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REGULARIZAÇÃO

Índios de Mato Grosso conseguem autorização do Ibama para plantar soja

Da área total de 1,5 milhão de hectares da reserva, apenas 1,7% é utilizado na agricultura; a expectativa é que a produtividade média supere mais de 60 sacas por hectare

07 de outubro de 2019 às 20h25
Por Pedro Silvestre, de Campo Novo do Parecis (MT)

Em Mato Grosso, índios de três etnias – paresi, manoki e nambikwara – deram início ao plantio de soja, após a suspensão da proibição de cultivo mecanizado em terras indígenas. Eles estão amparados por uma medida cautelar fornecida pelo Ibama, e aguardam a assinatura oficial do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), fornecidos por esse órgão, pelo Ministério Público e pela Fundação Nacional do Índio (Funai).

“Nós mesmos estamos fazendo a gestão e indo buscar a viabilidade para que a gente possa sair da informalidade”, diz Ronaldo Zokezomaike, presidente da Coopihanama, cooperativa da nação paresi, responsável pela gestão administrativa e operacional da produção.

Para o coordenador de projetos da Coopihanama, Arnaldo Zunizakaê, os indígenas vinham plantando de forma irregular por estarem à espera do licenciamento já há cerca de sete anos. “O órgão responsável até então não tinha dado nenhum encaminhamento nesse sentido de regularizar a atividade”, diz.

índio paresi

Da área total de 1,5 milhão de hectares da reserva indígena, apenas 1,7% é utilizado na agricultura. Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural

Da área total de 1,5 milhão de hectares da reserva indígena, apenas 1,7% é utilizado na agricultura. Todo o restante é preservado. De acordo com Ronaldo Zokezomaike, os projetos de cultivo estão localizados em pontos estratégicos, longe de nascentes, de áreas de caça e de ocorrência de frutas. “É muito importante a sociedade saber que é um projeto sério, bem planejado, respeitando a questão ambiental, que é o nosso maior patrimônio”, afirma.

O plantio é realizado apenas com cultivares convencionais, já que o cultivo de transgênicos na aldeia permanece proibido. A produtividade média tem ficado acima de 60 sacas por hectare. Apesar de a soja ser o carro-chefe da propriedade, a soja vai perder mais da metade do espaço para culturas de segunda safra, como feijão e milho, ocupando neste ano cerca de 3.500 hectares.

De acordo o engenheiro agrônomo da aldeia, Lúcio Avelino Ozanazokaese, o motivo é o alto custo de produção da leguminosa. “Por ser uma soja convencional, exige muito manejo, então estamos reduzindo 70%-80% da área em que estamos trabalhando”.

índios paresi

O plantio de soja é realizado apenas com cultivares convencionais, já que o cultivo de transgênicos na aldeia permanece proibido. Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural

A agricultura foi introduzida na reserva paresi há quase duas décadas. O faturamento anual, de quase R$ 6 milhões, transformou a situação da aldeia, que já foi de miséria. Segundo o coordenador de projetos, a atividade trouxe muitos benefícios para a comunidade. “As aldeias parecis hoje ela é totalmente diferente de muitas..os índios que moram no cerrado paresi são alguns dos que têm a vida mais digna hoje”, diz mente hoje”, afirma Arnaldo Zunizakaê.

Para o presidente da cooperativa, o trabalho da cooperativa – que só emprega indígenas – é um exemplo a ser seguido por outros povos. “Através da agricultura, nós conseguimos suprir todas as necessidades e carências na questão social, como alto índice de desnutrição e alto êxodo de pessoas indígenas em busca de trabalho lá fora”, diz.

Nova call to action

2 comentários

  1. Edison Manoel Esteves. em 8 de outubro de 2019 às 18:40

    Parabéns, é assim que deve ser.. Indio não é bicho, e ser humano, tem suas necessidades do mundo moderno..esses indios do Mato Grosso tinha um grande índice de alcoolismo e suicídio, hoje a realidade é outra…Parabens.

  2. Maria das Graças Teixeira em 9 de outubro de 2019 às 12:06

    Até que enfim, um presidente começa a fazer justiça para todos. Os índios também são cidadãos brasileiros e merecem respeito, oportunidades e equidade. Parabéns ao presidente Jair Bolsonaro.

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Índios de Mato Grosso conseguem autorização do Ibama para plantar soja

Da área total de 1,5 milhão de hectares da reserva, apenas 1,7% é utilizado na agricultura; a expectativa é que a produtividade média supere mais de 60 sacas por hectare

07 de outubro de 2019 às 20h25
Por Pedro Silvestre, de Campo Novo do Parecis (MT)

Em Mato Grosso, índios de três etnias – paresi, manoki e nambikwara – deram início ao plantio de soja, após a suspensão da proibição de cultivo mecanizado em terras indígenas. Eles estão amparados por uma medida cautelar fornecida pelo Ibama, e aguardam a assinatura oficial do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), fornecidos por esse órgão, pelo Ministério Público e pela Fundação Nacional do Índio (Funai).

“Nós mesmos estamos fazendo a gestão e indo buscar a viabilidade para que a gente possa sair da informalidade”, diz Ronaldo Zokezomaike, presidente da Coopihanama, cooperativa da nação paresi, responsável pela gestão administrativa e operacional da produção.

Para o coordenador de projetos da Coopihanama, Arnaldo Zunizakaê, os indígenas vinham plantando de forma irregular por estarem à espera do licenciamento já há cerca de sete anos. “O órgão responsável até então não tinha dado nenhum encaminhamento nesse sentido de regularizar a atividade”, diz.

índio paresi

Da área total de 1,5 milhão de hectares da reserva indígena, apenas 1,7% é utilizado na agricultura. Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural

Da área total de 1,5 milhão de hectares da reserva indígena, apenas 1,7% é utilizado na agricultura. Todo o restante é preservado. De acordo com Ronaldo Zokezomaike, os projetos de cultivo estão localizados em pontos estratégicos, longe de nascentes, de áreas de caça e de ocorrência de frutas. “É muito importante a sociedade saber que é um projeto sério, bem planejado, respeitando a questão ambiental, que é o nosso maior patrimônio”, afirma.

O plantio é realizado apenas com cultivares convencionais, já que o cultivo de transgênicos na aldeia permanece proibido. A produtividade média tem ficado acima de 60 sacas por hectare. Apesar de a soja ser o carro-chefe da propriedade, a soja vai perder mais da metade do espaço para culturas de segunda safra, como feijão e milho, ocupando neste ano cerca de 3.500 hectares.

De acordo o engenheiro agrônomo da aldeia, Lúcio Avelino Ozanazokaese, o motivo é o alto custo de produção da leguminosa. “Por ser uma soja convencional, exige muito manejo, então estamos reduzindo 70%-80% da área em que estamos trabalhando”.

índios paresi

O plantio de soja é realizado apenas com cultivares convencionais, já que o cultivo de transgênicos na aldeia permanece proibido. Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural

A agricultura foi introduzida na reserva paresi há quase duas décadas. O faturamento anual, de quase R$ 6 milhões, transformou a situação da aldeia, que já foi de miséria. Segundo o coordenador de projetos, a atividade trouxe muitos benefícios para a comunidade. “As aldeias parecis hoje ela é totalmente diferente de muitas..os índios que moram no cerrado paresi são alguns dos que têm a vida mais digna hoje”, diz mente hoje”, afirma Arnaldo Zunizakaê.

Para o presidente da cooperativa, o trabalho da cooperativa – que só emprega indígenas – é um exemplo a ser seguido por outros povos. “Através da agricultura, nós conseguimos suprir todas as necessidades e carências na questão social, como alto índice de desnutrição e alto êxodo de pessoas indígenas em busca de trabalho lá fora”, diz.

Nova call to action

2 comentários

  1. Edison Manoel Esteves. em 8 de outubro de 2019 às 18:40

    Parabéns, é assim que deve ser.. Indio não é bicho, e ser humano, tem suas necessidades do mundo moderno..esses indios do Mato Grosso tinha um grande índice de alcoolismo e suicídio, hoje a realidade é outra…Parabens.

  2. Maria das Graças Teixeira em 9 de outubro de 2019 às 12:06

    Até que enfim, um presidente começa a fazer justiça para todos. Os índios também são cidadãos brasileiros e merecem respeito, oportunidades e equidade. Parabéns ao presidente Jair Bolsonaro.

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