técnica é possível economizar mais de 20% com a compra de agroquímicos e obter um ganho na produtividade de 7%, no primeiro ano de aplicação.

Boa parte dos nutrientes químicos usados pelos produtores brasileiros para corrigir a falta de fertilidade de seus solos são importados e cotados em dólar, o que pode encarecer muito os custos da safra. Segundo estimativa do geólogo e pesquisador da Embrapa Éder Martins, esse volume supera a casa dos 70%. Uma alternativa para diminuir esta dependência e ampliar a durabilidade da fertilidade na terra é uma técnica conhecida como rochagem.

O pesquisador explica que os remineralizadores não podem ser substitutos dos fertilizantes químicos, o conhecido NPK (Nitrogênio, Fósforo, Potássio) por não possuírem todos estes nutrientes em sua composição. “As rochas têm um teor de nutrientes baixo, um exemplo é o potássio que na média possui apenas 10% de óxido de potássio, ou seja, precisamos de mais pó para compensar isso”, frisa ele. “A vantagem é que esse pó fica na terra e não é levado junto com a água de chuva, como os fertilizantes químicos.”

Aposta em sementes de qualidade

Depois de corrigir o solo, a atenção dos produtores se volta ao principal insumo para a safra: as sementes. A pesquisa demonstra que as sementes de alto vigor podem render até 10% a mais na produtividade de uma lavoura de soja. A escolha de uma semente de qualidade é o primeiro passo para quem quer garantir mais sacas de soja por hectare. A escolha errada tem reflexo direto no bolso do agricultor.

Em tempos de custos elevados e preços baixos, muitos produtores acabam apostando em sementes piratas. Segundo a Associação Brasileira de Sementes (Abrasem) 35% das sementes comercializadas no Brasil são piratas. A situação preocupa as instituições que desenvolvem pesquisas de novas variedades.

Muitas vezes isso acontece porque os produtores brasileiros pagam mais royalties por sementes de alta tecnologia do que outros países. Na série especial sobre os royalties da Intacta, ficou claro que o produtor brasileiro paga bem mais pela tecnologia do que seus vizinhos argentinos. Por lá, os produtores só pagam os royalties da Intacta na compra das sementes. Se salvá-las, a legislação do país não os obriga a efetuar o pagamento, por exemplo.

Salvas ou não, para manter a qualidade da semente o sojicultor precisa assegurar alguns cuidados com o tratamento e o armazenamento de seu insumo. A Embrapa até criou um manual com 22 dicas para cuidados com as sementes.

O tratamento das sementes com fungicidas é uma prática recomendada, pois oferece garantia de melhor estabelecimento da população de plantas. Com a realização do processo, são controlados patógenos importantes transmitidos pelas sementes, diminuindo a chance de sua introdução nas lavouras. As condições desfavoráveis à germinação da semente e emergência da plântula de soja – especialmente a deficiência hídrica – tornam mais lento esse processo, expondo as sementes por mais tempo a fungos do solo, que podem causar a sua deterioração ou a morte da plântula.
Existe um insumo indispensável para garantir altas produtividades nas áreas com a oleaginosa: o inoculante. Mas, apesar de ser de fácil manuseio, este aliado precisa de cuidados para garantir os resultados. Veja 24 dicas que os pesquisadores Mariangela Hungria e Marco Antônio Nogueira, da Embrapa Soja separaram para garantir a eficiência deste processo:

Claro que não adianta fazer o tratamento adequado e armazenar o insumo de qualquer maneira, sob condições que não favorecem a manutenção da qualidade da semente. Tanto que a construção de galpões com refrigeração e nível adequado de umidade para armazenamento de sementes, tem se tornado uma tendência entre produtores. As vantagens vão desde a economia de dinheiro, gasto com compras desnecessárias, até um rendimento maior no campo. Além disso, é possível recuperar o valor investido em apenas uma safra.

Agora uma curiosidade: Você sabe qual é a capital nacional da soja? O título foi dado ao município brasileiro pela presidência da república!

Plantio e métodos

Muito já se falou sobre os malefícios do plantio convencional, ou seja, com o preparo primário do solo, realizada com arados ou grades pesadas, remexendo as camadas inferiores e superiores de terra. Claro, que existe exceção à regra, quando usada para incorporação de corretivos, de fertilizantes, de resíduos vegetais, remoção de plantas daninhas, ou para a descompactação superficial, diz a Embrapa.

De maneira geral o ideal é fazer uso do plantio direto, uma das estratégias mais eficazes para melhorar a sustentabilidade da agricultura em regiões tropicais e subtropicais. “Sua adoção, em substituição à prática de agricultura em terra nua, deve ser considerada como um investimento na gestão dos recursos naturais e socioeconômicos”, diz o pesquisador Áureo Lantmann.

Plantio direto: a maioria diz fazer, mas a realidade é bem diferente

Mas um fator que gera muita polêmica entre os produtores não diz respeito a isso, mas sim, qual o melhor jeito de plantar! Se existia um mito a ser derrubado na cultura da soja, este se referia a maior produtividade que alguns métodos de plantio da cultura prometiam. Plantio cruzado, fileiras duplas, mais sementes por hectare, menor espaçamento entre as fileiras e entre as plantas, agrupamento de plantas e convencional. Diante de tantas opções, a Embrapa realizou um estudo para saber exatamente qual era o melhor. A resposta vai surpreender, confira!

Outro cuidado a ser apontado pela pesquisa na questão do plantio é a velocidade da plantadeira. Muitas vezes os agricultores cometem pequenos deslizes no plantio para não correr riscos. Mas, vale a pena acelerar a máquina para plantar mais rápido, ou entrar com os maquinários na terra ainda úmida? Para ajudar nesta questão o pesquisador da Embrapa Soja Osmar Conte destaca quais são os riscos de se correr com o plantio. Entenda!

O plantio de soja é considerado um dos processos mais importantes da safra, influenciando diretamente na produtividade e nos lucros. Por isso, a manutenção e reparos com os maquinários são fundamentais. Atualmente encontram-se disponíveis no mercado diversas plantadeiras e tanto as novas quanto as usadas precisam de cuidados antes de entrar em campo. Para ajudar o agricultor, o Soja Brasil ouviu especialistas em maquinário agrícola para mostrar ao agricultor os cuidados necessários com as plantadeiras antes e depois da semeadura. A revisão do equipamento é indicada para verificar se existem peças desgastadas ou danificadas. Confira!

Monitoramento e cuidados

Com as lavouras se desenvolvendo o produtor deve ficar atento ao monitoramento das áreas. Isso ajuda a detectar problemas antes que eles se tornem caros para resolver. Pragas, ervas invasoras e doenças são alguns dos focos destas inspeções.

Após o monitoramento a pesquisa aconselha o uso do Manejo Integrado de Pragas (MIP). O termo refere-se à integração de diferentes ferramentas, tais como os produtos químicos, agentes biológicos (predadores, parasitóides e entomopatógenos – bactérias, fungos ou vírus), extratos de plantas, feromônios, variedades de plantas resistentes a pragas etc, para controle das lavouras.

Um exemplo dado pela pesquisa mostra que controlar percevejos e lagartas da soja seguindo as orientações do MIP aumenta a margem de lucro do produtor, ao promover uma economia de pouco mais de R$ 125 por hectare. O estudo realizado através do Programa de Desenvolvimento Científico Nacional (DCR), da pesquisadora Viviane Santos, estimou ainda que se a prática fosse adotada em todas as lavouras de soja do Brasil – uma área de aproximadamente 33,2 milhões hectares – poderia gerar um benefício econômico da ordem de R$ 4 bilhões, devido à economia com inseticidas e gastos com a aplicação dos produtos.

Muitas pragas e várias soluções

A cultura da soja no Brasil é atacada por dezenas de pragas todos os anos, que trazem ao setor produtivo muitos prejuízos. Com isso, a Embrapa Soja realizou um levantamento listando as principais pragas da sojicultura. Entre elas, o destaque fica por conta do percevejo-marrom, que é um dos mais abundantes na cultura e também requer mais atenção.

Segundo o pesquisador da entidade, Samuel Roggia, esta é uma praga que ataca às vagens e os grãos, causando um prejuízo direto à produção. Além disso, já começa a apresentar tolerância a diversos agroquímicos. “Estamos preocupados com a expansão dessa praga. Acredito que ela será um grande desafio em poucos anos”, garante Roggia.

Mas as lagartas e a mosca branca também trazem muita preocupação. Claro que o clima tem grande influência sobre o nível de infestação na área, pois cada praga se adapta melhor a uma temperatura e um nível de umidade. Saiba quais são as 10 piores pragas da soja!

A boa notícia é que existem diversos métodos para combatê-los. Desde cultivares resistentes ou tolerantes, refúgio sanitário e defensivos químicos e biológicos.

Trata-se, segundo a Embrapa, de uma praga ainda pior para a cultura da soja, o percevejo-castanho-de-raiz. O que o torna tão temível? A falta de produtos no mercado para seu controle e seu alto poder destrutivo, já que ele ataca diretamente a raiz, matando a planta.

O controle só deve iniciar quando o produtor identificar lagartas deste grupo helicoverpa/heliothis e a população superar o número de 4 ou mais lagartas por metro linear, usando o bom e velho pano de batida. “É importante contar o número de lagartas grandes, acima de 1,5 centímetros e as pequenas. Se a maioria for pequena, o tratamento pode ser feito com produtos como um agroquímico biológico, por exemplo, que são seletivos e causam menos impactos ao meio ambiente”, alerta Bueno. “Se forem maiores, é preciso usar produtos com maior eficácia.”

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Área e produção

Em 22 anos, a área de soja no Brasil passou de 11,3 milhões de hectares para pouco mais de 35,7 milhões de hectares, avanço de 216%. Aliado a isso, vem a produtividade média, que cresceu 43% desde 1997 até hoje, passando de 39,7 sacas, para 56,6 sacas. Estes dois fatores fizeram com que o Brasil conseguisse uma produção total atual de quase 120 milhões de toneladas, brigando (tonelada a tonelada) com os Estados Unidos pela posição de maior produtor mundial da oleaginosa.

Parece pouco? Mas em 22 anos a produção nacional cresceu incríveis 360%, já que em 1997 a colheita nacional foi de apenas 26,1 milhões de toneladas. Só Mato Grosso, maior produtor nacional de soja, produz hoje 32 milhões de toneladas, bem acima do montante total daquela época.

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Na terceira posição entre os que mais produzem soja está a Argentina, com uma produção próxima a 57 milhões de toneladas. O país também tem sofrido com os problemas climáticos, tanto que na safra 2017/2018, apesar do grande potencial, fechou com apenas 35 milhões de toneladas.

Líder em exportações

Se na produção o Brasil bate na trave para ser o maior do mundo, nas vendas o país é campeão com folga. Na última safra o país embarcou para o exterior nada menos que 101 milhões de toneladas, contra quase 60 milhões dos Estados Unidos. Vale ressaltar que desde o ano passado, após embates comerciais entre a China e os Estados Unidos, o Brasil tem se tornado o principal fornecedor do grão para os chineses, maiores compradores mundiais do produto.

Para entender a importância deste mercado para o Brasil, dos 90 milhões de toneladas comprados em 2018 pela China, quase 70 milhões saíram do Brasil. Isso significa que 69% de toda a soja exportada pelo Brasil em um ano vai para o país asiático.

A Argentina, por sua vez, prioriza a exportação de óleo e farelo, e impõem uma alta taxação para as vendas do grão. Com isso os volumes embarcados não ultrapassam nem a casa dos 10 milhões de toneladas, já que a China prefere o grão para transformar em óleo e farelo a preços mais baixos.

O Paraguai vive uma situação parecida com a da Argentina, mas tem a vantagem de não ter um imposto tão elevado para o grão e com isso, muitas vezes, acaba vendendo seu produto para o próprio Brasil. Em 2018 embarcaram 190 mil toneladas para os brasileiros.

Produtividade X Área

Nos últimos anos a pesquisa brasileira tem alertado para a importância de se ampliar a produtividade, não só para gerar uma rentabilidade maior por hectare, mas também porque a oferta de novas áreas começam a chegar no limite. As áreas com pastagens degradadas ainda apontam uma opção para a agricultura avançar em termos de área, mas isso depende da adaptação do solo em áreas sem histórico com agricultura, ou seja, o montante a ser produzido começará pequeno e avançará mais lentamente, do que em áreas já consolidadas.

Não há receita de bolo para conseguir elevar a produtividade, entretanto os pesquisadores destacam diversos cuidados desde o preparo e adequação do solo, escolha das sementes e dos produtos a serem usados, dessecação, colheita e principalmente sistema de produção com rotação de culturas.

Plantio direto

O plantio direto não se resume ao uso de uma plantadeira capaz de semear sobre resíduos de palha, mas sim algo bem mais complexo. Para se conseguir efetuar um sistema de produção eficiente e produtivo, é preciso entender que há uma diferença bem grande entre a sucessão e a rotação de culturas.

O primeiro se refere a um revezamento quase que contínuo entre duas culturas apenas, em alguns estados sendo a soja e milho, em outros a soja com o algodão e por fim a soja e o trigo. Já a rotação prioriza o uso de mais culturas, para levar ao solo nutrientes diversos, cobertura de palha e abertura do solo pelo enraizamento.

“O plantio direto começou a ser praticado no Brasil no início da década de 1970, como uma alternativa para combater a erosão, aliado a construção de terraços de base larga. Com o passar do tempo, surgiram plantadeiras com mais de 40 linhas, e se fez algo muito prejudicial aos solos: adaptaram os solos as máquinas novas e, por consequência, destruiu-se os terraços, o que levou a volta dos problemas causados pela erosão”, diz o pesquisador Áureo Lantmann.

A pesquisa já destrinchou a sucessão de culturas e sabe-se que, na agricultura, a repetição de uma mesma tecnologia durante longo tempo, traz muitos problemas tais como: seleção de plantas daninhas e seleção de insetos resistentes, além de não alterar a necessária diversidade biológica do solo. O solo não é só uma mistura de argila, areia e silte, mas algo vivo que precisa de diversidade.

Correção do solo

Após o entendimento de que, antes de mais nada, é preciso rotacionar as culturas a serem plantadas, o segundo passo é a análise e correção do solo. Este é considerado um ponto importante pela pesquisa, pois define exatamente o que falta ao solo e o que precisa ser adicionado.

A análise do solo é o primeiro passo para fazer a adubação nas lavouras de soja e é considerada por engenheiros agrônomos, pesquisadores e especialistas um dos melhores investimentos para a agricultura moderna. O manejo adequado dos nutrientes faltantes traz economia no adubo e incremento na produtividade da soja. A própria Embrapa já lançou uma nova edição de seu Manual de Métodos de Análise de Solo.

Métodos para melhoria do solo

Após a realização da análise do solo e a devida correção dos nutrientes faltantes, as pesquisas mostram que adicionar algumas técnicas diferentes podem render uma boa economia e produtividades ainda maiores.

A mais conhecida e comentada é o uso de calcário. Um estudo realizado pela Universidade Federal Mato Grosso (UFMT) mostra que o aumento no uso de calcário no solo pode impulsionar a produtividade das lavouras de soja e milho. No caso da oleaginosa, isso pode render até 10 sacas a mais por hectare. Isso pode mudar a maneira que o produtor usa o insumo, já que se acreditava que o excesso poderia trazer prejuízos as plantas.

Em tempos de margens complicadas, como as atuais, algumas técnicas milenares voltam a ser estudadas por engenheiros agrônomos e pesquisadores. Uma delas é a agricultura fermentativa, que é o processo de repovoar o solo com microrganismos, trazendo consigo os nutrientes necessários para as plantas.

Os processos fermentativos na agricultura são usados há 1500 anos em países como a China, Japão e Índia e ocorrem com a reprodução e reintrodução destes microrganismos para recuperar solos degradados ou com baixo índice de nutrientes. Segundo o engenheiro agrônomo, Cassiano Ricardo Niero Mendes, com o uso desta técnica é possível economizar mais de 20% com a compra de agroquímicos e obter um ganho na produtividade de 7%, no primeiro ano de aplicação.

Boa parte dos nutrientes químicos usados pelos produtores brasileiros para corrigir a falta de fertilidade de seus solos são importados e cotados em dólar, o que pode encarecer muito os custos da safra. Segundo estimativa do geólogo e pesquisador da Embrapa Éder Martins, esse volume supera a casa dos 70%. Uma alternativa para diminuir esta dependência e ampliar a durabilidade da fertilidade na terra é uma técnica conhecida como rochagem.

O pesquisador explica que os remineralizadores não podem ser substitutos dos fertilizantes químicos, o conhecido NPK (Nitrogênio, Fósforo, Potássio) por não possuírem todos estes nutrientes em sua composição. “As rochas têm um teor de nutrientes baixo, um exemplo é o potássio que na média possui apenas 10% de óxido de potássio, ou seja, precisamos de mais pó para compensar isso”, frisa ele. “A vantagem é que esse pó fica na terra e não é levado junto com a água de chuva, como os fertilizantes químicos.”

Aposta em sementes de qualidade

Depois de corrigir o solo, a atenção dos produtores se volta ao principal insumo para a safra: as sementes. A pesquisa demonstra que as sementes de alto vigor podem render até 10% a mais na produtividade de uma lavoura de soja. A escolha de uma semente de qualidade é o primeiro passo para quem quer garantir mais sacas de soja por hectare. A escolha errada tem reflexo direto no bolso do agricultor.

Em tempos de custos elevados e preços baixos, muitos produtores acabam apostando em sementes piratas. Segundo a Associação Brasileira de Sementes (Abrasem) 35% das sementes comercializadas no Brasil são piratas. A situação preocupa as instituições que desenvolvem pesquisas de novas variedades.

Muitas vezes isso acontece porque os produtores brasileiros pagam mais royalties por sementes de alta tecnologia do que outros países. Na série especial sobre os royalties da Intacta, ficou claro que o produtor brasileiro paga bem mais pela tecnologia do que seus vizinhos argentinos. Por lá, os produtores só pagam os royalties da Intacta na compra das sementes. Se salvá-las, a legislação do país não os obriga a efetuar o pagamento, por exemplo.

Salvas ou não, para manter a qualidade da semente o sojicultor precisa assegurar alguns cuidados com o tratamento e o armazenamento de seu insumo. A Embrapa até criou um manual com 22 dicas para cuidados com as sementes.

O tratamento das sementes com fungicidas é uma prática recomendada, pois oferece garantia de melhor estabelecimento da população de plantas. Com a realização do processo, são controlados patógenos importantes transmitidos pelas sementes, diminuindo a chance de sua introdução nas lavouras. As condições desfavoráveis à germinação da semente e emergência da plântula de soja – especialmente a deficiência hídrica – tornam mais lento esse processo, expondo as sementes por mais tempo a fungos do solo, que podem causar a sua deterioração ou a morte da plântula.
Existe um insumo indispensável para garantir altas produtividades nas áreas com a oleaginosa: o inoculante. Mas, apesar de ser de fácil manuseio, este aliado precisa de cuidados para garantir os resultados. Veja 24 dicas que os pesquisadores Mariangela Hungria e Marco Antônio Nogueira, da Embrapa Soja separaram para garantir a eficiência deste processo:

Claro que não adianta fazer o tratamento adequado e armazenar o insumo de qualquer maneira, sob condições que não favorecem a manutenção da qualidade da semente. Tanto que a construção de galpões com refrigeração e nível adequado de umidade para armazenamento de sementes, tem se tornado uma tendência entre produtores. As vantagens vão desde a economia de dinheiro, gasto com compras desnecessárias, até um rendimento maior no campo. Além disso, é possível recuperar o valor investido em apenas uma safra.

Agora uma curiosidade: Você sabe qual é a capital nacional da soja? O título foi dado ao município brasileiro pela presidência da república!

Plantio e métodos

Muito já se falou sobre os malefícios do plantio convencional, ou seja, com o preparo primário do solo, realizada com arados ou grades pesadas, remexendo as camadas inferiores e superiores de terra. Claro, que existe exceção à regra, quando usada para incorporação de corretivos, de fertilizantes, de resíduos vegetais, remoção de plantas daninhas, ou para a descompactação superficial, diz a Embrapa.

De maneira geral o ideal é fazer uso do plantio direto, uma das estratégias mais eficazes para melhorar a sustentabilidade da agricultura em regiões tropicais e subtropicais. “Sua adoção, em substituição à prática de agricultura em terra nua, deve ser considerada como um investimento na gestão dos recursos naturais e socioeconômicos”, diz o pesquisador Áureo Lantmann.

Plantio direto: a maioria diz fazer, mas a realidade é bem diferente

Mas um fator que gera muita polêmica entre os produtores não diz respeito a isso, mas sim, qual o melhor jeito de plantar! Se existia um mito a ser derrubado na cultura da soja, este se referia a maior produtividade que alguns métodos de plantio da cultura prometiam. Plantio cruzado, fileiras duplas, mais sementes por hectare, menor espaçamento entre as fileiras e entre as plantas, agrupamento de plantas e convencional. Diante de tantas opções, a Embrapa realizou um estudo para saber exatamente qual era o melhor. A resposta vai surpreender, confira!

Outro cuidado a ser apontado pela pesquisa na questão do plantio é a velocidade da plantadeira. Muitas vezes os agricultores cometem pequenos deslizes no plantio para não correr riscos. Mas, vale a pena acelerar a máquina para plantar mais rápido, ou entrar com os maquinários na terra ainda úmida? Para ajudar nesta questão o pesquisador da Embrapa Soja Osmar Conte destaca quais são os riscos de se correr com o plantio. Entenda!

O plantio de soja é considerado um dos processos mais importantes da safra, influenciando diretamente na produtividade e nos lucros. Por isso, a manutenção e reparos com os maquinários são fundamentais. Atualmente encontram-se disponíveis no mercado diversas plantadeiras e tanto as novas quanto as usadas precisam de cuidados antes de entrar em campo. Para ajudar o agricultor, o Soja Brasil ouviu especialistas em maquinário agrícola para mostrar ao agricultor os cuidados necessários com as plantadeiras antes e depois da semeadura. A revisão do equipamento é indicada para verificar se existem peças desgastadas ou danificadas. Confira!

Monitoramento e cuidados

Com as lavouras se desenvolvendo o produtor deve ficar atento ao monitoramento das áreas. Isso ajuda a detectar problemas antes que eles se tornem caros para resolver. Pragas, ervas invasoras e doenças são alguns dos focos destas inspeções.

Após o monitoramento a pesquisa aconselha o uso do Manejo Integrado de Pragas (MIP). O termo refere-se à integração de diferentes ferramentas, tais como os produtos químicos, agentes biológicos (predadores, parasitóides e entomopatógenos – bactérias, fungos ou vírus), extratos de plantas, feromônios, variedades de plantas resistentes a pragas etc, para controle das lavouras.

Um exemplo dado pela pesquisa mostra que controlar percevejos e lagartas da soja seguindo as orientações do MIP aumenta a margem de lucro do produtor, ao promover uma economia de pouco mais de R$ 125 por hectare. O estudo realizado através do Programa de Desenvolvimento Científico Nacional (DCR), da pesquisadora Viviane Santos, estimou ainda que se a prática fosse adotada em todas as lavouras de soja do Brasil – uma área de aproximadamente 33,2 milhões hectares – poderia gerar um benefício econômico da ordem de R$ 4 bilhões, devido à economia com inseticidas e gastos com a aplicação dos produtos.

Muitas pragas e várias soluções

A cultura da soja no Brasil é atacada por dezenas de pragas todos os anos, que trazem ao setor produtivo muitos prejuízos. Com isso, a Embrapa Soja realizou um levantamento listando as principais pragas da sojicultura. Entre elas, o destaque fica por conta do percevejo-marrom, que é um dos mais abundantes na cultura e também requer mais atenção.

Segundo o pesquisador da entidade, Samuel Roggia, esta é uma praga que ataca às vagens e os grãos, causando um prejuízo direto à produção. Além disso, já começa a apresentar tolerância a diversos agroquímicos. “Estamos preocupados com a expansão dessa praga. Acredito que ela será um grande desafio em poucos anos”, garante Roggia.

Mas as lagartas e a mosca branca também trazem muita preocupação. Claro que o clima tem grande influência sobre o nível de infestação na área, pois cada praga se adapta melhor a uma temperatura e um nível de umidade. Saiba quais são as 10 piores pragas da soja!

A boa notícia é que existem diversos métodos para combatê-los. Desde cultivares resistentes ou tolerantes, refúgio sanitário e defensivos químicos e biológicos.

Trata-se, segundo a Embrapa, de uma praga ainda pior para a cultura da soja, o percevejo-castanho-de-raiz. O que o torna tão temível? A falta de produtos no mercado para seu controle e seu alto poder destrutivo, já que ele ataca diretamente a raiz, matando a planta.

O controle só deve iniciar quando o produtor identificar lagartas deste grupo helicoverpa/heliothis e a população superar o número de 4 ou mais lagartas por metro linear, usando o bom e velho pano de batida. “É importante contar o número de lagartas grandes, acima de 1,5 centímetros e as pequenas. Se a maioria for pequena, o tratamento pode ser feito com produtos como um agroquímico biológico, por exemplo, que são seletivos e causam menos impactos ao meio ambiente”, alerta Bueno. “Se forem maiores, é preciso usar produtos com maior eficácia.”

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